Herman José teve sorte. Tinha sido apontado como um abusador de crianças em Portugal, mas esteve no Brasil num trabalho para a SIC, na altura da suposta violação sexual com um adolescente de 17 anos. Senão, também seria impossível as crianças terem inventado tal acusação. Mas outros não tiveram tanta sorte. Depois de um julgamento com seis anos, todos os arguidos foram considerados culpados e condenados. Quais são as provas? As crianças não inventam. E têm uma memória brilhante. Quem se lembra ainda de Herman José como arguido do caso da Casa Pia?
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07 setembro, 2010
11 janeiro, 2009
Engonhanço
Mats diz que faço perder o seu tempo.
Criacionistas bíblicos e OVNIs
Eu fiz esse pedido antes de dizer se existe ou não criacionistas bíblicos que acreditam em OVNIs: «Dá-me um exemplo hipotético do que faria um criacionista Bíblico que acredita em OVNIs. Presumo que aceites esse pedido, já que se eu der um exemplo, o mais provável é que coloques aspas nas palavras.»
Mats esteve a engonhar. Dei o exemplo de mórmons que acreditam no Génesis literal, que é repetido no seu livro de Mórmon e que acreditam que Jeová, Satanás, os anjos e os mortos vivem em planetas [1], e disse: «Mas também não contam, não é? Por isso é que disse um exemplo hipotético. Não me deste, e pelos vistos nunca darás.»
Mats respondeu-me assim: «Um exemplo de um criacionista bíblico? Dr Jonathan Safarti. Outro: Dr Werner Gitt.»
Portanto, Jonathan Safarti e Dr Werner Gitt acreditam em OVNIs e são dois casos hipotéticos...
Num comentário que ele escreveu neste blog ele escreveu: «Dá-me uma definição com a qual eu possa trabalhar, e pára de fazer malabarismos semânticos, e mudanças de definições quando bem te apetece», portanto presumo que ele percebeu muito bem mas não quer responder e só engonha (fazer perder tempo).
Francis Crick
Tinha pedido uma citação de Crick, pelas seguintes razões:
1) Criacionistas como Mat citam-no com um determinado propósito - exemplo: Genesis Contra Darwin > Panspermia - Salvação ou Imaginação?;
2) No artigo de Mats que dei como exemplo, eu dei respostas como comentários e fiz referência a um artigo que escrevi uma semana de teres escrito o teu, que curiosamente também serviu de resposta;
3) O que Mats atribui a Crick é Design Inteligente - Dembski afirmou, para defender a ideia de que o Design Inteligente não é o mesmo que criacionismo, que o designer inteligente poderia ser extraterrestre;
4) Mesmo em sites criacionistas é dito que ele apenas apresentou uma hipótese. Quando Francis Crick e Leslie Orgel apresentaram a proposta da Panspermia Directa na Icarus, disseram claramente que «concluíram que é possível que a vida tenha chegado à terra desse modo, mas que as provas científicas são actualmente inadequadas para dizer qual seria a probabilidade.» Ele era céptico em relação à sua própria proposta. [2]
5) Eu tento promover o cepticismo. Um céptico procura as fontes. Se alguém afirma algo, deve estar preparado para apresentá-las.
Ele não colocou qualquer citação. Em vez disso fez três perguntas com falsas dicotomias escondidas. Por exemplo, Voltaire era ateu ou teísta? Nenhum dos casos - era deísta. Também podia perguntar-me se determinado ateu que viveu antes do século de XIX era evolucionista ou criacionista. Acho que o mais provável era não ser um nem outro.
Respondo as suas questões:
«1. O Crick era um evolucionista ou um criacionsita?»
Crick era evolucionista.
«2. O Crick era ateu ou teísta?»
Ele disse que era agnóstico com fortes tendências para o ateísmo. Para mim isso é suficiente para dizer que era ateu.
«3. O Crick acreditava em vida noutros planetas ou não?»
Não tenho dados suficientes para determinar se ele acreditava na existência de vida extraterrestre. O que ele fez foi apresentar uma hipótese que o próprio admitia não ter dados para determinar as probabilidades. No entanto, respondo com um sim pelas seguintes razões: a) ele apresentou a hipótese; b) Mats acredita que sim e acho que espera que responda com um "sim"; c) estou curioso em saber no que isso dá, apesar de prever que ele vai fazer um "Ah, ah!" e concluir que Crick era supersticioso;
O grupo mais propenso
Noto que esse é o cerne da questão! Basta ler o título que Mats usou: "Ateus Mais Propensos À Superstição".
Mats diz que fez a «a distinção entre “Não existe” e “Este grupo é mais propenso”»; diz que «mo primeiro caso basta só um, no segundo caso a existência de um exemplo que contradiz a proposição não invalida a mesma.» Parece-me mas é que não fez essa distinção. Vamos supor que o exemplo de Francis Crick é válido - então Mats apresentou um único exemplo. Basear-se num número de casos insuficientes para se chegar uma conclusão é uma falácia da falsa generalização. Um único exemplo mostra apenas uma excepção à regra. Primeiro é preciso provar que um grupo é mais propenso a algo (em geral por indução). A existência de um punhado de exemplares não serve, especialmente se posso encontrar muitos mais contra-exemplos.
Ele disse-me que só pedi um: «Portanto, um exemplo de um ateu que suporta a vida em outros planetas é suficiente porque foi exactamente isso que pediste.» Ele tinha dito antes o seguinte: «Mas tu dizes para te aprsentar UM ateu que acredite em vida no espaço, e eu apresento.» Eu não disse nada disso. Mats não me citou para fundamentar que eu disse aquilo nem admitiu que enganou-se.
