
O jornal "Dicas", do LIDL, tem uma secção de astrologia. O Escorpião estava em destaque. Nasci no dia 12 de Novembro, por isso sou Escorpião, e estive curioso em saber o que era dito. Várias características eram atribuídas a indivíduos desse signo... que foram completamente ao lado, se a intenção é descrever-me.
«Num nativo escorpião é normal encontrar um físico possante,» (...)
Sou magro. Tenho cerca de 1,64 m e quase 60 kg. Sempre fui magro, e tornei-me ainda mais quando comecei a ter sintomas de doença de Crohn.
(...) «existindo nele uma vitalidade quase eléctrica.»
Mmmm. Algumas vezes. Mas pelo que vê a seguir, parece que essa "vitalidade quase eléctrica" não está relacionada com o humor.
(...) «Por muito que se queira ver estampadas no rosto as suas emoções, é quase impossível.»
Pelo contrário. Quando encontro um amigo parece instintivo ficar com um enorme sorriso. Também nota-se quando estou concentrado, preocupado ou zangado, mesmo quando não quero transmitir o que estou a sentir.
«Ele apresenta sempre um rosto inexpressivo e quase gélido. Os sorrisos são raros, no entanto absolutamente sinceros. Não fará um sorriso falso só para ganhar pontos ou ganhar um aliado.» (...)
Ora aí está uma descrição que todos os meus amigos negariam e até iriam rir-se se soubessem que alguém me descreve assim. Como já disse, quando encontro um amigo sorrio por instinto. A minha uma "vitalidade quase eléctrica" diz mais respeito ao humor. Com amigos próximos estou muitas vezes a rir, a dizer piadas, e até já cantei e fiz outras idiotices com eles, mesmo quando algo está a correr mal. É mais raro estar zangado, e até um colega de trabalho estranhou por duas vezes por estar calado (estava concentrado num trabalho moroso), pensando estar mal-disposto.
Tenho de confessar que já fiz sorrisos forçados; aqueles que me lembro: quando não recebi uma prenda esperada em criança e quando um professor disse-me para sorrir para uma foto, apesar de não querer. Também posso fazê-lo para não ofender alguém que não conheço (talvez inconscientemente).
«Normalmente o Escorpião rodeia-se de luxo.»
Pois: "normalmente". Parece que não sou a norma, neste caso. Até a minha secretária foi feita com uma tábua que serrei. Os livros, material de arte e o computador é o que tenho mais de mais luxuoso. Nem sequer interesso-me por roupa de marca (a maioria já tem alguns anos), e não gosto de gastar muito (apesar de gostar de dar prendas).
«Tem excessos na alimentação, bebidas e no amor.»
Os excessos na alimentação poderiam ser verdadeiros há vários anos. Mas não era excesso em hamburgers, fritos e doces. Desde criança que comia de tudo - comia até tomates à dentada - e as vizinhas ofereciam cabazes com vegetais e convidavam-me e aos meus pais às suas casas para servir de exemplo aos seus filhos. Mas nunca tive um "físico possante". Pelo contrário. Quem nunca me viu a comer pensava que comia pouco. Mas a certa altura comecei a ter sintomas de uma doença intestinal, e aí é que por vezes nem sequer conseguia comer e o meu peso desceu para menos de 40 kg.
Não bebo bebidas alcoólicas. Quando estive com amigos num Café um deles estranhou o facto de não beber cerveja com eles. Na Universidade recusei beber cerveja com uns colegas. Numa festa de anos com amigos, a maioria embebedou-se, e eu e uma outra pessoa que também se chama Pedro nem sequer bebemos álcool. Em restaurantes peço sempre água ou sumo natural.
Se o amor tem a ver com sexo, então não faço excessos em relação a isso: sou virgem. Se tem a ver com paixão: é verdade que já escrevi poemas a umas colegas de escola, mas não fiquei doente de amor.
Será um caso excepcional numa numa "ciência" que não devemos negar à partida só porque não a conhecemos? Ou o astrólogo Miguel de Sousa é incompetente? Qual será o "justificacionismo" para isso? Sou um mentiroso ou não julguei-me bem? Não negue à partida uma "ciência" que não é falseável. Com tanta seriedade científica até podem processar a NASA por interferir com um cometa. Acham que podem interferir nos cálculos astrológicos assim?
Sugestão: "Astrologia vs Astronomia", de Pedro Félix

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