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12 junho, 2010

Objectivo, relativo, absoluto, subjectivo

¶1 Se a lógica depende da palavra, isso não implica que um logicista tenha o dom da palavra, como um retórico. Pode ter todos os conceitos necessários para um problema e conseguir relacioná-los de modo a representar todos os passos até chegar a uma conclusão, como jogadas de xadrez, mas não conseguir expressar-se de forma adequada para outros. E há quem saiba convencer, mas infelizmente só conhece dois conceitos e uma forma de os relacionar. Assim chega-se à ideia de que objectivo é essencialmente o mesmo que absoluto e que opõe-se ao subjectivo. Pode usar as quatro palavras "absoluto", "objectivo", "relativo" e "subjectivo", mas tem apenas dois conceitos delas e apenas uma relação entre eles ao torná-los todos contraditórios. Todos nós temos esse género de limitações que podem ser ultrapassadas. Procuremos ultrapassá-las, nem que seja um pouco, num tema que tem dado pano para mangas: a moral.

¶2 Uma palavra pode ter vários significados. Tomemos a palavra "moral". O significado de "moral" em "o moral dos soldados" não é o mesmo que em "a moral da história", que por sua vez não é o mesmo que "a moral católica", que por sua vez não é o mesmo que "Hitler era moral". Essa palavra terá muitos outros significados fora da convenção e do uso vulgar, que a experiência moldou com a intuição. No contexto deste artigo, se dizem que há uma moral de Hitler, aceitam que é legítima e correcta (ética normativa). Se, por exemplo, determina que o genocídio é bom, então aceitam que assim é. A moral é o que determina (correctamete) se um comportamento é bom ou ou mau e é isso que se discute quando se fala em moral e dizem que é objectiva, absoluta, imutável e universal. Não nos façamos de parvos como se significasse regras de conduta de uma sociedade, grupo ou indivíduo, referindo-se apenas a um relativismo descriptivo.

¶3 Se a moral não é questão de opinião, mas de razão, a distinção entre o moral do imoral não pode ser apenas porque sim - dito de outra forma: porque é verdade. x porque y é equivalente a y então x. «"x é bom" é verdadeiro então "x é bom"» é uma tautologia que não acrescenta nada nem explica como é que se identifica o que é bom. Se a ideia é que a intuição dá-nos a resposta, então podemos ter respostas contraditórias de pessoas diferentes, com intuições diferentes, e assim a moral não é diferente de meras opiniões. Se é a razão que nos dá a resposta, uma teoria ética pode explicar a distinção entre o moral e o imoral com passos lógicos que formem um argumento. Existem várias teorias, como a Teoria dos Mandamentos Divinos, o Kantianismo, o Utilitarismo, o Contractualismo, o Colectivismo e o Objectivismo. Quem participa em discussões sobre ética, pelo menos como amador, sabe que defensores da Teoria dos Mandamentos acusam outras teorias de serem relativas ou subjectivas e, portanto, são meras opiniões ou convenções. Parece que o cerne da crítica está nos conceitos que têm de "relatividade", "subjectividade", "absolutividade" e "objectividade", por isso é neles que foco neste artigo.

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¶4 Qual é a posição do ponto y? Se estiver no ponto x, posso responder: «3 unidades para a direita e 1 unidade para cima» (tomando os lados dos quadrados como uma unidade). Estando no ponto x, podia dizer que do canto superior esquerdo A fica: «3 unidades para a direita e duas unidades para baixo». Do ponto fica: «2 unidades para baixo e 1 unidade para a esquerda». Todas as respostas estão correctas, apesar das coordenadas serem diferentes. Mas é claro que existem respostas erradas: «do ponto A, y fica 1 unidade à direita e 2 para baixo» é falso. A verdade sobre uma posição depende de um referencial (ex: em relação ao ponto x), por isso é uma verdade relativa - um proposição que é verdadeira consoante o contexto.

¶5 Por exemplo, «está a chover» é verdadeiro ou falso consoante o lugar e o tempo. O valor de verdade de «está frio» depende do tempo, do lugar e de uma referência (é uma comparação implícita). Em «sinto frio» depende do sujeito, num determinado lugar e tempo - nesse caso também é uma verdade subjectiva - depende de pelo menos uma mente, porque o objecto está no sujeito.

¶6 Mas ser subjectivo não significa necessariamente que é relativo: pode não ser relativa se depender de apenas uma única mente, como na Teoria dos Mandamentos Divinos. Se «matar é mau» é verdadeiro porque Deus o disse, então é subjectivo. Se é verdadeiro independentemente do lugar, tempo, dos envolvidos, da situação e de qualquer outro contexto, então é uma verdade absolutista.

¶7 Quando faço uma medição, preciso de recorrer à minha mente para usar o medidor e ler o valor (por isso é subjectiva), que não é exactamente igual àquilo que meço, mesmo que o processo seja automatizado - uma das primeiras coisas que se aprende nas aulas de Laboratório de Física é calcular uma margem de erro através de várias medições. Dizemos que uma medida é uma aproximação de uma propriedade de algo que está fora da mente. Essa propriedade, por não depender de uma mente para existir, é objectiva - o objecto está fora do sujeito.

¶8 A Ciência não é o mundo real, mas um modelo que o representa. Se é uma criação mental humana, então é subjectiva, no entanto isso não implica que seja arbitrária - por exemplo, a ideia de que o ponto de ebulição da água é 100ºC não existe por uma decisão arbitrária. Os circuitos electrónicos podem ter um díodo semicondutor e existe o conceito de díodo ideal que explica como os díodos funcionam. Ambos são invenções humanas, mas a existência do díodo ideal é impossível fora da imaginação e isso não quer dizer que as conclusões a partir dele sejam meras opiniões. Se os números, os pontos, figuras geométricas e outras estruturas matemáticas existem apenas na mente - e por isso são entidades subjectivas -, isso não significa que um teorema seja uma mera opinião. Se um ponto, que não tem dimensões, não existe independentemente da mente, isso não quer dizer que a distância mínima entre dois pontos não seja um segmento de recta... na Geometria Euclediana.

¶9 Para o fim deste artigo, não interessa se concordam ou não com os exemplos em particular. Se forem platonistas matemáticos, não concordam com o último exemplo que dei, mas podem perceber o ponto-de-vista de um formalista matemático. O que interessa é esta ideia: quem acredita que uma entidade é subjectiva pode racionalmente concluir que proposições sobre ela são verdadeiras ou falsas. Por exemplo, a dor é subjectiva, mas isso não quer dizer que o que um médico diz sobre ela seja mera opinião.

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¶10 Existem muitíssimas doutrinas filosóficas sobre a moralidade. Segundo as teorias morais consequencialismo, distingue-se o bem e o mal pelas consequências. No Consequencialismo Subjectivista, distingue-se também pelas intenções. No Consequencialismo Objectivista, a distinção é feita pelas acções em si. Utilitarismo não quer dizer que o bem significa o mesmo que útil... É consequencialista objectivista e determina o valor moral de uma acção segundo a distribuição e quantidade resultante de certas propriedades nos seres sentientes: um acto bom maximiza o bem («the greatest good for the greatest number of people») e minimiza o mal, um acto mau faz o contrário. O mais conhecido é o Utilitarismo Clássico, que é consequencialista objectivista universalista hedonista (hedonismo: o prazer é o único bem, o sofrimento é o único mal).