Ele tinha-me dado a resposta «Mas tal como já o disse várias vezes, as pessoas mais susceptíveis de acreditar na vida no espaço são os evolucionistas. Não só isso não foi refutado, como até já apresente o exemplo do Crick.» Claro que ele não me vai citar para dizer que pedi só um exemplar, porque o que ele respondeu foi a isso: «Estarias a mostrar se procurasses aqueles que acreditam nisso ou os seus textos e os apresentasses - o que já pedi imensas vezes que o fizesses»
O que é que já pedi várias vezes? Citando-me:
1) «apresente exemplos de evolucionistas e ateus que acreditam que extraterrestres visitam a Terra, tal como afirmaste no artigo;»
2) «mostre onde é que no estudo (pesquise no site da Baylor ou arranje o livro) é dito que ateus são mais propensos a superstições do que cristãos.»
No dia 29 de Dezembro eu tinha escrito: «Não basta dizer que os evolucionistas são mais propensos a acreditar em OVNIs: tens de prová-lo ou pelo menos dar diversos exemplos.»
No dia anterior - quando comecei a comentar - escrevi: «Sobre a relação entre a crença na visita de extraterrestres e na evolução: não existe. Todas as organizações religiosas ufólogas que conheço defendem o design inteligente e são inspiradas em livros sagrados como a Bíblia e o Corão.»
Eu pedi isso imensas vezes, tanto no artigo original como na sequela. Como eu sei que existem evolucionistas (em sentido lato e apoiam o design inteligente) e ateus (que apoiam o design inteligente), Mats pergunta no dia 7 de Janeiro deste ano: «Então porque é que pedes que te dê exemplos de ateus que acreditam em vida no espaço e raptos à meio da noite, quando sabes que eles existem?» Eu já tinha dado o motivo no dia 31 de Dezembro do ano passado:
Nota: estive a fazer uma pesquisa no Gallup. Escreverei umas novidades para um próximo artigo.
Criacionistas bíblicos e OVNIs
Eu fiz esse pedido antes de dizer se existe ou não criacionistas bíblicos que acreditam em OVNIs: «Dá-me um exemplo hipotético do que faria um criacionista Bíblico que acredita em OVNIs. Presumo que aceites esse pedido, já que se eu der um exemplo, o mais provável é que coloques aspas nas palavras.»
Mats esteve a engonhar. Dei o exemplo de mórmons que acreditam no Génesis literal, que é repetido no seu livro de Mórmon e que acreditam que Jeová, Satanás, os anjos e os mortos vivem em planetas [1], e disse: «Mas também não contam, não é? Por isso é que disse um exemplo hipotético. Não me deste, e pelos vistos nunca darás.»Mats respondeu-me assim: «Um exemplo de um criacionista bíblico? Dr Jonathan Safarti. Outro: Dr Werner Gitt.»
Portanto, Jonathan Safarti e Dr Werner Gitt acreditam em OVNIs e são dois casos hipotéticos...
Num comentário que ele escreveu neste blog ele escreveu: «Dá-me uma definição com a qual eu possa trabalhar, e pára de fazer malabarismos semânticos, e mudanças de definições quando bem te apetece», portanto presumo que ele percebeu muito bem mas não quer responder e só engonha (fazer perder tempo).
Francis Crick
Tinha pedido uma citação de Crick, pelas seguintes razões:
1) Criacionistas como Mat citam-no com um determinado propósito - exemplo: Genesis Contra Darwin > Panspermia - Salvação ou Imaginação?;
2) No artigo de Mats que dei como exemplo, eu dei respostas como comentários e fiz referência a um artigo que escrevi uma semana de teres escrito o teu, que curiosamente também serviu de resposta;
3) O que Mats atribui a Crick é Design Inteligente - Dembski afirmou, para defender a ideia de que o Design Inteligente não é o mesmo que criacionismo, que o designer inteligente poderia ser extraterrestre;
4) Mesmo em sites criacionistas é dito que ele apenas apresentou uma hipótese. Quando Francis Crick e Leslie Orgel apresentaram a proposta da Panspermia Directa na Icarus, disseram claramente que «concluíram que é possível que a vida tenha chegado à terra desse modo, mas que as provas científicas são actualmente inadequadas para dizer qual seria a probabilidade.» Ele era céptico em relação à sua própria proposta. [2]
5) Eu tento promover o cepticismo. Um céptico procura as fontes. Se alguém afirma algo, deve estar preparado para apresentá-las.
Ele não colocou qualquer citação. Em vez disso fez três perguntas com falsas dicotomias escondidas. Por exemplo, Voltaire era ateu ou teísta? Nenhum dos casos - era deísta. Também podia perguntar-me se determinado ateu que viveu antes do século de XIX era evolucionista ou criacionista. Acho que o mais provável era não ser um nem outro.
Respondo as suas questões:
«1. O Crick era um evolucionista ou um criacionsita?»
Crick era evolucionista.
«2. O Crick era ateu ou teísta?»
Ele disse que era agnóstico com fortes tendências para o ateísmo. Para mim isso é suficiente para dizer que era ateu.
«3. O Crick acreditava em vida noutros planetas ou não?»
