08 Novembro, 2009

Modelos entre guerras

Com a série respondi a todos os pontos indicados no artigo "Pedro Amaral in Wonderland". Deixo um resumo:
  • Introdução: [contra pessoas]
    • Cerca de 5/3 do artigo de Luciano dedica-se quase exclusivamente a ataques pessoais com "leituras da mente";
    • Luciano acusou-me de dedicar "uma boa parte da triologia" a apegar-me a uma frase. Que é discutida explicitamente e implicitamente em cerca de 8% nessa "triologia";
    • Devemos aprender com os efeitos dos insultos [tema da série];

  • Bizarrices do artigo [1]:
    1. Os primeiro artigo era quase exclusivamente sobre significados de termos, que foram atribuídos por Luciano, que é preciso conhecê-los para perceber que a ciência e religião não estão em conflito, e os "neo-ateus" não percebem esses termos. Cerca de 72% dedica-se a discutir a expressão "ciência corrige-se", que é o que os outros artigos dedicam-se exclusivamente. Nas próprias respostas Luciano reforça a importância dos significados. [img4; diálogos difíceis; não mostrou]
    2. - Tinha respondido que não faz sentido dizer que a Política vence e derrota a si mesma, notando que esses verbos implicam uma competição do sujeito em relação a adversários, que é o caso entre partidos e entre exércitos. E só faz sentido dizer que um grupo X vence Y e derrota Y, se os membros de X em geral cooperem entre si para isso e Y for diferente de Y. Por isso, não faz sentido dizer que algo venceu a si mesmo derrotando-se.
      - Não faz sentido a Política substituir a si mesma porque não há meio de distinguir entre substituir-se e não substituir-se. Só faz sentido dizer que X substitui Y, se e só se X for diferente de Y.
      - É irrelevante se as entidades são ou não são "maiores". O que interessa é as propriedades em questão. Nunca faz sentido dizer "X vence derrotando X, substituindo X", seja qual for X. [img1; não mostrou; diálogos difíceis]
    3. Tinha dito que Luciano com o exemplo da Política, atribuía-me a defesa de uma falácia de composição, mas que não é o caso. Notei que apesar disso, existem excepções, servindo a côr da cadeira, um risco do livro, uma decisão do ministério, a votação do povo e a decisão de um júri como exemplos, e tinha já dado como exemplos os partidos e exércitos. Luciano respondeu-me fora do contexto, dizendo que nele eu respondia ao seu modelo, e não demonstrou a importância da condição de "entidade maior".  [img2; fora do contexto]

  • Bizarrices do artigo [2]: [tornar-se o inimigo (nas respostas)]
    1.  Posso escrever sobre um ou mais pormenores de quaisquer artigos e sobre os assuntos que bem entender. Quem pretende responder a trechos de artigos, mas responde a outra coisa, é que foge dos assuntos. Quem me atribui o que eu não disse, prepara homens-palha. Se consegui responder a trechos dos artigos, mas não abordam os assuntos pretendidos pelo autor, então o problema está nesses trechos. Leiam os textos que são criticados e verifiquem corresponde realmente ao que é criticado. [img1; não mostrou; diálogos difíceis]
    2. Quando se trata de convenções, e se admite-se que existem meios de responder aos problemas que tratam, os meios para isso é a autoridade e a popularidade. Por exemplo, se estudiosos de literatura usam a expressão "a literatura produz" como tendo um sentido e ela é popular, então é legítimo usar essa expressão.
      Os cientistas usam a expressão "fazer ciência", que é popular e compreendida. A ciência, como qualquer actividade, faz-se (ou pratica-se).
    3. Se um artigo não discute um assunto, como um suposto conflito entre ciência e religião, então é uma fuga do assunto e um homem-palha apresentar uma resposta como se tivesse feito. O que escrevi não é verdadeiro nem falso se todas as actividades corrigem-se. Actualizar não é o mesmo que corrigir. Luciano não apresentou um exemplo de correcção da religião.
    4. Se provavelmente não notei aspas ou não é irrelevante se isso não se reflecte nas respostas que apresento. Fui eu que introduzi o termo "processamento" como analogia, por isso uma resposta devia ser segundo os seus termos. Eu tinha dito que tinha cometido um lapso ao relacionar o processamento de um programa com o método, por isso a resposta de Luciano é irrelevante.
      Luciano nunca defendeu a atribuição de acções ao método científico, pelo contrário, dizendo que o método não corrige.
    5. Luciano disse que coloquei definições de ciência que são óbvios de pois de um ponto onde não existem quaisquer definições.
    6. Segundo Luciano, só o refutaria (no quê?) se a correcção fosse a ciência. Não percebo se leu bem o trecho que citou ou se não sabe o que significa "inerente".