¶11 Dito isso, não percebo como é que algumas pessoas concluem que ideia o Utilitarismo defende que o bem e o mal são opiniões ou convenções e que por isso não se poderia fazer julgamentos morais. Concluo exactamente o contrário, independentemente de concordar ou não com a teoria moral. Por exemplo, um violador causa sofrimento às suas vítimas, por isso fico embasbacado quando respondem com "segundo quem? segundo o violador?". O Utilitarismo é relativista (depende das consequências: prender arbitrariamente é mau porque faz o preso sofrer, mas prender um violador para evitar sofrimento), mas não depende de opiniões.

¶13 Devemos dar o lugar no autocarro? Alguém com uma deficiência nas pernas, sofrendo imenso enquanto aguenta-se de pé, não deve dar o lugar. Os que têm mais força e equilíbrio é que devem dar o lugar aos que têm mais dificuldade. Que dieta devemos ter? Se todos seguíssem a mesma dieta, muitos ficariam doentes - depende pelo menos da constituição física, dos hábitos e da saúde. Isso é relativista e verdadeiro independentemente de opiniões. Há alguém que discorda? Porquê?

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¶12 O Utilitarismo é só um exemplo; existem muitas outras teorias. Apresentei alguns conceitos e o exemplo do Utilitarismo para verificarem que existem muito mais hipóteses sobre a moral do que podiam pensar.
Sugestões para se informarem mais:
¶13 Por fim, tendo em conta o que leram, pergunto: por que raios acham que quem acha que não é preciso existir Deus para existir a moral não tem legitimidade para fazer julgamentos morais? Gostaria de uma justificação clara. Para uma outra vez publicarei um artigo sobre o argumento da moral.

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Notas sobre os comentários:
Se os comentários não estiverem relacionados com o artigo, não serão moderados, desde que não tenham links para fazer publicidade ou que choquem através de imagens violentas, ou pornográficas ou com conteúdo ilegal. Não o respondo na caixa de comentários - se disponível, faço-o num artigo. Recomendo que não incentivem discussões alheias nas caixas de artigos nem cedam a provocações. Quem não disser nada sobre o artigo, não tem nada a dizer sobre ele.

09 maio, 2010

Meta-ética: moral e imoral

1¶ Mesmo para um sujeito isolado, único em toda a existência, existem coisas que são boas e outras que são más. Sensações agradáveis são boas. Sensações desagradáveis são más. É bom conseguir concluir projectos com sucesso. Tomar decisões informadas é bom. Não tomar decisões por ignorância ou ser responsável de resultados indesejáveis é mau. É bom ser livre de fazer o que deseja, é mau não poder o que tem vontade. Se não existir qualquer sujeito, tudo isso deixa de fazer sentido, deixando de existir o belo, nem o feio, nem o prazer, nem o sofrimento, nem o amor, nem o ódio, nem o bem, nem o mal.

2¶ Existem gradações de bem e de mal, tal como existem grandações de prazer e de sofrimento e maiores e menores vontades (e como a lógica fuzzy), e existem decisões e acções neutras. Estar paralisado num deserto escaldante durante dias até morrer de sede ou de fome é muito pior que uma leve comichão no nariz que pode ser aliviada ao esfregá-lo. Na imagem seguinte está uma representação dessa ideia (abaixo) e uma alternativa (acima).


3¶ O que é bom a curto prazo pode ter consequências muito más a médio ou longo prazo e vice-versa. Esperar e trabalhar arduamente pode ser desagradável, mas a paciência e deligência podem compensar. Podemos ter limitações e o mundo pode não ser perfeito, mas podemos pesar os prós e contras em curto, médio e longo prazo, avaliar os riscos e fazer sacrifícios para obtermos um bem, como um engenheiro. A imagem seguinte é um gráfico que representa um exemplo dessa ideia. O excesso pode ser muito bom no momento em que é praticado, mas com o tempo os seus efeitos são maus e podem influenciar a percepção da realidade ou limitar a liberdade que tinha.
3¶ Existindo dois sujeitos, o que foi dito nos parágrafos aplica-se a cada um deles e aos dois como um todo. Pode ser que um projecto de um dos sujeitos seja mais facilmente concluído com a ajuda do outro. Ou até mesmo seja apenas possível com cooperação. E assim poderão construir ferramente e mudar o ambiente de modo a viverem com mais conforto, liberdade e felicidade. Além disso se um deles estiver em apuros, o outro pode ajudá-lo. Ou podem prejudicarem-se.
4¶ Cometer um acto imoral é fazer um mal para alguém. Em certas situações devemos cometer males - por exemplo, ferir alguém que pretende cometer homicídio. Mas não deixa de ser imoral. O dever não é evitar o que é imoral - o que é impossível se não somos capazes de controlar tudo o que nos rodeia. Outras decisões são piores - por exemplo, deixar que se cometa um homicídio -, e o dever é escolher a melhor, por vezes entre tantas más. Para o podermos fazer de forma eficaz, precisamos de nos colocar na pele dos outros - sentir empatia. A psicopatia é uma doença (que pode ser hereditária) caracterizada por falta dessa capacidade cognitiva. São incapazes de colocar no lugar do outros, não conseguem ter sentimentos, não sentem remorsos, são frios e manipuladores. [Há algum tempo deu um episódio do Dr. House sobre o tema: trailer1, trailer2, argumento, erros.] Como o psicopata é tem essa incapacidade cognitica, é um ser imoral.

5¶ O pastor Ted Haggard é um exemplo de alguém que parece que aprendeu que o que fazia em relação aos homossexuais era imoral. A postura dele mudou muito depois de se descobrir que ele é homossexual e que tinha relações sexuais com um prostituto, pedindo desculpa aos homossexuais:




6¶ Mesmo para um egoísta em geral a melhor estratégia é não fazer mal aos outros e fazer o bem. Se Ted Haggard tivesse razão quando julgava os homossexuais, o razoável seria ele próprio sofrer o mesmo. Talvez tivesse sentido o que podiam ter sentido os homossexuais, especialmente os cristãos, ao ouvirem os sermões, e aprendeu que não queria ter Ted Haggards.

7¶ Os seres sociais instintivamente protegem os membros do seu grupo e cooperam com o grupo, porque identificam-se com o grupo e os seus membros. São apenas morais com o próximo. Ted Haggard, ao ser apanhado, passou a pertencer ao grupo dos homossexuais e ele deve ter sentido como um dos seus membros. Os humanos têm mais experiência em lidar com grupos diferentes em espaços geográficos distantes e até de espécies diferentes, têm maior capacidade de fazer experiências mentais para planear e prever e são capazes de transmitir mais eficazmente o que aprenderam em forma de cultura. A História é um trajecto de muitos Ted Haggards e os nossos conceitos de moralidade e imoralidade são produtos dela. Não só sentimos dor quando fazem mal aos nossos próximos, mas também a todos os seres sentientes. Percebemos que eles sentem dor, que têm desejos... em suma: têm poder de subjectividade, como nós. E ao percebermos isso, percebemos no senso-comum o que é ser moral e o que é ser imoral, mesmo continuando a ser um problema filosófico complexo que não foi ainda resolvido.