Não tenho dados suficientes para determinar se ele acreditava na existência de vida extraterrestre. O que ele fez foi apresentar uma hipótese que o próprio admitia não ter dados para determinar as probabilidades. No entanto, respondo com um sim pelas seguintes razões: a) ele apresentou a hipótese; b) Mats acredita que sim e acho que espera que responda com um "sim"; c) estou curioso em saber no que isso dá, apesar de prever que ele vai fazer um "Ah, ah!" e concluir que Crick era supersticioso;
O grupo mais propenso
Noto que esse é o cerne da questão! Basta ler o título que Mats usou: "Ateus Mais Propensos À Superstição".
Mats diz que fez a «a distinção entre “Não existe” e “Este grupo é mais propenso”»; diz que «mo primeiro caso basta só um, no segundo caso a existência de um exemplo que contradiz a proposição não invalida a mesma.» Parece-me mas é que não fez essa distinção. Vamos supor que o exemplo de Francis Crick é válido - então Mats apresentou um único exemplo. Basear-se num número de casos insuficientes para se chegar uma conclusão é uma falácia da falsa generalização. Um único exemplo mostra apenas uma excepção à regra. Primeiro é preciso provar que um grupo é mais propenso a algo (em geral por indução). A existência de um punhado de exemplares não serve, especialmente se posso encontrar muitos mais contra-exemplos.
Ele disse-me que só pedi um: «Portanto, um exemplo de um ateu que suporta a vida em outros planetas é suficiente porque foi exactamente isso que pediste.» Ele tinha dito antes o seguinte: «Mas tu dizes para te aprsentar UM ateu que acredite em vida no espaço, e eu apresento.» Eu não disse nada disso. Mats não me citou para fundamentar que eu disse aquilo nem admitiu que enganou-se.
Ele tinha-me dado a resposta «Mas tal como já o disse várias vezes, as pessoas mais susceptíveis de acreditar na vida no espaço são os evolucionistas. Não só isso não foi refutado, como até já apresente o exemplo do Crick.» Claro que ele não me vai citar para dizer que pedi só um exemplar, porque o que ele respondeu foi a isso: «Estarias a mostrar se procurasses aqueles que acreditam nisso ou os seus textos e os apresentasses - o que já pedi imensas vezes que o fizesses»
O que é que já pedi várias vezes? Citando-me:
1) «apresente exemplos de evolucionistas e ateus que acreditam que extraterrestres visitam a Terra, tal como afirmaste no artigo;»
2) «mostre onde é que no estudo (pesquise no site da Baylor ou arranje o livro) é dito que ateus são mais propensos a superstições do que cristãos.»
No dia 29 de Dezembro eu tinha escrito: «Não basta dizer que os evolucionistas são mais propensos a acreditar em OVNIs: tens de prová-lo ou pelo menos dar diversos exemplos.»
No dia anterior - quando comecei a comentar - escrevi: «Sobre a relação entre a crença na visita de extraterrestres e na evolução: não existe. Todas as organizações religiosas ufólogas que conheço defendem o design inteligente e são inspiradas em livros sagrados como a Bíblia e o Corão.»
Eu pedi isso imensas vezes, tanto no artigo original como na sequela. Como eu sei que existem evolucionistas (em sentido lato e apoiam o design inteligente) e ateus (que apoiam o design inteligente), Mats pergunta no dia 7 de Janeiro deste ano: «Então porque é que pedes que te dê exemplos de ateus que acreditam em vida no espaço e raptos à meio da noite, quando sabes que eles existem?» Eu já tinha dado o motivo no dia 31 de Dezembro do ano passado:
«Estou à procura de mais ufólogos com referências sobre o Design Inteligente e a evolução e a listá-los num artigo. Já enconrei montes deles.» (...) «Como vês, não tenho problemas em fazer o teu trabalho de casa - era isso que queria que fizesses. Se quiseres podes dar uma ajuda a encontrar mais, se tiveres interessado em responder a tua própria questão. Não posso é encontrar o que não existe - ainda não me mostraste onde no estudo é dito que os ateus são mais propensos à superstição que cristãos.»Parece-me mas é que o Mats quer fugir o mais possível do que ele e Logan afirmaram. Eu próprio já disse, noutro artigo, que "existem grupos de ateus que têm religiões e partilham as superstições de teístas". Eu sei distinguir "existem" e "são os mais propensos" e mostrei-o mesmo antes de comentar nos artigos em questão de Mats. O que eu quero saber é se Mats consegue fazer a distinção.
Nota: estive a fazer uma pesquisa no Gallup. Escreverei umas novidades para um próximo artigo.
- [1]
- YouTube > Cartoon banned by the Mormon church
- Strange and Weird News Stories > Novel Relates Mormon Theology, UFOs and the Occult
- UFOArea > Is Mitt, The Best Candidate For UFO Disclosure?
- YouTube > LDS - Eternal Progression
- Ex-Mormon > Top Ten Mormon Urban Legends : «Another thing I remember hearing over the years (and first told by missionaries who baptized me) is how UFO's came to earth during the time of the pyramids but they weren't aliens as we would think but from another of God's planets and were more spiritually advanced than we are.»
- Rethinking Mormomism > LDS Mormon Science Space Doctrine > Mormon Science and Space Doctrines
- Salamander Society > Mormon Space Doctrine
- LDS Doctrine > Biblical Evidence Against "Ex Nihilo" Creation
- The Church of Jesus Christ of the Latter Days > The Creation
- The Neal A. Maxwell Institute for Religious Scholarship > Mormonism and Intelligent Design
- LDS-Mormon > Can Mormons believe in evolution given what their leaders have said?
