24 Outubro, 2009

Modelos entre guerras - contra pessoas

(continuação do artigo anterior)

As conclusões de um artigo que Luciano comenta começam com uma secção intitulada como "Mundo de Alice". Referia-me às discussões semânticas de Alice com, por exemplo, o Chapeleiro Louco e Humpty Dump, que a confundem, em "Alice's Adventures in Wonderland" e "Through the Looking Glass and what Alice found there" [adquiri "The Complete Illustrated Works of Lewis Carroll", com ambas as histórias, por 10,95€ na Livraria Bertrand]. Esse título serviu de base para o título do artigo de Luciano: Pedro Amaral in Wonderland. No final ele responde aos meus artigos, mas dedica a maior parte do texto a descrever-me, inclusivé com especulações psicanalíticas («Não sei se é algum trauma de infância ou coisa do tipo» (...)] Comete até o que chama de Técnica da Leitura Mental.

Por exemplo, ele diz que tenho medo de responder no seu blog: «o Pedro vai, de novo, correr para o colo de seus amiguinhos, pois possui medo de vir a esse blog» (...) «se ele se traumatiza tanto quando eu refuto as expressões do livro do Carl Sagan» (...).

Como resposta à minha frase «Penso que Luciano, responsável pelo blog Neo-Ateísmo, Um Delírio, refugia-se em discussões de semântica ao invés de discutir o que existe e acontece de facto.», ele diz que é «apenas uma mentira» minha. Se o sentido literal da resposta dada fosse realmente o que queria transmitir, ele estaria a dizer que o que eu penso é mentira - mas suponho que foi apenas falta de atenção ou uma gafe ao exprimir-se. Mas, para além de parecer que me acusa de dizer falsidades intencionalmente, podemos verificar que tenho razões para pensar o que disse. O que Luciano discute nos seus quatro artigos é o significado e validade da expressão "a ciência corrige-se" (para além dos significados de "religião" e "pensamento" noutras discussões). Exemplos no primeiro deles:
  • «Essa turminha com certeza está com algum problema de interpretação básica de conceitos, e até com falhas graves no uso da linguagem estruturada.» (...)
  • «não tem a minima noção do que ciência significa» (...) «tipo de distorção do que significa “a ciência”» (...)
  • «dá mais a impressão de que tal pérola tenha sido escrita por algum disléxico» (...)
  • «Notaram que, por essas definições, é impossível que “ciência se corrija”?» (...)
  • «A definição de ciência segue a mesma de sempre.»
Para além de me acusar de prolixo, ele diz que entre os três artigos, só encontrei um único erro nos seus argumentos, na frase «seria impossível a ciência se corrigir, pois ela não estava errada», e que «boa parte da trilogia de "refutação"» fundamenta-se nessa frase e que apego a «essa frase, como se fosse o OURO para» mim, mas que para ele «não passa de MERDA», porque «os outros dois artigos justamente com uma nova abordagem, permitindo a retificação de pontas abertas do primeiro artigo».

Respondi a artigos que no total perfazem 15 páginas com 49550 caracteres:
Nos meus artigos que Luciano respondeu (mais uma página nos dois primeiros contando com as imagens):
  • ... p.3.1: 4 páginas; 12488 caracteres;
  • ... p.3.2.1: 5 páginas; 14569 caracteres;
  • ... p.3.2.2: 3 páginas; 8407 caracteres;
As respostas foram numeradas para que fossem referenciadas facilmente, tanto por mim, como nas críticas. Respondi à tal proposição (da frase que supostamente apego) em parte na primeira secção de p.3.2.2 (implicitamente) e no ponto 3 e em 4.b), de p.3.2.1. A totalidade dessa primeira secção, os pontos indicados e as citações iniciais nem fazem uma página inteira - tudo isso corresponde a cerca de 8% do conjunto dos artigos. Mas em todos os artigos indicados de Luciano está uma referência a esse argumento, geralmente associado ao argumento de que "ciência corrige-se" é uma falácia de composição:
  • parte 4) «Se um modelo matemático do sistema solar prevê um eclipse e não ocorre o evento, é evidente que o modelo está errado, mas não a ciência.» (...) «Só que isso é totalmente falso, pois na verdade o conjunto das teorias científicas é APENAS uma das partes da ciência.»
  •  parte 3) «É um absurdo afirmar que durante a rotina das vendas, ao se alterar uma oportunidade para “Dead ” (ou seja, alguém pensou que seria uma venda, mas não foi, que é o mesmo que o erro de uma teoria científica), isso implicaria em “O CRM errou e se corrigiu”. Claro que não se corrigiu, pois o sistema já está incorporando essa avaliação.»
  • parte 2) (...) «Popper escreveu “que ciência é uma das atividades humanas nas quais erros são sistematizamente criticados e corrigidos em seu devido tempo” e não “ciência é uma entidade que erra, se critica e corrige seus erros”.»
  • Ciência x Religião) «A ciência só poderia se corrigir se a ciência estivesse errada. Mas não estava. A definição de ciência segue a mesma de sempre.» 
Mas se não fosse assim, não seria legítimo mostrar um único um erro num argumento entre vários? Acho que em vez de insultar quem descobre os meus erros, por mais insignificantes ou irrelevantes que sejam para um argumento, eu devo dar valor devido à descoberta e a quem o descobriu, seja quais tivessem sido as suas intenções. Não desejo estar errado sem sabê-lo: pelo contrário. E os outros ajudam-me a descobrirem os erros.


Para concluir
No próximo artigo respondo às acusações de distorção e mostro como o sentido das minhas frases foram distorcidas. Será que vou ser acusado de me dedicar a responder às acusações feitas a mim? Luciano dedicou quase 3 páginas com 7733 caracteres do no seu artigo a dizer que sou assim-e-assado, incluindo a conclusão. Dedicou outras 2 páginas a responder aos meus artigos como "bizarrices", com 7399 caracteres, apesar de conter o mesmo espírito do resto do artigo. Há que aprender quais são os efeitos nos argumentos com os insultos que fazemos aos outros. E essa postura pode ser contagiosa.

Por exemplo, houve o hábito de ateus acusarem Luciano de censura, apagando ou editando comentários. Ele demorou a aceitar o meu primeiro comentário e removeu links de alguns comentários que enviei - mas acho que nunca os apagou nem os adulterou como dão a entender. É irrelevante, especialmente tendo em conta que estou a escrever aqui, neste blog. Luciano fez o mesmo em relação ao Que Treta!: «O meu blog anda recebendo muitas visitas» (...) «dedicarei as poucas horas que tenho disponíveis para blogar exclusivametne ao meu blog, e não virei mais cá, pois isso toma tempo.» (...) «As próximas respostas serão feitas diretamente em meu blog.» Mas não lhe acusei de ter medo por isso - seria irrelevante. Nuno Gaspar, num comentário, seguiu o exemplo de Luciano, afirmando que tocou-me «no nervo e» eu desatei «aos pinotes a arrufar referências avulsas e desconexas». Entretanto, as respostas aos meus argumentos ficam em segundo plano ou ignoradas. Proponho que mudem essa postura.

(continua)

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