06 março, 2010

Meta-ética: comparação de dois modelos

«Se o Líder disser sobre um tal evento, "Nunca aconteceu" - bem, nunca aconteceu.
Se disser que dois e dois são cinco - bem, dois e dois são cinco.»
- em 1984, de George Orwell
1¶ À esquerda está um diagrama que representa uma teoria ética centrada numa única entidade (1º modelo). À direita está um diagrama que representa uma teoria ética que  depende de todos os sujeitos sem preferência por uma parte (2º modelo).

2¶ Vamos supor que entre quatro sujeitos, existe uma criança, o seu pai, a sua mãe e um pedófilo. Definimos quais dos sujeitos são clicando no botão seguinte: criança: -; pai: - ; mãe: - ; pedófilo: -;
 1) No 1º modelo, se o pedófilo for o sujeito a, então ele pode definir que é bom abusar sexuamente uma criança, não interessando o que a criança, o pai, a mãe dizem, pensam ou sentem. Esse pedófilo poderá até ser o Criador ou o ser mais forte que existe - seja lá o que define a autoridade moral como tal. Se o sujeito a for a criança, os seus caprichos definem a moral. Se a for um dos pais, se decidir capar ou torturar o pedófilo, isso seria bom.
 2) O 2º modelo requer 2n+n relações (n é o número de sujeitos) e a avaliação é mais complexo. Se tivermos em consideração todos os sujeitos, podemos notar várias propriedades das suas relações e possíveis consequências:
  a) O pedófilo pode desejar abusar da criança. Mas a criança e os pais não querem. Existem conflitos de interesses. 
  b) O pedófilo não gostaria de ser violado, quando era uma criança não era do seu interesse ter relações sexuais com um adulto e se tivesse filhos provavelmente não gostaria que fossem abusados. Não quereria que outros fossem como ele.
  c) O pedófilo não poderia abusar uma criança sem que exista crianças. É um possível agente do mal que inflinge os outros.
  d) Uma vítima sexual é traumatizada com mais intensidade e é mais afectada do que quem gosta de algo mas não pode fazê-lo. Quer dizer, o abusado sofre um mal maior.
  e) O pedófilo pode satisfazer-se de outros modos sem prejudicar os outros (masturbação, bonecas), afastar-se de crianças e tentar tratar-se. Ele tem a liberdade de optar por várias vias, que uma vítima não teria. 
  f) O pais podem tentar prevenir que o seu filho seja abusado e/ou punir o pedófilo destruíndo-o, ou maximizando o seu sofrimento ou através de um mal menor.
  g) Todos podem melhorar as sua vidas com colaboração entre si. Quem mais prejudica recebe menos ajuda dos outros e arrisca-se mais a ser prejudicado.
  etc.

3¶ Com essa experiência espera-se tornar clara a distinção entre 1) algo ser bom para a autoridade moral por ser bom e 2) algo ser bom por ser bom para a autoridade moral. O primeiro caso é como dizer que para alguém 2+2=4 porque 2+2=4. O segundo é como dizer que 2+2=4 porque para alguém 2+2=4. Se o segundo caso for verdadeiro, é um caso fortuito se a autoridade absoluta for amorosa. Não é uma contigência, podendo ter-nos calhado um canalha, como um pedófilo sem escrúpulos - e o abuso de crianças seria bom por definição. Se uma autoridade considerar que 2+2=5, então é. É o que acontece no 1º modelo.

4¶ O 2º modelo, pelo contrário, não exige nem tem alguém para definir o bem e o mal. Tem em consideração todos os sujeitos, sem que nenhum deles seja uma referência absoluta, e como as suas acções afectam os outros directa ou indirectamente, como um grafo com valores nos vértices e arestas, representando um estado. Se alguns membros de uma comunidade foram prejudicados por alguém, os outros têm interesse em impedi-lo. Tomando um sujeito arbitrariamente, cada uma das suas decisões dá origem a um estado, que podem influenciar as decisões de outros sujeitos. As decisões são como arestas (ou ramos) de um gravo em árvore, com os vértices representando cada estado. Cada decisão é pontuada de acordo com a qualidade do estado que produz. Resolver um problema moral é resolver um problema sobre grafos com uma busca de caminhos.

5¶ Para quem não percebeu o parágrafo anterior, uma analogia pode ajudar: é como jogar xadrez. Antes de fazermos uma jogada, imaginamos como várias jogadas influenciam a decisão do adversário e classificamos cada uma delas. Se for má, voltamos mentalmente atrás, construindo uma árvore. É evidente quando alguém perde num jogo de xadrez, mesmo uma autoridade do xadrez perde num jogo. Não se ganha por ser uma autoridade do xadrez a dizer que ganhou, mesmo que seja o inventor do jogo. Desse modo, alguém considerado uma autoridade moral, mesmo que tenha criado o Universo e definido como funciona, não implica que o que define ser bom ou mau o seja (o Universo é como o tabuleiro e peças, o modo como funciona é como as regras do jogo, cada decisão tomada é como uma jogada). A desvantagem do 2º modelo é a sua complexidade e dificuldade práctica em imaginar todos os efeitos das nossas decisões, e muitas vezes até mesmo todas as decisões possíveis.

6¶ Quem não aceita as implicações do 1º modelo, não acredita realmente nele. Se não aceitam a ideia de que se uma autoridade moral fosse um pedófilo que diz que a pedofilia é boa, então é, então não acreditam que algo é bom pela natureza ou mandamentos da autoridade moral. Nem sequer admitem que é  uma ditadura. Notem que as suas decisões serem boas por coincidirem com o 2º modelo, não é o mesmo que o 1º modelo. Uma forma de contornar esse problema é dizer que a autoridade, o 2º modelo e talvez outras propriedades, como a existência, são simplesmente o mesmo. Nesse caso, a Referência Absoluta é o próprio bem.

28 fevereiro, 2010

Meta-ética: dois modelos

«Aqui estou eu, apreciador da vida, sem querer morrer, apreciador do prazer e averso à dor. Suponhamos que alguém me rouba a vida... não seria prazeroso ou agradável para mim. Se eu, por outro lado, devesse roubar a vida de quem aprecia a vida, que não quer morrer, que aprecia o prazer e é averso à dor, não seria algo prazeroso ou agradável para ele. Para um estado que não é prazeroso ou agradável para mim também não deve sê-lo para ele; e se um estado não é prazeroso e agradável para mim, como posso eu infligi-lo a outros?» - Samyutta Nikaya v.353 
«Aqueles que vêem com ternura um dono de escravos e com frieza em relação aos escravos, nunca se colocam na posição dos últimos - que panorama desanimador, sem sequer a esperança de mudança! Imaginem-vos a possibilidade, de alguma vez acontecer a vós, de vossas esposas e pequenos filhos - os objectos que a nature leva a que o escravo considere ser dele - serem tiradas de vós e serem vendidas como bestas ao primeiro licitante!» - Darwin, in A Viagem do Beagle
«Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.» (...) «Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas» - Mateus 7:1-2,12

«Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.» - Mateus 5:25-26
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1¶ Segundo a Teoria dos Mandamentos Divinos, bem é aquilo que Deus manda fazer e o mal é o proíbe fazer. Portanto, Deus é a única referência absoluta para se definir o que é o bem e o mal e, segundo cristãos bíblicos, fá-lo através das Escrituras. Por exemplo, segundo Guilherme de Occam, se Deus manda matar, então é bom matar. Assim justifica os homicídios e despojos dos hebreus. Apesar de ser um universalismo moral, é também um individualismo ético subjectivista (1), por depender da atitude de uma pessoa - Deus. Comparando com a educação de moral que um pai dá, é como responder às questões morais: «Porque eu digo» ou «Porque eu mando».