- Statement of the BYU Board of Trustees on Evolution > Evolution and the origin of man
- Light Planet > Mormons > LDS Belief in the Bible
- LDS > Scriptures > Genesis
- LDS > Scriptures > Book of Moses
- [2]
- Conservapedia > Directed panspermia
- Conservapedia > Extraterrestrial life :
- Got Question? > What is the theory of directed panspermia?
- IdeaCenter > Problems with Panspermia or Extraterrestrial Origin of Life Scenarios
- UFO Digest > Intelligent Design as well as Panspermia both Deny Darwinian Chance Evolution
- Space Daily > Francis Crick Remembered
- A Visit with Dr. Francis Crick > A Visit With Dr. Francis Crick : «In his book, Life Itself: Its Origin and Nature, Crick propounds the theory of directed panspermia that he and colleague Leslie Orgel developed to explain the origin of life on earth. This notion that life on earth was seeded by microorganisms from a higher civilization and sent through space on unmanned rockets remains outside the mainstream of science; however, the mental exercises that Crick entertains both for and against his theory are stimulating and informative.»
- FAQs > Theories > Directed Panspermia
- Rational Wiki > Directed panspermia
- AnswersInGenesis > Designed by aliens? Discoverers of DNA’s structure attack Christianity
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04 janeiro, 2009
Falsa dicotomia, probabilidades e indução
«Quantas vezes já disse que quando eliminas o impossível,
seja o que restar, por mais improvável que seja, deve ser verdadeiro?»
- in "As Aventuras de Sherlock Holmes - O Sinals dos Quatro" cap. 6
seja o que restar, por mais improvável que seja, deve ser verdadeiro?»
- in "As Aventuras de Sherlock Holmes - O Sinals dos Quatro" cap. 6
No artigo anterior disse que o que Mats apresentou era um exemplo de dicotomia, no entanto parece que referia-se a essa falsa dicotomia: 1) ou todos os bilhetes são premiados, 2) ou nenhum bilhetes é premiado. É uma falsa dicotomia, porque para além desses dois casos, poderia haver apenas um ou mais bilhetes premiados entre outros que não são premiados.
Isso seria uma analogia para a falsa dicotomia: 1) ou todos os deuses são verdadeiros, 2) ou todos os deuses são falsos. Não equivale a dizer que a impossibilidade de provar a inexistência de algo em específico não significa que esse algo existe. Nem equivale a dizer que não se acredita em algo porque usa-se o mesmo critério que nos leva a não acreditar noutras coisas. Aparentemente não intencionalmente, Mats cometeu um argumento homem-palha, com uma interpretação de uma fracção de um texto que não era intenção do seu autor. [1]
Existe uma dicotomia quando, para um problema, considera-se apenas como opções dois casos exclusivos. Por exemplo:
- 1) ou é verdadeiro, 2) ou é falso
- 1) ou o bilhete é premiado, 2) ou não é premiado
- 1) ou existe algum deus, 2) ou nenhum deus existe
"1) ou todos os deuses são verdadeiros, 2) ou todos os deuses são falsos" - que não é o mesmo - é uma falsa dicotomia porque existem mais opções: existir só um deus, ou um par de deuses, etc.
Probabilidades
Se atirar uma moeda ao ar, sai caras ou coroa. A probabilidade de sair caras é 1/2. Agora vamos supor que sabem que num papel está escrito "Iavé existe" ou "Iavé não existe", mas não sabem qual das frases está escrita. A probabilidade de estar escrito "Iavé existe" é 1/2. Obviamente, depois de ver o que está escrito, a probabilidade será 1 - se tiver escrito "Iavé existe" - ou zero - se tiver escrito "Iavé não existe".
Agora vamos supor que escrevo qualquer coisa num papel - qual é a probabilidade de estar escrito "Iavé existe"? É verdade que 1) ou escrevi "Iavé existe" 2) ou não escrevi "Iavé não existe". Portanto o número de casos favoráveis é igual a 1 e o número de casos possíveis é igual a 2, por isso a probabilidade de ter escrito "Iavé existe" é igual a 1/2, não é? Qual é a probabilidade de ter escrito "Iavé não existe"? 1/2? E qual é a probabilidade de ter escrito "O Monstro do Esparguete Voador existe"? E de ter escrito "O Bule Celestial existe"? Se deu sempre como resposta 1/2, some tudo e o resultado será superior a 1, apesar de a soma de todo o universo de resultados dever ser igual a 1.É verdade que só posso ter escrito "Iavé existe" ou não ter escrito "Iavé existe". Mas também é verdade que ou escrevi "Iavé existe", ou escrevi "Iavé não existe", ou escrevi "O Monstro do Esparguete Voador existe", ou escrevi "O Bule Celestial existe", ou escrevi "Sou o Pedro", ou escrevi "Olá Mundo", ou escrevi qualquer outra coisa. Se os casos possíveis são infinitos, então a probabilidade de ter escrito "Iavé existe" é igual a zero no limite (ao dividir um por números cada vez maiores, os resultados tendem para zero). Essa é a mesma probabilidade de seleccionar aleatoriamente um número entre os números reais e esse número ser, por exemplo, o π. [3]
Vamos aplicar o mesmo processo ao exemplo dos bilhetes de lotaria: qual é a probabilidade de sair um bilhete premiado. Ou o bilhete é premiado ou não é premiado. Dizer que a probabilidade é 1/2 equivale a dizer que a probabilidade dos apostadores ganharem um prémio é 1/2. Se assim é, então cerca de metade dos que jogam na lotaria tem o seu bilhete premiado.
