30 Outubro, 2009

Modelos entre guerras - tornar-se o inimigo (nas respostas)

(continuação do artigo anterior)
«Em tudo, te dá por exemplo de boas obras; na doutrina, mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós.» (Tito 2:6-8)
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Neste artigo respondo a "Bizarrices do artigo [2]" e mostro exemplos do tipo de respostas que Luciano deu a p.3.2.1 ao longo do seu artigo. Os pontos das suas respostas estão numeradas entre parênteses rectos - por exemplo, [2] é o 2º ponto, que começa com «Aqui uma parte engraçada». [1] já foi respondido no artigo anterior. Referências com alíneas são para o artigo que ele responde - por exemplo, 2.b) começa com «A Ciência não é o mesmo que as acções dos cientistas ».
  1. Eu: [2.b)] «É uma actividade e uma abstracção, concebida por humanos, do que chamamos “fazer ciência” (tal como a Arte abstrai o que chamamos “fazer arte”; aplica-se à Filosofia, Religião, Desporto, Arte, …). [Wikipedia; Free Inquiry; University of Rochester; The University of Georgia; The Scientist]»
    Luciano: [2]
    (...) «“ah, outros fizeram, então tudo bem, certo?”. Justificativa infantil.» sobre 2.b)

    Comentários:

    Suponho que refere-se às expressões "fazer ciência", "fazer filosofia" (ou "filosofar"), "fazer religião", "fazer arte", "fazer desporto", "fazer culinária", etc. e que critica as referências a sites de faculdades de ciências, de ciências e Wikipedia. Como se procura definir se expressões são apropriadas, considerando que são instrumentos inventados por humanos?



    Reparem que existem excepções à falácia ad populum (apelo à popularidade), nomeadamente quando se trata de meras convenções. E o simples uso de palavras com significados que não correspondem à norma, desde que se perceba, não pode ser falacioso (nem é um argumento). [Fallacy Files; PDF: Why Is The Ad Populum A Fallacy?]

    Disse que suponho que a crítica é em relação àquelas expressões, porque Luciano, duas vezes no seu artigo, chama a Ciência de «abstração humana» e ele próprio tinha escrito: «Ciência, como um todo, é o corpo de conhecimento adquirido com a prática científica. Ciência, na visão do profissional cientista, é a atividade profissional de pesquisa científica.» Mas, afinal de contas, as actividades são feitas (ou praticadas). E o conhecimento é feito (fazer ciência contribui para o conhecimento científico). Por isso, qual é o problema?

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  2. Eu: [3.c)] «"Ciência corrige-se" não é uma metáfora.»
    Luciano: [3]
    (...) «O problema para ele é que, se ele for específico assim, terá que escrever: “Filósofos da ciência atualizam o corpo de conhecimento, Cientistas atualizam as teorias que são os produtos de trabalho”, ou algo do tipo. Se quiser usar o “ciência sorrige-se”, ele pode, mas sem valor argumentativo algum.»

    Comentário:
    [consultar 1.)a, 1.d), 2.d) no artigo que Luciano responde.]

    Actualizar não é o mesmo que corrigir, nem sequer melhorar. Actualizar é tornar actual, modernizar. Corrigir é remover um erro. [1, 2; 3, 4; 5; 6] Eu não tinha mencionado actualizações: tinha escrito sobre correcções, servindo-me como exemplo os correctores ortográficos. E notem que ele apenas serviu como exemplos a Filosofia e a Ciência, sem usar a Religião como exemplo (que é o que ele tinha colocado em questão: «o artigo que ele tentou refutar falava JUSTAMENTE desse falso conflito ciência X religião»).

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    Citando Luciano: (...) «o sistema já está incorporando essa avaliação. O sistema é justamente para existir essa avaliação.» Comparem com as ilustrações [1] e [2], sobre o método hipotético-dedutivo (ou científico). Diz-se que uma entidade abstracta corrige-se se tem um método com um sistema de correcção incorporado que é aplicado nas ideias que pertencem à entidade. Posso usar a expressão "incorpora uma avaliação para correcção" se a expressão "corrige" não é aceite (tabu?), para dizer o mesmo, apesar de ser mais longa.

    Se todas as actividades definem-se com esse tipo de avaliação incorporada, então conclui-se que são todas auto-correctoras e que afinal a expressão em questão não é vaga. Se pensarem que por ter indicado essas características estou a concluir que uma ou mais actividades não se corrigem, nesse caso os próprios é que chegaram a essa conclusão, e conclui-se também que a expressão em questão não é vaga, já que foram capazes de discernir uns casos dos outros.
    O que quer então dizer "sem valor argumentativo algum" para aquilo que escrevi?