2¶ O que proponho é que para decidir se uma decisão é boa ou má, deve-se considerar o efeito que tem em todos os sujeitos, sem dar preferência a um deles ou a uma parte. É semelhante à Regra de Ouro, que a maioria das religiões, no entanto tomo em conta que o outro é diferente e devemos ter isso em conta numa avaliação moral. Na Regra de Ouro, comparando com a educação de pai é como dizer algo como: «Gostas/queres que te façam o mesmo?» Eu, por outro lado, questiono o que seria se fosse o outro, tendo em consideração a sua natureza, e considero que o que é do nosso interesse, ou que é bom para nós, não é necessariamente o gostamos ou queremos (pelos no curto prazo). Por exemplo, é do interesse da criança que estude para o futuro, apesar de não gostar nem querê-lo. E num mundo imperfeito muitas vezes é necessário recorrer a males temporários para ter um bem, por exemplo provocar dor para salvar uma vida, ou isolar alguém que prejudica grandemente outros, como o ladrão, o homicida e o violador.

3¶ Infelizmente existe uma tendência para distorcer essa última posição, limitando as alternativas à primeira, numa falsa dicotomia ou tricotomia, a outras que não aceito numa orgia de homens-palhas. A imagem seguinte mostra diagramas com os dois modelos (1 e 4) e outros dois que os que defendem o primeiro impingem como únicas alternativas ao seu:
 

4¶ O primeiro diagrama representa um individualismo ético: depende apenas de um único indivíduo ("A"). Em geral quem defende-o na forma da Teoria dos Mandamentos Divinos, impinge os modelos representados no segundo e terceiro diagramas. O segundo, tal como o primeiro, apenas uma parte define o que é bom e o que é mau, mas ela é maior que apenas um indivíduo. (Se uma sociedade que dissesse que a escravatura fosse boa, então seria?) No terceiro o bem e o mal é como o gosto: depende apenas de um sujeito. É a apenas nesse caso que costumam chamar de subjectivo. (E para o pedófilo?) O que defendo é o quarto modelo, que é muito mais complexo que os restantes casos.

5¶ Se existisse apenas um sujeito, ele depende apenas de si mesmo. Mas se ao deixar cair uma pedra na cabeça sentir dor, isso não seria mau para ele por uma opinião, tal como não se sente frio ou calor por opiniões. Se gosta de música alta e não lhe prejudica, então é bom ouvi-la.
Suponhamos que ele cria outro sujeito - passam a existir 4 relações: os sujeitos devem considerar o que é bom e mau para si mesmos e para o outro (conto com duas relações). Estes dois casos devem ser estudados isoladamente antes das generalizaçoes. Se o criador um sádico poderoso, não quer dizer que torturar a criatura seja boa. Ele deve ter em consideração a criatura. Se ela também gosta da mesma música alta e não lhe for prejudicial, então é bom tocá-la para ambos a ouvirem. Caso contrário seria mau - por isso é que existem os auscultadores...
Se for criado outro sujeito, passam a existir 9 relações. Com quatro sujeitos, seriam 16 relações. Para um sujeito em abstracto o melhor é um modelo com essas relações. Noutro modelo, corre o risco de calhar numa situação em que não é representativo numa avaliação moral.
Nesse modelo a existência de Deus é irrelevante para o que é bom e o que é mau. Para Deus ser bom, deve considerar o que é bom para todos. Mas é relevante para a Teoria dos Mandamentos Divinos. Para um seu proponente, não existiria moral ou um indivíduo ou grupo seriam a Referência Absoluta. Seguindo a sua lógica, ao visualizarem estarem errados, concluem que matar é tão bom ou mau como salvar uma vida, ou se a autoridade divina devia-se ao seu poder, a distinção entre bem e mal dependeria dos mais poderosos ou da maioria. São os que questionam por que é que devemos ter em consideração os outros que dizem que poderiam ser maus para connosco, ou não dariam valor ao bem, se fossem ateus racionais.

7¶ Além disso a sua teoria moral implica que se Deus for um sádico que dissesse que devíamos lutar uns contra os outros até à morte, então as guerras seriam boas. Podem pensar que resolvem o imbróglio dizendo que não é essa a natureza de Deus, mas isso seria admitir que nem eles acreditam que o bem e o mal é ditado por Deus: «reconhecemos que o sagrado é amado por Deus por ser sagrado, e não que é sagrado por ser amado» (in Êutífron, de Platão). Como convencem Deus, um ser omnipotente, que é errado torturar? Nem a Bíblia defende que o bem significa o mesmo que mandamentos divinos. Os profetas dão os seus "porque", "portanto" e "para que", como nas parábolas, e alguns até colocam em causa a justiça divina: «Não faria justiça o Juiz de toda a terra?»

(1) Correcção: o individualismo ético subjectivista não se refere apena a um indivíduo. Proposto por Protágoras, ignifica que existem tantos bens e tantos males quanto o número de sujeitos.

17 agosto, 2009

Ser bom ou mau para nós - 2

Mateus 5:29: ... «melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.»
Mats: «
É preferível viver sem um braço e uma perna neste mundo, do que ir inteirinho para o fogo do inferno.»

Pode ser bom e não ser do interesse de seja quem for?

No artigo anterior deste blog mostrei que existe algo em comum na publicidade de um produto ou serviço, na propaganda política e no proseletismo religioso. O vendedor, o candidato e o evangélico tentam convencer que algo é do nosso interesse para motivar-nos a agir em conformidade. Isso é argumentar que algo é bom para nós, pois não tem sentido dizer que algo que não tem interesse nem para o menino Jesus é bom. Por exemplo, tanto o Sabino como o Mats usam o Inferno como argumento. A imagem seguinte mostra exemplos de quadradinhos de banda-desenhada que fazem o mesmo:

Por exemplo, na banda-desenhada "The Choice" (A Decisão) um personagem chamado George tenta decidir que refeição tomar numa cantina. Na legenda é dito: «Ao longo da nossa vida tomamos decisões. Algumas são certas... algumas vezes erramos. Mas há uma decisão que é a mais importante de todas.» Um evangélico diz-lhe que é vital que tome a decisão certa antes de morrer, que um inimigo (o Diabo) que o detesta quer mantê-lo nas chamas do Inferno e para isso impede-o de aprender como escapar delas. George diz que podia ter ido parar ao Inferno e agradece o aviso, perguntando o que deve fazer para ser salvo. O Inferno é mau para George porque é contra o interesse dele estar lá.