Indução
Agora apresento um exemplo clássico em Filosofia. Acredita que todos os corvos são negros? Porquê? Não se fundamenta na falsa dicotomia 1) ou todos os corvos são negros 2) ou nenhum corvo é negro?Houve uma altura em que tinham sido já vistos imensos de cisnes e todos eram brancos. Seria razoável acreditar que existem cisnes negros? Na Austrália foram descobertos cisnes negros, contrariando a ideia de que todos os cisnes são brancos. Então, acreditam que todos os corvos são negros? Existe a mesma razão para acreditar que sim: existe um enorme número de casos particulares para se poder generalizar com um grande grau de segurança (indução). É claro que isso não significa que é logicamente impossível encontrar um contra-exemplo, tal como no caso dos cisnes, mas nestes casos o razoável é assumir uma lei geral com base nas estatísticas, especialmente se isso depender de decisões a serem tomadas. Existe a noção de que basta um corvo branco para refutar a ideia de que todos os corvos são negros. A questão é que nunca foram encontrados corvos brancos, mas foram sempre encontrados corvos negros. [4]
- [1]
- Mats: «Usando esta “lógica” (a mesma que o Dawkins usa) eu posso dizer que todos os bilhetes da lotaria são falsos, porque existem alguns que são falsos.»
- Dawkins, in "The Root of All Evil": «Não podem refutar a existência do bule» (...) «Ninguém, a não ser um louco, diz: "estou preparado para acreditar porque não consigo refutá-lo"» (...) «Existe um número de infinito de coisas como o bule celestial que não podemos refutar. Existem fadas, existem unicórnios, goblins... não podemos refutar qualquer uma dessas coisas. Mas não acreditamos nelas, tal como não acreditamos em Tor, Amon-Rá ou Afrodite. Somos todos ateus relativamente a quase todos os deuses que a humanidade já acreditou. Alguns de nós apenas vão para além de um deus.»
- [2]
- Dicionário Escolar de Filosofia > quantificador
- Wikipedia > Quantificador universal > Negação
- Wikipedia > Universal quantification > Negation
- WikiBook > Lógica: Cálculo Quantificacional Clássico: Dedução Natural no CQC
- Meu Mundo > Raciocínio Lógico > Lógica das Proposições > Implicação e Equivalência Lógicas
- Head Like a Hole > Lógica > Logic Parser
- [3]
- Universidade Federal de Viçosa > Probabilidade - Distribuição Binominal
- Fallacy Files > Logical Fallacy
- Wikipedia > Probabilidade condicionada
- Probability Theory
- Omega Math > Basic Laws of Probability
- Dicionário de Filosofia de J. Ferrater Mora > Tomo II > Indirecto (p. 1487)
- Yahoo Answers > Can you divide by infinity?
- WikiBooks > High School Mathematics > Limits infinity get rid
- [4]
- OL > Educação > Lógica > Indução > Casos particulares se tornam lei geral
- OL > Educação > Matemática > Dedução indução > Noções elementares de lógica
- Ser professor universitário > Indução, dedução e lógica
- Blog Tecnologia e Educação > Indução e Dedução - Aplicação na Lógica dos Computadores
- Logosfera > Karl Popper e o princípio de indução
- Wikipedia > Raciocínio indutivo
- Wikipedia > Falseabilidade
- Scielo Brasil > História, Ciências, Saúde-Manguinhos > O paradigma da epistemologia histórica: a contribuição de Thomas Kuhn
- Crítica > Pensar e Agir — Manual de Filosofia, 10.º ano
- Crítica > Guia de falácias > Falácias indutivas
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31 julho, 2008
A Ciência e o Criacionismo - p3 (Religião e Ciência)
(cont.)
ou: quando um livro sagrado não é interpretado de forma literal
Anaxágoras ao formular a hipótese de que o Sol é uma rocha incandescente e que a Lua é uma rocha com vales e montanhas como a Terra, e que esta não tem luz própria, sendo iluminada pelo Sol, foi perseguido pelos que acreditavam que o Sol e a Lua eram deuses, obrigando-o a abandonar Atenas. [1] É esse o papel da Religião como conjunto de "verdades" dogmáticas: colocar obstáculos à Ciência, impedindo a investigação. É essa a mensagem transmitida por religiosos como Mats e Fábio Vanini. E ainda dizem que não é um ataque à Ciência, tal como não foi foi ataque à Ciência dizer que a Terra não pode fazer um movimento de translação em torno da Terra por causa da Bíblia, de tal modo que seria tão errado como dizer que Jesus não nasceu de uma virgem.
