As conclusões de um artigo que Luciano comenta começam com uma secção intitulada como "Mundo de Alice". Referia-me às discussões semânticas de Alice com, por exemplo, o Chapeleiro Louco e Humpty Dump, que a confundem, em "Alice's Adventures in Wonderland" e "Through the Looking Glass and what Alice found there" [adquiri "The Complete Illustrated Works of Lewis Carroll", com ambas as histórias, por 10,95€ na Livraria Bertrand]. Esse título serviu de base para o título do artigo de Luciano: Pedro Amaral in Wonderland. No final ele responde aos meus artigos, mas dedica a maior parte do texto a descrever-me, inclusivé com especulações psicanalíticas («Não sei se é algum trauma de infância ou coisa do tipo» (...)] Comete até o que chama de Técnica da Leitura Mental.
Por exemplo, ele diz que tenho medo de responder no seu blog: «o Pedro vai, de novo, correr para o colo de seus amiguinhos, pois possui medo de vir a esse blog» (...) «se ele se traumatiza tanto quando eu refuto as expressões do livro do Carl Sagan» (...).
Como resposta à minha frase «Penso que Luciano, responsável pelo blog Neo-Ateísmo, Um Delírio, refugia-se em discussões de semântica ao invés de discutir o que existe e acontece de facto.», ele diz que é «apenas uma mentira» minha. Se o sentido literal da resposta dada fosse realmente o que queria transmitir, ele estaria a dizer que o que eu penso é mentira - mas suponho que foi apenas falta de atenção ou uma gafe ao exprimir-se. Mas, para além de parecer que me acusa de dizer falsidades intencionalmente, podemos verificar que tenho razões para pensar o que disse. O que Luciano discute nos seus quatro artigos é o significado e validade da expressão "a ciência corrige-se" (para além dos significados de "religião" e "pensamento" noutras discussões). Exemplos no primeiro deles:
- «Essa turminha com certeza está com algum problema de interpretação básica de conceitos, e até com falhas graves no uso da linguagem estruturada.» (...)
- «não tem a minima noção do que ciência significa» (...) «tipo de distorção do que significa “a ciência”» (...)
- «dá mais a impressão de que tal pérola tenha sido escrita por algum disléxico» (...)
- «Notaram que, por essas definições, é impossível que “ciência se corrija”?» (...)
- «A definição de ciência segue a mesma de sempre.»
Respondi a artigos que no total perfazem 15 páginas com 49550 caracteres:
- Ciência X Religião...: 3 páginas; 11429 caracteres;
- A difícil arte de dialogar... Parte 2: 3 páginas; 10185 caracteres;
- A difícil arte de dialogar... Parte 3: 4 páginas; 11115 caracteres;
- A difícil arte de dialogar... Parte 4: 5 páginas; 16821 caracteres;
- ... p.3.1: 4 páginas; 12488 caracteres;
- ... p.3.2.1: 5 páginas; 14569 caracteres;
- ... p.3.2.2: 3 páginas; 8407 caracteres;
- parte 4) «Se um modelo matemático do sistema solar prevê um eclipse e não ocorre o evento, é evidente que o modelo está errado, mas não a ciência.» (...) «Só que isso é totalmente falso, pois na verdade o conjunto das teorias científicas é APENAS uma das partes da ciência.»
- parte 3) «É um absurdo afirmar que durante a rotina das vendas, ao se alterar uma oportunidade para “Dead ” (ou seja, alguém pensou que seria uma venda, mas não foi, que é o mesmo que o erro de uma teoria científica), isso implicaria em “O CRM errou e se corrigiu”. Claro que não se corrigiu, pois o sistema já está incorporando essa avaliação.»
- parte 2) (...) «Popper escreveu “que ciência é uma das atividades humanas nas quais erros são sistematizamente criticados e corrigidos em seu devido tempo” e não “ciência é uma entidade que erra, se critica e corrige seus erros”.»
- Ciência x Religião) «A ciência só poderia se corrigir se a ciência estivesse errada. Mas não estava. A definição de ciência segue a mesma de sempre.»
Para concluir
No próximo artigo respondo às acusações de distorção e mostro como o sentido das minhas frases foram distorcidas. Será que vou ser acusado de me dedicar a responder às acusações feitas a mim? Luciano dedicou quase 3 páginas com 7733 caracteres
Por exemplo, houve o hábito de ateus acusarem Luciano de censura, apagando ou editando comentários. Ele demorou a aceitar o meu primeiro comentário e removeu links de alguns comentários que enviei - mas acho que nunca os apagou nem os adulterou como dão a entender. É irrelevante, especialmente tendo em conta que estou a escrever aqui, neste blog. Luciano fez o mesmo em relação ao Que Treta!: «O meu blog anda recebendo muitas visitas» (...) «dedicarei as poucas horas que tenho disponíveis para blogar exclusivametne ao meu blog, e não virei mais cá, pois isso toma tempo.» (...) «As próximas respostas serão feitas diretamente em meu blog.» Mas não lhe acusei de ter medo por isso - seria irrelevante. Nuno Gaspar, num comentário, seguiu o exemplo de Luciano, afirmando que tocou-me «no nervo e» eu desatei «aos pinotes a arrufar referências avulsas e desconexas». Entretanto, as respostas aos meus argumentos ficam em segundo plano ou ignoradas. Proponho que mudem essa postura.
(continua)

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