Cartaz da AnswersInGenesis -
imagem de um rapaz a apontar uma arma de fogo:
«Se Deus não lhe interessa, ele interessa-se por ti?»


A ideia de o que é bom ou mau é o que alguém diz o que é bom ou mau não resulta. Os que defendem essa ideia em debates procuram mostrar que obedecer ao que consideram ser a Fonte Absoluta da Moral é do nosso interesse e que não o fazer é contra o nosso interesse.

A KKK acredita que os brancos estão a ser descriminados e defende que é do interesse de cada raça viver e isolada das outras - que o que eles fazem é para o bem dos negros. Hitler criou teorias da conspiração judia-bolchevistas depois de Primeira Guerra Mundial, culpando os judeus de todos os males, comparados com ratos parasitas [1, 2, 3, 4, 5]. Hoje em dia são criados cartoons por muçulmanos que transmitem a ideia de que os judeus e os que os defendem prejudicam os Árabes [1, 2, 3, 4, 5] As Testemunhas de Jeová acreditam que as transfusões de sangue são perigosas impedem a salvação depois da morte, tal como os transplantes, as vacinas e o alumínio antigamente... [1, 2, 3, 4, 5]. Se uma criança de uma Testemunha de Jeová precisa de sangue, o conflito está entre os médicos que acreditam que uma transfusão é do seu melhor interesse e os pais que acreditam que a prejudicará [1, 2]. É assim que temos o conceito de bem e de mal e temos noção das propriedades e implicações que derivam dele, mas que curiosamente nos debates sobre ética parece que o esquecemos e que discutirei no próximo artigo e irei responder a cada questão do João Gabriel.

Noto que o interesse não corresponde necessariamente ao desejo. Podemos desejar algo que mais tarde arrependemos. O pai que não quer que o filho receba uma transfusão porque acha que a possibilidade de vida após a morte está jogo, não iria negá-la se não tivesse essa crença. Se os católicos que fazem penitência não acreditassem que o sacrificio resultasse num benefício futuro, iriam achar que não valeria a pena e não a praticavam. Alguém pode roubar e mentir por achar que ninguém sairá prejudicado, mas corre o risco de acabar mal. Uma criança pode gostar tanto de doces que passa a vida a comê-los, mas mais tarde arrepender-se. Ou gastar as suas poupanças todas num brinquedo e descobrir que afinal não valeu a pena. Alguém pode gostar do tabaco, o álcool e a droga, mas se fosse um observador externo estar envergonhado de si mesmo. Não somos omniscientes, por isso cometemos erros. Não seria bom se existisse um ser omnisciente que nos indicasse o que é o melhor, como uma bússola ou um caminho?

25 julho, 2009

Ser bom ou mau para nós - 1

Mat 19:21: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu»
O que nos motiva?

Como novas eleições aproximam-se em Portugal, podemos encontrar imensos cartazes de propaganda política nas ruas com expressões como «avançar Portugal», «juntos conseguimos», «pelo interesse nacional», «fizemos por si», «mudar o que está mal, melhorar o que está bem», «por bem, ouvir e resolver», «uma vida melhor», «melhores salários e pensões». Os governos totalitários também faziam (e fazem) propaganda que transmitiam esperança, promessas de uma a vida melhor e a ideia de que havia um projecto comum, para além de demonizarem os adversários como culpados de todo o mal. Como no mundo de Big Brother.

No artigo anterior apresentei exemplos do mesmo género de mensagens no proseletismo religioso. As Testemunhas de Jeová, que se dizem politicamente neutras, usam a expressões como "bom governo", "boa moradia" e "trabalho agradável" comparando a situação actual com a que esperam num Paraíso teocrático. Os evangélicos falam em "ajuda espiritual" e dizem: "pare de sofrer", prometendo uma solução para os problemas. Curiosamente o Salão da Bênção de Almada fica logo no andar abaixo de um ginásio e lembro-me de ao lado ter estado um cartaz de uma sex-shop.


Podem dizer que o bem e o mal são por decreto divino, mas os prosélitos religiosos ao tentarem converter alguém não o fazem através da Teoria dos Mandamentos Divinos. É mais fácil fazê-lo com um bêbedo, um drogado, um miserável, um infeliz, prometendo uma vida melhor. O comportamento e testemunhos dos crentes - os modelos - servem de argumento para a conversão. O local ou estado de bem extremo é o Paraíso. Para um fanático em futebol é assistir jogos de futebol todos os dias, com a sua equipa sempre a ganhar, e sem precisar de levar a cerveja à boca: basta pensar na sua cerveja favorita para saboreá-la e sentir-se saciado.

Por outro lado, punições em vida ou depois da morte servem de desincentivo para determinados comportamentos ou modos de vida, mesmo que pareçam inóquos. É como tentar convencer a um adolescente a não masturbar-se. Criou-se um mito infantil de que a masturbação provoca cegueira (isex; newscientist). O local ou estado de mal extremo é o Inferno.

É fácil associar o bem ao prazer e o mal ao sofrimento. O prazer recompensa os actos que permitem-nos sobreviver e a propagar a nossa espécie, como a alimentação e o sexo. O sofrimento sugere-nos que algo está a prejudicar-nos e desincentiva certos actos. Experiências psicológicas - como as de Pavlov, Watson e de Skinner - já nos mostraram que pode-se criar hábitos através de recompensas e punições.

João Vasco parece seguir essa intuição defendendo que o bem é o que «promove a felicidade e evita o sofrimento». Quando pergunta a Mats se alguém «alguém gosta de sofrer», este responde do seguinte modo: «Os adeptos do Benfica e todos aqueles que vêem novelas, mas isso é outra história...» É esse tipo de resposta que ele costuma dar, como se fosse genial... É como apresentar como exemplos os primeiros cristãos que eram perseguidos e os que gostam de assistir filmes como "A Paixão de Cristo", como se os cristãos não tivessem prazer em sê-lo e que os apreciadores de um género de filmes não gostem deles. Mas os benfiquistas adoram o Benfica, como uma "crença", "uma religião, um culto", "uma paixão", "um elixir para as suas alegrias, para vencer as suas tristezas", "a maior fábrica de sonhos do século 20", ...

João fez outra observação que Mats recusa-se a responder: «Ora tu facilmente compreendes que isto é um absurdo: assumes que ninguém gosta do Inferno, porque ninguém gosta de sofrer.» Se assim não fosse, não estaria a promover vídeos como "A Letter From Hell" e a insistir tantas vezes no Inferno, senão seria apenas um argumento para convencer os masoquistas a não se tornarem cristão. Como "Jesusophile" diz, numa sátira, no Inferno os masoquistas nunca iriam sentir dor e estariam presos numa sala sem poderem ver o sofrimento dos outros. O Paraíso de um masoquista seria como o mundo de Hellraiser: «... pain and pleasure, indivisible». E o Inferno de Mats seria assistir telenovelas para a eternidade.