- Filosofia
A Filosofia e a Ciência, como conceitos próximos daqueles que temos, surgiram com o cepticismo em relação às religiões na Grécia. É assim que começam os livros de História da Filosofia, apresentando as explicações da escola de Mileto que tentavam explorar explicações para a origem do Mundo com a ideia de elementos primordiais (o éter, a água, o ar, o fogo, a terra). Questionando a religião, as tradições e o senso-comum foram elaboradas várias ideias semelhantes ao que se veio descobrir posteriormente e aos princípios científicos, e foram feitas descobertas e construídos inventos. Se retirar esse espírito livre e inquisidor, deixa de haver Filosofia (quanto muito, não passaria de pseudo-filosofia). [2]
- Ciência
Quando esse espírito tornou-se censurado em toda a Europa, muito conhecimento foi perdido. Nem sequer usava-se canalizações como os romanos. Apenas foi recuperado graças a árabes, que - tendo em conta a época - eram tolerantes e de espírito aberto, e mantiveram obras perdidas na Europa. Tendo em conta o conhecimento adquirido graças aos estrangeiros, incentivaram a certas áreas da Ciência, como a Matemática, Astronomia, Óptica, Mecânica e Medicina, e fizeram diversas descobertas. Foram os monges que preservaram essas obras pagãs nas bibliotecas, que tinham as suas horta que serviram para fármacos, hospitais e um local para autópsias, ferreiros, fabricantes de lentes, etc. Reconhecendo a superioridade da antiga cultura greco-romana, a Idade Média termina com o renascimento do espírito Clássico, notando-se isso inclusivamente nas artes. [3]
Religiosos liberais, como Guilherme de Occam, Duns Escoto, Roger Bacon e Giordano Bruno, influenciados pelas obras pagãs, tinham defendido o livre-pensamento, a separação da Razão e da Fé e um método científico baseado na experiência, ao invés da autoridade. Bacon, inclusivamente, defendia que as traduções da Bíblia eram forjadas. Foram perseguidos e condenados pelas suas ideias. [4]
- Interpretação não literal
Copérnico notou que seria mais fácil calcular as posições dos astros se considerasse o Sol como estando no centro do Universo. O editor (Osiander) da sua obra acrescentou um prefácio para não se envolver e mitigar os seus efeitos (o Heliocentrismo é apenas para ajudar nos cálculos, mas não quer dizer que seja verdadeiro na práctica). Os copernicanos foram considerados infiéis e ateus, por contradizem a interpretação literal da Bíblia. [5]
Johannes Kepler elaborou a hipótese do Divino Geómetra, mas ficou a saber que as observações contradiziam essa hipótese e à crença da Harmonia das Esferas Celestes. Continuou a obra de Tycho Brahe, descartando as suas próprias crenças religiosas, dando o primeiro passo para a astronomia moderna. Foi excomungado pela Igreja Luterana e a sua mãe foi acusada de bruxaria.
Cientistas, como Galileu, defenderam que a Igreja não deveria interferir em matéria científica e que a Bíblia não deveria ser interpretada de forma literal (Galileu dizia que a Bíblia não servia para ensinar Ciência). Tinha a sorte de ter o Papa Urbano VIII como seu amigo, mas a sorte não durou muito. Como resposta às críticas de protestantes por causa das interpretações mais liberais das Escrituras pela Igreja Católica, tinha sido convocado o Concílio de Trento ou da Contra-Reforma, por isso a atitude de Galileu era intolerável. Foi depois de Isaac Newton (que era anti-trinitário) que a Igreja perdeu poder e influência na Ciência, e foi só em 1893, com a encíclica Providentissimus Deus do Papa Leão XII, que a Igreja reconheceu o método de exegese de Galileu. [6]
A Ciência moderna nasceu da rebelia de cristãos interessados pelo conhecimento de pagãos, liberais que diziam que a Bíblia não devia ser interpretada de forma literal e que a Religião não deveria interferir na Ciência. Depois de se descobrir que a Terra não era o centro do Universo e que era apenas um ponto numa imensidão, as crenças pessoais passaram a ser questionadas e muitos passaram a ser cépticos em relação à existência de Deus. Mesmo que haja a crença num Deus ou no sobrenatural, tal como na Filosofia, se não há dúvida, não há Ciência. Quem é contra esse espírito ou contra os princípios fundamentais da Ciência - quem tem medo dela - opõe-se a ela.
Entre os cristãos, foram os liberais na interpretação bíblica que permitiram a redescoberta e o avanço da Ciência. Não foram com pessoas como os actuais criacionistas. [7]
Referências e sugestões, que permitem investigar mais, chegarem às suas próprias conclusões, confirmar ou corrigir o que é aqui afirmado (para o Mats: é isto é que é "mostrar alguma coisa"):
«A mensagem do post é para dizer sempre que as opiniões dos homens e a Palavra de Deus entram em choque, não é sensato pôr o nosso futuro eterno nas mãos dos primeiros. É mais sensato e mais lógico pôr a nossa existência nas Mãos Daquele que de facto sabe tudo, e nunca se engana, e nunca engana.»
- Mats
«A Religião não impede a investigação científica, ela somente condena àqueles que desafiam Deus. O livre-pensamento ou duvidar de Deus é uma forma de querer substituí-lo por si próprio.»Religião e Ciência;
- Fábio Vanini, do Montfort
«Mesmo ao senhor, não lhe parece provável que o Criador saiba mais que a sua criatura a respeito da criação?» - Cardeal Robert Bellarmino
«Dizer que a Terra move-se em torno do Sol é tão erróneo como dizer que Jesus não nasceu de uma virgem.» - Cardeal Robert Bellarmino
«Que o Sol é o centro do Universo e que não sai do seu sítio é uma afirmação absurda, falsa e herética em filosofia; sendo expressamente oposta à Sagrada Escritura.»
- confissão de Galileu [fonte: "As grandes ideias que moldaram o nosso Mundo", de Pete Moore]
ou: quando um livro sagrado não é interpretado de forma literal
«A religião que tem medo da ciência desonra Deus e comete suicídio.»
- Ralph Waldo Emerson
- Ralph Waldo Emerson
«Se a Ciência provar que uma crença Budista é falsa, então o Budismo deve mudar.»