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  3. Luciano: [4] «Ele não notou, provavelmente que o primeiro “processamento” estava entre aspas (pois me referia ao “processamento” tratado pelos profissionais TÉCNICOS de informação). » (...) sobre [p.3.2.1 2].

    Comentários: (comparar com 6. deste artigo)
    No contexto da discussão, eu introduzi "processamento" no contexto de um computador, como metáfora do método científico, e Luciano responde-me dizendo que usou "processamento" como tivesse outro significado. Além disso em 2.c) eu tinha escrito: «cometi um lapso ao ter comparado o processamento de um programa com um método». O método não é o próprio acto em si, tal como um programa não é o próprio processamento. Por que é que Luciano disse que provavelmente não notei se uma palavra estava entre aspas, e que interesse isso tem como resposta?

    Noto que Luciano não deu uma resposta à metáfora para o método científico, optando por dizer que provavelmente não percebi que havia aspas, que o meu problema é que filósofos e cientistas actualizam o corpo de conhecimentos e teorias, e fazendo pouco dos desenhos. No entanto, ele tinha apresentado uma metáfora parecida: o conjunto de teorias é um almoxarifado e o método, metodologia, instituições e regras são o cérebro. Nesta imagem, C é o "almoxafirado", M é o "cérebro" e P é a Ciência.. Mas o almoxarifado pode estar na memória, o que chama de cérebro ser a actividade cerebral, que manipula a memória, e a Ciência é a mente (os dois) - daí as metáforas através de pessoas, robôs [fig.3] e software

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  4. Luciano: [5] «Aí em seguida ele segue trazendo várias definições de ciência que são ÓBVIAS, não foram negadas por mim, e não refutam nada do que escrevi. Irrelevante, de novo.»

    Comentário:
    Não percebo a que se refere. Os ítens a seguir ao que respondeu logo anteriormente é sobre a metáfora.
    b) «O software é de origem humana e também é um modelo» (...);
    c) «Correcção: cometi um lapso ao ter comparado o processamento de um programa com um método» (...);
    d) «Comparação com software (metáfora)» (...);

    No entanto, julgo que tenho o direito de colocar definições nos artigos e que a aceitação delas por Luciano não é algo negativo para que sirva de argumento.

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  5. Luciano: [B2 6] «Ué, é “inerente à ciência” ou é “a ciência”? Ele somente me refutaria se fosse “a ciência”.»

    Comentários:
    Bastava citar-me isso: «O resultado dessa avaliação é uma correcção, inerente ao método científico e, por sua vez, à Ciência.”.»
    Portanto, se disser que "X corrige-se" é falso ou um equívoco, para ser refutado têm que mostrar que "X é uma correcção"? Se referiu-se à avaliação: têm que mostrar que "X é uma avaliação? Corrijo-me, logo sou uma correcção ou uma avaliação?

    Inerente significa
    que é uma propriedade essencial (inseparável, indispensável, necessário). [1; 2; 3] Exemplos: «a morte é inerente ao ser humano», «os erros são inerentes à aprendizagem», «os deveres são inerentes ao cargo».

    Foi omitido do ponto, que antecede a frase citada: «Os mesmos mecanismos que avaliam as hipóteses, para serem promovidas a teorias, também avaliam as próprias teorias, consideradas verdades estabelecidas. Do processo de avaliação, podem ser encontrados erros e daí as teorias serem modificadas ou removidas como obsoletas da sua posição» (...) [ilustrações: 1, 2] Quer dizer, seguindo método científico, o que permite detectar erros nas hipóteses, permite as teorias serem corrigidas. É uma consequência necessária da sua implementação generalizada, seja por humanos ou máquinas: a avaliação e correcção são inerentes ao método científico e à Ciência.

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  6. Eu: [p.3.2.1 2.a)] «Diz-se que um método «corrige a postura e realinha a musculatura» ou «constrói desdobramentos mais bonitos», mas nunca se diz que uma receita faz bolos. E, de novo, não refutou-me.»
    Luciano: [B2 4]
    (...) «o sujeito só escreveu aquilo que eu já tinha escrito, só que com outras palavras.»

    Comentários:
    Noutras ocasiões ele tinha escrito: «E você erra ao falar “o método corrige”. Errado. O método não se corrige.» [link] (...) «“método corrige-se” ou “metódo corrige”. Na verdade, quem corrige são humanos, que APLICAM o método, no segundo caso.» [link]
    Portanto, onde é que ele tinha já dito o que me citou por outras palavras?
    E o que quer dizer exactamente com "não refutou-me"?

    Noto que usei citações, inclusivé de Karl Popper, onde são atribuídas acções a métodos. Luciano também faz o mesmo para outras entidades; exemplos: «A ciência já prevê que esse almoxarifado»; «Ciência não diz nada nesse assunto» [p.4]; «o sistema já está incorporando essa avaliação.» [p.3];

 (continua)

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