Por outro lado podemos sentir-nos felizes com uma bebedeira, tal como os loucos. Passamos a tornar-nos mais vulneráveis, com o raciocínio debilitado. Perceber que os outros aproveitam-se de nós, que andamos aos tropeções e a dizer disparates é como descobrir que a mulher coloca-nos os cornos. O prazer é bom, mas não é suficiente - a embriaguez, a loucura e os cornos são contra os nossos interesses.

Quando os moralistas tentam convencer que determinados comportamentos e modos de vida são maus, estão a tentar convencer que são contra os nossos interesses. Podem mesmo atribuir certas características a determinados indivíduos ou grupos para esse fim, por exemplo dizendo para «não virarem as costas a gays», para «não deixarem que os sodomitas vos recrutem para os seus modos de vida» e que «transmitem doenças», ou retratando os "inimigos" como seres que são um obstáculo para suas liberdades dos crentes ou um perigo para os potenciais convertidos.

Na propaganda, no proseletismo, na publicidade e nas vendas ambulantes tenta-se convencer que o que nos incutem é bom para nós, ou que é do nosso interesse, o que valorizamos, quer seja um governo, uma religião, um serviço ou um produto. Mesmo num mundo imperfeito, podemos ponderar os prós e contras para tomar um decisão, como um engenheiro.


Neste artigo não apresento o conceito de "moral" e "imoral" - apenas apresento o tijolo para esses conceitos. É com o conceito de "bom" e "mau" que aqui apresento que criamos conceitos para "bondoso", "maldoso", "egoísta", "altruísta", "simbiose" e "parasitismo". Deixo alguns links que exemplificam o que escrevi aqui:

Imagens > O que é o bem para nós?

«- I did the right thing...!
- The right thing for us... or for you, Eddie?»
- do episódio «The Idiot's Lantern» de "Doctor Who" (27 de Maio de 2006)

«Do you believe that if a man repents enough for what he done wrong, than he'll get to go back to the time that was happiest for him and live there forever? Could that be what heaven's like?»
- do filme "The Green Mile" (1999) ["À Espera de um Milagre"]
Li os comentários de João Gabriel com perguntas, respostas e objecções ao que escrevi sobre a ética. Vou escrever alguns artigos para que perceba a minha posição. Vou usar exemplos e algumas ilustrações para que me ajudem nessa tarefa. Não pretendo convencer que tenho razão - o mais provável é cometer vários erros. Pretendo que percebam as minhas ideias e o modelo mental que está por detrás delas, permitindo que as analisem, que aprendamos com as discussões e que me possa corrigir.

Para começar, neste artigo deixo algumas fotos que tirei na Amora e em Almada e algumas imagens digitalizadas de panfletos e livros que tenho em minha posse. No final está uma descrição para quem não puder ver as imagens. O que é algo "ser bom para" alguém, "uma vida melhor", "um bom governo", "uma boa moradia", "o nosso bem", um "problema", uma "solução", uma "benção", uma "ajuda", ser "bem-sucedido", uma "salvação", uma "condenação", uma "libertação", "sonhos realizados", um "paraíso", ...?



  • Propaganda da CDU: «dá confiança a uma vida melhor»;
  • Centro de Ajuda Espiritual: «Pare de Sofrer»
  • Salão da Bênção: «A bênção vem de Deus para todo aquele que crê: católico, evangélico, espírita, livre-pensador e outros.», «Jesus disse: "Tudo é possível ao que crê"», «Neste local Deus está curando, libertando, revelando e abençoando o povo em geral.», «A bênção vem de Deus e é de graça a todos.» (no andar de cima está um ginásio)
  • SOS Espiritual: «O Mundo diz: Estamos em crise. (Você diga) Eu estou em Cristo. Jesus, a única solução».
  • No jornal "Folha Centro de Ajuda": «O degrau entre o "querer" e o "REALIZAR" - Objectivos cumpridos ou sonhos realizados... toda a Humanidade apresenta desejos em comum, contudo, há algo que separa os bem-sucedidos dos que fracassam» (ao lado está um testemunho que diz que "julgava que ia morrer" e que aceitou o convite do Centro de Ajuda depois de um AVC)
  • Panfleto do "Salão da Bênção": «Talvez penses que ninguém te pode ajudar, mas DEUS pode libertar-te completamente de qualquer vício, problema ou ferida que haja na tua alma.» (...) «se tu, por problemas vários, não estás bem com a tua família, » (...) «JESUS CRISTO está pronto a dar-te a renovação e libertação desejadas.» (...) «Amigo, amiga, tudo o que não encontras no mundo encontrarás no Senhor Jesus, porque Ele disse: "VINDE A MIM TODOS OS QUE ESTAIS CANSADOS E SOBRECARREGADOS E EU VOS ALIVIAREI." Mateus 11:28»
  • Na introdução do Novo Testamento, Salmos e Provérbios dos Gideões Internacionais: «A Bíblia contém a mente de Deus, a condição do homem, o caminho da salvação, a condenação dos pecadores, e a felicidade dos cristãos.» (...) «Leia-a para ser sábio, creia nela para estar seguro» (...) «Ela contém luz para dirigi-lo, alimento para sustê-lo, e consolo para animá-lo. É o mapa do viajante, o cajado do peregrino, a bússola do piloto, a espada do soldado e o guia do cristão. Por ela o paraíso é restaurado» (...) «CRISTO é o seu grande tema, nosso bem o seu intento» (...) «É uma mina de riqueza, um paraíso de glória e um rio de prazer.» (...) «recompensará o mais árduo labor e condenará a todos quantos menosprezam seu sagrado conteúdo.» Na página ao lado, com o título "ONDE ENCONTRAR AUXÍLIO, Quando", estão várias referências a páginas para cada problema ou sentimento.
  • Livro "Poderá Viver para Sempre": duas páginas de cores vivas, estão imagens de faces sorridentes e pessoas a trabalharem num jardim, numa horta, numa olaria e em madeira - "TODA A HUMANIDADE EM PAZ", "NÃO HÁ MAIS GUERRA", "BOAS CASAS E TRABALHO AGRADÁVEL PARA TODOS", "O CRIME, A VIOLÊNCIA E A INIQÜIDADE SÃO COISAS DO PASSADO". Noutro par de páginas, onde predomina o vermelho e o cinzento, há um militar a fugir de uma explosão, crianças tristes com fome, um médico e uma enfermeira a cuidarem de um doente, uma criança a chorar nos destroços e um homem a ser ameaçado com uma faca - «NAÇÃO SE LEVANTARÁ CONTRA NAÇÃO E REINO CONTRA REINO», «HAVERÁ ESCASSEZ DE VÍVERES", "NUM LUGAR APÓS OUTRO, PESTILÊNCIAS", "HAVERÁ... TERRAMOTOS NUM LUGAR APÓS OUTRO", "AUMENTO DO QUE É CONTRA A LEI".
  • Livro "Raciocínios à base das Escrituras": «Muitas pessoas estão preocupadas com o Armagedom. Ouviram líderes mundiais usar esse termo com referência a uma guerra nuclear total.» (...) «A Bíblia mostra também que há coisas que nós pessoalmente podemos fazer, visando a sobrevivência.» (...) «"Estamos falando com os nossos vizinhos sobre onde encontrar ajuda prática para enfrentar os problemas da vida.» (...) «'Estamos falando com pessoas a respeito da segurança pessoal. Acha que algum dia chegará o tempo em que as pessoas como você e eu poderemos caminhar pelas ruas de noite e sentir-nos seguros» (Ou: Acha que alguém tem uma solução real para esse problema)'» (...) «(mencione um recente crime na vizinhança ou outro assunto de preocupação na localidade)» (...) «Há alguma coisa que acha que poderá contribuir para tornar nossa vida mais segura?» (...) «'Acha que é razoável esperar que os governos humanos realizem isso? ... Mas há alguém que sabe solucionar esses problemas; esse é o Criador da humanidade'» (...) «'Estamos falando com os nossos vizinhos sobre um bom governo. A maioria das pessoas gostaria de ter um tipo de governo que fosse livre de corrupção, que pudesse prover emprego e boa moradia a todos. Que tipo de governo acha que poderá realizar tudo isso?» (...)
  • Dedicatória num Livro de Mórmon: «Eu sei que este livro é verdadeiro, seus escritos mudaram a minha vida, este livro contém a palavra viva de Deus assim como a Bíblia, sou feliz por ter o Evangelho de Jesus na minha vida e por ser membro de sua Igreja. Que o senhor o abençoe nas suas decisões.»
  • Panfleto "S.O.S Espiritual": «Pare de sofrer! Existe uma solução! Quer ajuda? Leia este Folheto!», «Este folheto é uma oportunidade de Deus para a sua vida». No verso: «Se você está a passar por um destes problemas, marque com um (X).» (lista de problemas)