- Dalai Lama
- Dalai Lama
«a Bíblia mostra como se vai para o céu, e não como vai o céu»
- Galileu Galilei
(parafraseando o Cardeal César Baronius,
e citado por João Paulo II)
- Galileu Galilei
(parafraseando o Cardeal César Baronius,
e citado por João Paulo II)
Anaxágoras ao formular a hipótese de que o Sol é uma rocha incandescente e que a Lua é uma rocha com vales e montanhas como a Terra, e que esta não tem luz própria, sendo iluminada pelo Sol, foi perseguido pelos que acreditavam que o Sol e a Lua eram deuses, obrigando-o a abandonar Atenas. [1] É esse o papel da Religião como conjunto de "verdades" dogmáticas: colocar obstáculos à Ciência, impedindo a investigação. É essa a mensagem transmitida por religiosos como Mats e Fábio Vanini. E ainda dizem que não é um ataque à Ciência, tal como não foi foi ataque à Ciência dizer que a Terra não pode fazer um movimento de translação em torno da Terra por causa da Bíblia, de tal modo que seria tão errado como dizer que Jesus não nasceu de uma virgem.
- Filosofia
A Filosofia e a Ciência, como conceitos próximos daqueles que temos, surgiram com o cepticismo em relação às religiões na Grécia. É assim que começam os livros de História da Filosofia, apresentando as explicações da escola de Mileto que tentavam explorar explicações para a origem do Mundo com a ideia de elementos primordiais (o éter, a água, o ar, o fogo, a terra). Questionando a religião, as tradições e o senso-comum foram elaboradas várias ideias semelhantes ao que se veio descobrir posteriormente e aos princípios científicos, e foram feitas descobertas e construídos inventos. Se retirar esse espírito livre e inquisidor, deixa de haver Filosofia (quanto muito, não passaria de pseudo-filosofia). [2]
- Ciência
Quando esse espírito tornou-se censurado em toda a Europa, muito conhecimento foi perdido. Nem sequer usava-se canalizações como os romanos. Apenas foi recuperado graças a árabes, que - tendo em conta a época - eram tolerantes e de espírito aberto, e mantiveram obras perdidas na Europa. Tendo em conta o conhecimento adquirido graças aos estrangeiros, incentivaram a certas áreas da Ciência, como a Matemática, Astronomia, Óptica, Mecânica e Medicina, e fizeram diversas descobertas. Foram os monges que preservaram essas obras pagãs nas bibliotecas, que tinham as suas horta que serviram para fármacos, hospitais e um local para autópsias, ferreiros, fabricantes de lentes, etc. Reconhecendo a superioridade da antiga cultura greco-romana, a Idade Média termina com o renascimento do espírito Clássico, notando-se isso inclusivamente nas artes. [3]Religiosos liberais, como Guilherme de Occam, Duns Escoto, Roger Bacon e Giordano Bruno, influenciados pelas obras pagãs, tinham defendido o livre-pensamento, a separação da Razão e da Fé e um método científico baseado na experiência, ao invés da autoridade. Bacon, inclusivamente, defendia que as traduções da Bíblia eram forjadas. Foram perseguidos e condenados pelas suas ideias. [4]
- Interpretação não literal
Copérnico notou que seria mais fácil calcular as posições dos astros se considerasse o Sol como estando no centro do Universo. O editor (Osiander) da sua obra acrescentou um prefácio para não se envolver e mitigar os seus efeitos (o Heliocentrismo é apenas para ajudar nos cálculos, mas não quer dizer que seja verdadeiro na práctica). Os copernicanos foram considerados infiéis e ateus, por contradizem a interpretação literal da Bíblia. [5]
Johannes Kepler elaborou a hipótese do Divino Geómetra, mas ficou a saber que as observações contradiziam essa hipótese e à crença da Harmonia das Esferas Celestes. Continuou a obra de Tycho Brahe, descartando as suas próprias crenças religiosas, dando o primeiro passo para a astronomia moderna. Foi excomungado pela Igreja Luterana e a sua mãe foi acusada de bruxaria.
Cientistas, como Galileu, defenderam que a Igreja não deveria interferir em matéria científica e que a Bíblia não deveria ser interpretada de forma literal (Galileu dizia que a Bíblia não servia para ensinar Ciência). Tinha a sorte de ter o Papa Urbano VIII como seu amigo, mas a sorte não durou muito. Como resposta às críticas de protestantes por causa das interpretações mais liberais das Escrituras pela Igreja Católica, tinha sido convocado o Concílio de Trento ou da Contra-Reforma, por isso a atitude de Galileu era intolerável. Foi depois de Isaac Newton (que era anti-trinitário) que a Igreja perdeu poder e influência na Ciência, e foi só em 1893, com a encíclica Providentissimus Deus do Papa Leão XII, que a Igreja reconheceu o método de exegese de Galileu. [6]
A Ciência moderna nasceu da rebelia de cristãos interessados pelo conhecimento de pagãos, liberais que diziam que a Bíblia não devia ser interpretada de forma literal e que a Religião não deveria interferir na Ciência. Depois de se descobrir que a Terra não era o centro do Universo e que era apenas um ponto numa imensidão, as crenças pessoais passaram a ser questionadas e muitos passaram a ser cépticos em relação à existência de Deus. Mesmo que haja a crença num Deus ou no sobrenatural, tal como na Filosofia, se não há dúvida, não há Ciência. Quem é contra esse espírito ou contra os princípios fundamentais da Ciência - quem tem medo dela - opõe-se a ela.Entre os cristãos, foram os liberais na interpretação bíblica que permitiram a redescoberta e o avanço da Ciência. Não foram com pessoas como os actuais criacionistas. [7]
Referências e sugestões, que permitem investigar mais, chegarem às suas próprias conclusões, confirmar ou corrigir o que é aqui afirmado (para o Mats: é isto é que é "mostrar alguma coisa"):
- [1]
- "Ideas that have helped mankind", by Bertrand Russell
- about.com > Anaxagoras of Clazomenae Biography
- Standford Encyclopedia of Philosophy > Anaxagoras
- Hannover College > The Department of History > "Anaxagoras, Fragments and Commentary" by Arthur Fairbanks
- [2]
- Wikipedia > Filosofia
- "História da Filosofia", de Bryan Magee: «Os primeiros filósofos faziam duas grandes rupturas com o passado simultaneamente. Em primeiro lugar, eles tentavam compreender o mundo através do uso da razão, sem recorrerem à religião, revelação, à autoridade ou à tradição. Por si só, isto era algo completamente novo e foi um dos marcos mais importantes no desenvolvimento humano. Mas, ao mesmo tempo, eles estavam a ensinar as pessoas a usar também o seu próprio raciocínio e a pensar por si só; por isso, nem sequer esperavam que os seus discípulos concordassem necessariamente com eles.»