  • Bizarrices do artigo [3]:
    1. As analogias que fiz não são sobre juízos de valor. Usei as palavras "bom" e "mau" por serem opostas e para mostrar exemplos de implicações sobre o que Luciano disse sobre "corrige-se" e "evita correcções". O que interessa é os termos serem opostos. X é oposto de Y. "Não X, quer dizer que Y", "não faz sentido dizer que não X, nem Y", "se alguns Y, então X" não implicam juízes de valor. Tinha também dado como exemplo "condena" e "salva" (mas também pode ser "evita condenações"). [img3; fora do contexto; diálogos difíceis]
    2. O mesmo que Bizarrices do artigo [2] 1.
    3. É verdade que "in which" não significa "cujos", mas "em que", "nos quais", "nas quais", "no qual", "na qual" e "onde". [correcções de português]
    4. Não abordei o criacionismo como assunto. O assunto em questão é as distorções do meu texto por parte do Luciano, e num desses textos discute-se se o criacionismo faz parte da ciência. O Luciano é que fugiu do assunto para voltar a essa discussão, citando apenas contextualização do que escrevi. A questão é se se eu defendi que jogar xadrez implica ser campeão de xadrez, como ele sugeriu.
      Para o criacionismo ser uma teoria científica, seria preciso ser suportado pelo método. Não é o caso. No entanto Luciano disse várias vezes que faz parte da ciência e no artigo passou a afirmar que disse é uma má teoria científica, por não ter seguido o método científico. [img2; fora do contexto; definições (condições necessárias)]
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Na série não respondi apenas ao artigo de Luciano. O objectivo é mostrar como ele responde para que se veja ao espelho e para que os nossos leitores tenham atenção a isso e que evitem comportarem-se como ele. Pelo menos que ele perceba que é muito grosseiro e agressivo, o que poderá afectar como lê e responde, e que o que critica dos outros aplica-se a si mesmo. Coloco alguns exemplos e algumas respostas referidas nesta série:
  1. Luciano: «Notem o que o sujeito escreveu: "Algo é inválido, pois depende de extensa justificação"». Nunca escrevi isso nem algo similar. Eu tinha escrito: «Segundo Luciano não mostrei que» (...) «não faz sentido, porque "a interpretação dependeria" "de uma extensa justificação"»

  2. - Eu: «Segunda as definições que deste, para ser ciência é preciso ser ou derivar de "práticas e pesquisas que tenham sido suportadas pelo método científico"» (...) «Dizer que o criacionismo faz parte da ciência é fazer como uma astróloga portuguesa chamada Maia que dizia "Não negue uma ciência que desconhece", ou como uns astrólogos africanos que dizem ser grandes cientistas. Ou como dizer que sou um campeão de xadrez só porque jogo xadrez.»
    - Luciano: «Na boa, vcs são ruinzinhos de analogia hein. Jogar xadrez não implica em campeão de xadrez, mas sim em ser um enxadrista. Vc pode ser um enxadrista amador... O criacionismo é ciência de amadores. Já foi substituido pelo design inteligente.»