06 junho, 2009

Para quem não comprendeu "Ética Útil"

Eu - «Todas as questões que colocaste foram respondidas no artigo.
O que eu fiz neste comentário foi ser mais pormenorizado.
Por isso recomendo que tentes perceber melhor o que escrevi
e depois perguntas ou comentas.»

Mats - « Eu acho que ainda não entendeste o que eu disse,
ou entendeste e não queres lidar com o que eu disse.»

Farei uma nova versão do conteúdo deste artigo em vários artigos na tentativa de Mats compreender melhor o seu conteúdo, talvez com desenhos.

É só opinião

«Castigar o mal justamente não é ditadura sem escrúpulos. É essencial a qualquer sociedade.
Caso contrário seria possível roubar, matar, destruir, violar, sem qualquer receio.
Uma sociedade assim seria insuportável.» (...)
«A motivação das normas morais divinamente estabelecidas
é permitir a coexistência pacífica, ordeira em qualquer sociedade.» (...)
«A ausência de justiça e de castigo transforma as sociedades num caos intolerável.
Deus sabe isso. Foi por isso que providenciou as suas leis.»
- Jónatas Mendes Machado

«Num mundo onde todos são maus em relação aos outros, roubando, matando, violando, mentindo, etc.,
os interesses pessoais passam a ser difíceis de ser concretizados e todos sentem-se pior do que
se tivesse quem os ajudasse. Esse é o mundo da estratégias dos traidores do Axeldron, um mundo
inseguro
. Eis o problema da ausência de moralidade
- Eu

«De tudo o que já li, ainda não justificaste em termos absolutos o porquê
do roubo e do homicídio serem "maus", para além de opiniões pessoais
Link- Mats

(...) «e se houver outra pessoa que não veja problemas em tirar
vids segundo a sua moral, como ficamos ?»
- Mats

Hoje muitos de nós fomos às urnas votar. Cada um tem a sua opinião sobre em quem devemos votar. Podemos achar que um candidato nos beneficiará mais do que os outros. E isso pode significar algo diferente em relação aos outros. Por exemplo, se formos uma empresa, teremos interesses diferentes dos empregados. Apesar de poder haver interesses de conflitos de interesses, podemos usar argumentos para convencer que um candidato tem um compromisso melhor para esses conflitos, considerando os interesses de todos em vez de alguns.

Os votos são diversificados, mas há um único vencedor. Umas vezes com uma vitória relativa, outras vezes com uma vitória absoluta. Não interessa se os votos têm como base opiniões - há um vencedor claro. Basta contar os votos. Os interesses dos votantes podem ser subjectivos, mas se o vencedor satisfaz os interesses dos que votam é uma questão objectiva. Por exemplo, mesmo nas nações totalitárias, como os regimes comunistas, os povos querem bem-estar, mas o modo como são governados levam ao oposto. É por isso que têm um governante mau.

Pode parecer estúpido dizer que as eleições são só opiniões pessoais e que por isso não se pode explicar quem é que venceu em termos absolutos. Seria idiota - e um homem-palha - dizer que simplesmente por eu votar num candidato qualquer, isso quer dizer que ele ganha. No entanto é o que Mats faz em relação à ideia de que na ética tem-se consideração em relação aos interesses dos outros tal como os outros têm em consideração os nossos interesses. Por cada vez que ele usa como exemplos ladrões, violadores, torturadores, assassinos e mentirosos, ele está claramente a contradizer a proposição que formulei. E contradiz as premissas de Jónatas Mendes Machado - criacionista que Mats adula - que indiquei no início.

Por exemplo, roubar é tirar contra a vontade do dono, violar é fazer sexo com quem não quer, torturar é provocar uma sensação insuportável - tudo o que por definição é ir contra os interesses dos outros. A mentira interfere na liberdade, levando a decisões contra os interesses de quem é enganado. O assassinato, em geral, vai contra o interesse da preservação da vida, para além de afectar os que dependem e viviam próximos da vítima. É por isso é óbvio que são actos imorais. No entanto «Mas era do interesse dos nazis» é uma das respostas idiotas que o Mats apresenta a isto: «Não faz sentido dizer que Hitler foi bondoso para os judeus, mesmo que ele ache ser bem. É contra o interesse dos judeus serem discriminados e serem obrigados a viverem em guetos».

Quem?

Mats - «Quem é que definiu o sofrimento como a base através da qual se estipula a moralidade?»

Mats -
«Repito uma pergunta que já fiz no passado: quem é que decidiu que o
sofrimento deve ser a base da moralidade? Eu? tu? Stalin? Torquemada?»

Mats - «Quem foi que disse que o "mau" e o "bem" tem que levar em conta o "lesado" ?» (...)
«Eu tenho um Ponto de Referência Absoluto para a moralidade que eu sigo (Deus).»

Eu - «As tuas questões são questões minadas, porque assumem um quem.
A implicação do que escrevi no artigo é que não existe um quem.
Se houvesse um quem, haveria o absurdo de poder definir o homicídio e o roubo como bons.»
Na resposta do Mats: «Mas... o roubo e o homocídio são bons ou maus?
Se são bons, quem é que os define como bons em termos absolutos?
Se são maus, são maus para quem?»

Eu - «Não vejo qualquer problema da moral não estar centralizada
num único ser e tomar em consideração os outros - pelo contrário.»
Mats - «Então a moral pode estar centralizada em todas as pessoas,
incluindo o assassino, certo?»

