"In which"
«The history of science, like the history of all human ideas, is a history of irresponsible dreams, of obstinacy, and of error. But science is one of the very few human activities — perhaps the only one — in which errors are systematically criticized and fairly often, in time, corrected.»Num artigo eu tinha escrito que "in which" significa "cujos". Luciano, como resposta no seu blog, disse que eu estava errado - «a tradução correta», de parte da segunda frase, é: «Mas a ciência é uma das raras atividades humanas – talvez a única – em que erros são sistematicamente criticados…». Ele apresentou uma tradução correcta e é verdade que cometi um erro, mas não apresentou uma explicação, optando a via da ofensa com: «sendo direto e sem ser prolixo, fica tudo mais fácil». Apresento um exemplo de como acho que Luciano deveria ter respondido.
a) Como é que deveria estar se o sentido fosse o mesmo que "cujos"?
Se significasse "cujos", em vez de "in which", deveria estar "of which" ou "whose". "Cujo" é equivalente a "dos quais", "do qual", "das quais" e "da qual", consoante o número e género, e "de que" e "de quem". Portanto, a palavra é um pronome relativo que indica posse. [Wikcionário; Ciberdúvidas; Língua Portuguesa; Gramática on-line] A palavra "whose" também é um pronome relativo que indica posse, com antecedente e consequente, e é equivalente a "of which". [dictionary.com; Grammar Quizzes; Wikibooks]
b) O que significa "em que"?
O termo é equivalente a "no qual", "nos quais", "na qual" e "nas quais", consoante o número e género, e
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Metáfora
Tinha cometido outro erro quando disse que "Ciência corrige-se" não é uma metáfora. Pareceu-me fazer sentido, depois ter escrito um artigo em que dou exemplos de acções atribuídas a seres inanimados. Mas lembrei-me que muitas vezes li sobre natureza como uma personificação (por exemplo, Charles Darwin no 3º capítulo de Origem das Espécies disse que é «muito difícil evitar personificar o nome "natureza"»). Pensei que dizer que "Ciência corrige-se" não é uma metáfora só faria sentido se o acto de corrigir fosse entendido como uma abstracção no mesmo nível - aparentemente não é o caso da natureza.
Tinha enviado uma mensagem no site Ciberdúvidas, em que pergunto se "o método corrige" e "a ciência corrige-se" são metonímias. Não recebi uma notificação para ler a resposta, mas depois de me ter lembrado do exemplo da natureza, procurei por ela e encontrei-a. "O método corrige", "a ciência corrige-se" e "a filosofia corrige-se" são uma metonímias, «porque se referem as pessoas que corrigem pelo instrumento que lhes permite a correcção», sendo que a «relação é de contiguidade, embora aqui o espaço considerado seja mental e comunicacional». Os dois últimos casos são também personificações. Mas nesses três casos «a metonímia faz parte dos próprios meios de representação do discurso corrente, pelo que podemos aqui falar de uma metonímia fixada no próprio sistema linguístico» - catacreses.
Exemplos de catacreses: "pernas da cadeira", "cabeça do alfinete", "dente de alho" (bulbilho), "dentes do serrote", "pele do tomate", "leito do rio", "asa do vaso", "árvore genealógica", "macaco do carro", "pé-de-cabra", "céu da boca", "planta do pé", "raiz do dente", "vinagre de maçã", "marmelada de laranja", "corpo do artigo", "casca do pão", "folha de papel", "trânsito engarrafado", "azulejo amarelo" (azulejo: peça de decoração azul), "embarcar no avião", "aterrar em Marte", "bolsa de valores", "nicho do mercado", "valor líquido", "rato do computador", "raízes da equação", "quadrado de um inteiro", "raiz quadrada", "número primo
A metáfora do software que eu tinha apresentado revela o meu erro. Apesar de na nossa linguagem estarem embutidas acções atribuídas a programas informáticos e ao software, na realidade os dois não fazem literalmente essas acções. Isso é mais claro nos programas. Vejam essa imagem. As instruções dos programas são armazenadas nas memórias secundárias (disco-duro, CDs, DVDs, etc) e transferidas para a memória primária (RAM) antes de serem executadas pelo CPU. Atribuímos acções a programas - ou associamos verbos aos programas como sujeitos de orações - através daquilo que o hardware faz, como formas de catacreses. As entidades e eventos que atribuímos a imagens no monitor são metafóricas - são só imagens, como um reflexo num espelho (nós não somos o reflexo). Dizer que um programa faz algo corresponde aos "acontecimentos" representados pelas imagens e outros eventos do hardware (como a ejecção do leitor de CDs e som das colunas), mas na realidade não passa de instruções que são representadas nas memórias, cujos sinais, que representam de outra forma as tais instruções, são passados para CPU, que afecta o hardware restante... Mesmo dizer que as instruções são armazenadas na memória é tão correcto como dizer que se escreveu uns números numa folha: os números são abstracções. Num papel só podem estar as suas representações.
(continua)

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