  3. Luciano: «O que é um CAMPEÃO de xadrez? É o mesmo que uma teoria que VENCEU dentre outras teorias... Por isso que o meu exemplo segue incólume. Pois eu disse que o criacionismo não ‘venceu’ nada, e o darwinismo ‘venceu’…»

  4. Há uma falácia de anfibologia que confunde o sentido vulgar de "teoria" com o epistemológico, que é chamada de "a teoria da evolução é só uma teoria". Eu disse que seria uma distorção do argumento "teoria da evolução dos talheres" dizer o Sabino defende a falácia anterior e que a AnswersInGenesis já refutou-a desincentivando-a. Luciano  negou que é uma falácia e que o problema é meu se eu não a sei responder com algo como: «sim, é só uma teoria, mas é uma teoria que É VÁLIDA, e a sua não é».

  5. Segundo Luciano, o criacionismo e memética são teorias científicas ou fazem parte da ciência, apesar de não serem suportadas pelo método científico. Depois disse que o criacionismo é uma má teoria científica, porque não passou o método científico.

  6. "Não X, quer dizer que Y", "não faz sentido dizer que não X, nem Y" - segundo Luciano, se X e Y forem "ser bom" e "ser mau", as frases referem-se a juízos de valor e são falsas analogias como contra-exemplos a frases onde X e Y sejam "corrige-se" e "evita correcções".

  7. Luciano: (...)
    a) «o pessoal que tratou da memética é relaxado. Isso implicaria, na aplicação do modelo, em ter que dizer: “ciência é relaxada» (...)
    b) (...) «“os teóricos do aquecimento global não aceitam correção” tem que ser transformada em “ciência não se corrige»
    c) (...) «eu não acho que ciência se corrige, e nem evita correções»
    Contra-exemplo: "Ele teve aquele deslize, mas é boa pessoa"
    Resposta de Luciano: «não serve como exemplo, pois ter um deslize não implica em não ser boa pessoa. a analogia seria válida se fosse ‘ele teve deslizes e ELE NUNCA TEVE deslizes’ na mesma sentença.»

  8. Cerca de 72% de "Ciência vs Religião: um retardo" dedica-se a discutir a expressão "ciência corrige-se". No restante declara que a ciência é uma actividade profissional expressa fisicamente e que a religião é uma prática espiritual não-profissional. Mas mostra como esses atributos levam a concluir que a ciência e religião não podem estar em conflito.

  9. Os textos de Luciano são disputas de significados atribuídos a termos em frases do que ele propõe responder. Daí ser inadmissível que se diga que a Ciência tem erros ou que a Literatura produz registros da linguagem.

  10. Luciano comparando um argumento sobre "ciência corrige-se" com exemplo em que a Política vence derrotando-se substituindo-se. Num trecho apresentei o Universo, a Política e a Culinária como exemplos para mostrar que não é por ser uma entidade maior que não faz sentido dizer que a Política vence e derrota-se e substitui-se. Luciano, a isso, "respondeu" que não adianta "citar" o exemplo "de uma ferida que cicatrizou" e "o braço se curou", porque o braço não é uma entidade maior nem uma área de conhecimento.

  11. Não é possível vencer e ser derrotado no mesmo contexto, porque as duas acções são opostas.

  12. Não é possível substituir a si mesmo. O substituído perde uma propriedade ao ser transferida para o que o substitui.

  13. É um non sequitur dizer que a transitividade de uma propriedade não se aplica a uma entidade por ser a maior.  Na falácia da composição ser o maior não é uma excepção à regra e entidades maiores têm partes com propriedade transitivas, as indivisíveis é que não.
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Para consultar os artigos e comentários que referi, notei hoje que parece que o Luciano tem estado a ler o meu blog, pois publicou um novo artigo para responder a um dos meus. Tem as características que tenho exposto na série, mas pelo menos colocou no final algumas sugestões. Lá encontramos expressões como: «apelar à minha piedade», «sua eterna tentativa de sofística», «seus “duplos” aparecem para postar seus textos aqui», «tenta impor um ardil»,«tenta defender ardorosamente a sua idéia de que ciência X religião», «COMPONENTE DE AUTO-AJUDA que os gurus neo ateus», «Pedro segue, fanaticamente», «cerebrinhos vulneráveis como os de Pedro Amaral», «sua eterna tentativa de validar os seus gurus», «Como Pedro sabe que não vai tentar conseguir», «lembrem-se que o cerebrinho dele foi lavado, portanto sem a falsa dicotomia ciência X religião, as muletas dele são quebradas», «estratagemas do Pedro», «o máximo que ele consegue é implementar erística ou sofística», «Foi uma edição, feita por adversário desonesto», «qualquer um que não é retardado consegue perceber», «qualquer pessoa com um QI no mínimo mediano já teria entendido», «todo o cirquinho dele de analogias», «o mesmo aviso que já dei aos amiguinhos dele», «Ô Pedro, burrinho», «Pedro irá fingir que eu não escrevi isso». Comparem com o que ele diz ser "leitura de pensamento" e quando acusa os outros de serem mal-educados e anti-sociais.