Mats exige que se formule uma moral absoluta. Mesmo tendo em consideração a subjectividade dos outros, eu descrevi uma moral (ou ética) absoluta. O roubo, a mentira, a tortura, a violação e o assassinato são sempre errados. Só fazem sentido em relação ao que tem sentimentos e interesses. Tal como as eleições se basearem nos votos - que são opiniões - não quer dizer que não se defina quem é o vencedor, também não é verdade que só porque a ética baseia-se nos sentimentos e interesses - que são subjectivos - que não se define o que é bom ou mau. Mats pergunta como é que decidimos o que é bom ou mau, mas ele equivale isso à existência de um indivíduo que postula o que é bom e mau (que chama de "fonte absoluta" ou "ponto de referância absoluto"). Por isso usa exemplos como os de Hitler, Estaline, Mao Tsé-Tung, etc. Ele propõe um sistema moral semelhante aos desses ditadores com um ditador sobrenatural, seguindo a via do autoritarismo ao invés da razão. É a isso que chamei de moral «centralizada num único ser».

Existem diversos exemplos do que resulta esse género de moralidade. Os seguidores acham que não podem raciocionar de modo a classificar se determinado acto é bom ou mau, por isso agem como marionetas de líderes políticos ou religiosos, ou das suas vozinhas da sua mente. Matariam alguém se Deus o ordernasse? É assim até justificam as mortes de seus próprios filhos, imitando Abraão. [CNN, UPI, Canada, The Star, NJ, WFAA, Metro, abcNews, Crime, Victims of Religion] Não têm empatia, tornando-se sociopatas. Para quem acredita que o bem o mal é definido por um Deus, torna-se lícito mentir para os descrentes, sem compreenderem qual é o problema em si mesmo da mentira. Sei que Testemunha de Jeová chamam a isso de "guerra teocrática", fazendo questão de desassociar do termo "mentira" com retórica de semântica. Evangélicos são conhecidos por serem hipócritas, com líderes presos por invasão fiscal, que afinal são homossexuais e foram apanhados a enganar os fiéis. [Wikipedia, RTP, CBSNews, WorldNetDaily, How Good Is That?, vídeos: Edir Macedo, Líderes da Renascer, Ted Haggard]

Para vivermos bem com os outros não é necessário um quem a dizer-nos como fazê-lo. Não é necessário um ponto de referência absoluto. Podemos raciocinar e aprender a fazê-lo - coisa que criacionistas não gostam -, ganhando e fazendo os outros ganharem com isso. Nesse caso, não interessa o que outros dizem para concluirmos que um acto é bom ou mau.

Contrariar os outros

«Outro ateu pode usar a auto-satisfação como base da moral.
Como é que tu vais contrariá-lo?
Como é que vais dizer que ele tem que seguir aquilo que tu achas
que deve ser a base da moral?
»
- Mats

Mats - «Os gostos e empatia não são bases absolutas para a moralidade.
Há pessoas com "empatias" por sexo com animais. E depois?»
Eu - «Não faço a mínima ideia do que seja "empatia com sexo com animais".» (...)
«Pessoas que fazem sexo com animais não me afectam.
O problema é só entre as pessoas e os animais com quem fazem sexo.
A questão é mesmo essa: e depois?»
Mats - «O que eu escrevi foi: Os gostos e empatia não são bases absolutas para a moralidade.
Há pessoas com "empatias" por sexo com animais. E depois?
. Concordas com isso?»

«A treta de que não existe moral fora da religião católica é uma das maiores palhaçadas
que se pode escrever e pensar e só demonstra o longo caminho que se teve de caminhar
para nos vermos livres destes moralistas de pacotilha sempre necessitados
de imporem aos outros as suas ideias.» (...)

«Vejo quase sempre os maiores moralistas em público a serem uns devassos no privado.
Desconfio sempre de pessoas moralistas, principalmente os moralistas da vida privada
- Nuvens de Fumo

Masturbar-se num quarto sozinha não afecta os outros. Afectaria se se exibisse e ejaculasse por cima dos outros. A existência de sexo homossexual não implica que tenhos de gostar ou fazer de fazer sexo homossexual ou que tenhamos de assistir tais actos. Se um homem e o seu animal de estimação gostam de fazer sexo na sua casa, não estão a incomodar ninguém - mesmo que achemos tal coisa repugnante. O problema é apenas dos que aceitam e praticam tais actos, que por isso não são morais nem imorais - são amorais. Mas para Mats a tal fonte de moralidade absoluta impõe regras para vários aspectos da vida dos indivíduos, inclusivamente na esfera privada, como um Ted Haggard a apontar-nos com o seu e a dizer que sabe o que fazemos na privacidade. Queremos ser ajudados e não queremos que nos prejudiquem, por isso a ética é necessária. A imposição de regras para além disso é meramente um capricho. Para que é que Mats se interessa se alguém masturba-se, é homossexual ou se faz sexo com animais? Pelos vistos também preocupa-se que outros imprimem marcas nos seus corpos. Talvez fique também obcecado se os homens têm barba, com o modo como cortam o cabelo (Lev. 19:27), com o que comem (Lev. 19:7, 12, 23), com o que vestem (Lev. 19:19), etc.

Curiosamente, muitos dos que defendem a Teoria dos Mandamentos Divinos usam como argumento o nosso bem-estar, imaginando gente a bater-nos por acreditar que não existe uma moral absoluta. Por exemplo, Mats disse que Barba Rija não acredita que exista uma moral absoluta porque estão de «acordo que a pedofilia é absolutamente errada sempre», rematando com «Se tens filhos, cuidado com a tua resposta..» Disse isso, apesar de também ter dito: «Matar nem sempre está errado. Por exemplo. Joshua matou os cananeus que Deus disse para matar.» e depois disse «Até parece que o assassínio é absolutamente errado. Até parece que és adepto da Lei Moral absoluta que diz "Não Matarás" (Mandamento #6).»

Esse tipo de argumento é mais explícito num vídeo do YouTube com o título "Star Trek: Planet Atheist". O imperador Carl Sagan do Planeta Deus tem o hábito de bater no seu assistente Darwin (que curiosamente não retalia). Diz que pode fazê-lo porque sem Deus não há moralidade, ou que a moralidade é o que decidimos. Capitão Kirk respondeu com um soco na cara do imperador. O imperador protestou. Kirk então disse que como a moralidade é relativa (no sentido de ser apenas uma opinião pessoal), então o imperador não tem o direito de criticar o que acha ser bom fazer. E assim mostrou que um acto é errado sem necessidade de um Deus, apesar de o objectivo ter sido o contrário.

Esse género de argumentos não funciona com actos que não nos afectam. Quem obriga os outros a fazerem o que não nos interessa é que é um problema. É aquele que está a ser imoral, tal como o que mente, rouba, viola, tortura ou assassina. Teve de ser inventado um Inferno e um voyeur chantagista para se dizer que são problemas de todos.

Uma nota final: não se pode ter empatia por sexo com animais. Pode-se é ter empatia com animais. Recomendo a Mats que procure informar-se sobre o significado das palavras antes de dizer disparates e que seja mais diversificado nos livros que lê para cultivar a mente.