O artigo dele tem 15914 caracteres para responder a um artigo com 7575, incluíndo citações, «"(continuação do artigo anterior)"», "(continua)", referências e símbolos para estruturar o texto. Retirando as citações, o artigo dele tem 9244 caracteres e o meu tem 4422. Nos dois casos, o meu artigo é cerca de metade do tamanho. Se alguém fizer acusações, verifiquem realmente se é verdade, nem que façam contas, como no caso do prolixo. E pensem se elas são importantes, mesmo se fossem verdade (Schopenhauer também era prolixo...).


Deixo também umas sugestões dirigidas ao Luciano, que deve estar a ler este artigo:

  1. Nunca faça ataques pessoais se não fazem parte do argumento, e nunca atribua termos preconceituosos. Releia os seus artigos publicados e siga os seus próprios conselhos, especialmente sobre o que chamas de "estratagemas". Tu és um modelo para os leitores.

  2. Procure identificar quem são os objectos ou destinatários de um argumento e o que é argumentado. Se é só para respondê-lo, não o faça para além do que lá está, mesmo que conheça quem argumenta ou saibas que contra-argumenta contra uma parcela de um texto. Se o fizeres, tu é que estás a fugir ao assunto e a complicá-lo.

  3. Antes de dizer que alguém disse algo, tenha o texto com as suas palavras ao lado ou ouça-o, cite-os e coloque referências onde você estiver a responder. Recorrendo apenas à memória eleva o risco de enganos e não ajuda a verificarmos as alegações.

  4. Os sofistas tinham o hábito de fazer jogos de palavras, tinham o poder da palavra. Mas num debate lógico, entende-se que as palavras convenções e podem ser substituídas por incógnitas para a estrutura ser estudada. Use os termos com os significados atribuídos pelos adversários se pretende ter um debate lógico, ao invés de semântico. Siga o seu conselho: pergunte-os. Fiz perguntas sobre as suas definições no Que Treta!, tal como no seu blog, e deixou de respondê-las para fugires do assunto, com insinuações e para discussões semânticas sobre a palavra "religião". Qualquer um pode lá verificar.

  5. Para discutir sobre um grupo, as suas ideias e usar os seus termos, leia o que os seus membros escrevem, assista os seus vídeos, fale e escreva com eles. Por exemplo, sabe o que significa "criacionismo" e "design inteligente"?

  6. Pergunte a diversas pessoas arbitrariamente que não tenham lido o seu blog se o criacionismo é suportado pelo método científico e porquê. Supostamente o divino, transcendental, sobrenatural e sagrado são do domínio espiritual. Pergunte também se o criacionismo não foca no trabalho espiritual e porquê. Pergunte a criacionistas porque é que defendem o criacionismo.

  7. Pergunte a cientistas o que é uma teoria científica, qual é a distinção entre teoria e hipótese, se o criacionismo é uma teoria científica e porquê. Faça as mesmas perguntas a criacionistas. [dicas: Projecto Ockham; Wikipedia; Espaço Científico Cultural; Jornal da Ciência; ]
Pergunte aos outros como entendem os seus textos. Só depois diga que outros são desonestos e cometeram fraude. E chame burrinho a todos os que não aceitam as suas terminologias.

Cumprimentos

(fim)