- "O Mundo de Sofia", de Jostein Gaarder - Capítulo 3, A Visão Mitológica do Mundo
- e-física > A Mecânica na Grécia Antiga
- [3]
- Wikipedia > Ciência Islâmica
- Wikipedia > Science in the Midle Ages
- O Holóscopo > A história da ciência islâmica
- History for Kids > Medieval Science
- Università degli Studi di Cagliari > History of Medicine
- San Francisco Unified School District >Science and Math > Science & Mathematics in Medieval Islamic Cultures
- History of Astronomy - Medieval Astronomy to the Scientific Revolution
- Karolinska Institutet > Classical Islamic Medicine
- Hong Kong University of Science and Technology Library > History of Science > Medieval Times
- YouTube > Science and the Koran: The Golden Age
- YouTube > (Spain before 1492) Islamic Empire in Europe 1-11
- [4]
- Wikipedia (en) > Roger Bacon
- Wikipedia > Roger Bacon
- Wikipedia > William de Ockam
- Wikipedia > Giordano Bruno
- Wikipedia > Duns Escote
- De Rerum Natura > Livros fatais aos seus autores
- Brasil Escola > Roger Bacon, o "Doutor Mirabilis"
- N9 > Arco-íris, Sobrenatural ou Natural?
- [5]
- "When the Earth Moved - Copernicus and his Heliocentric System of the Universe", by Dr. Severyn Żołędziowski
- Glasgow University Library > Nicolaus Copernicus - De Revolutionibus
- The Galileo Porject > Copernican System
- Astronomia e Astrofísica > Movimentos dos Planetas > Tycho, Kepler e Galileo
- De Rerum Natura > Coimbra e a Génese da Ciência Moderna
- "História Ilustrada da Ciência - A Astrononomia - À Descoberta do Infinito", de Giancarlo Masini: «É necessário recordar que primeiramente os luteranos e depois os católicos achavam extremamente "desagradável" a ideia de ser a Terra a mover-se e não o Sol, sobretudo em relação ao famoso passo da Bíblia no qual se narra como Josué "parara o Sol"» (...) «Passaram-se muitos séculos para que os intérpretes das Sagradas Escrituras reconhecessem um facto que hoje todos aceitam, isto é, que a Bíblia usava uma linguagem figurada adaptada à época em que foi escrita. Portanto, não podia ter o valor de um livro científico. Copérnico morreu antes de ver publicada a sua obra e talvez tenha tido sorte porque teve de suportar as perseguições de que foram vítimas seus adeptos.»
- [6]
- Wikipedia (en) > Johannes Kepler
- NASA > Johannes Kepler: His Life, His Laws and Times
- Permanencia > O Processo de Galileu
- Vatican > I documenti del processo di Galileo Galilei, a cura di SERGIO PAGANO (collaborazione di ANTONIO G. LUCIANI), 1984, pp. XXVIII, 280, tav. 6
- De Rerum Natura > A Vida de Galileu
- Wikipedia > Galileu Galilei
- About.com > Inventors >Galileu Galilei
- Catholic Education Resource Center > The Galileo Affair
- History of Science > Galileo, Letter to the Grand Duchess Christina
- Wikipedia > Concílio de Trento
- Montfort > Concílio Ecumênico de Trento
- "História da Filosofia", de Bryan Magee - "Os primórdios da Ciência Moderna": «As consequências da obra de Newton para a filosofia foram enormes» (...) «todas as avaliações da natureza do próprio conhecimento e das suas bases, e da forma como se chegou até lá, tinham que aplicar-se à ciência se se pretendesse que tivessem credibilidade. No que respeita à ciência, as antiquíssimas autoridades da Igreja e do Estado simplesmente não existiam. A verdade não dependia em absoluto do que elas diziam: agora, a verdade seria estabelecida por métodos que operavam independentemente delas.»
- [7]
- De Rerum Natura > Porquê Deus, se tenho a ciência?
- De Rerum Natura > De Genesis ad litteram
- ChristianAnswers > What were Galileo's scientific and biblical conflicts with the Church?
- Talk Origins > Literalism
- James F. McGrath > Genesis 1-2 : Interpreting Israel's Creation Story
- TheSkepticAnnotatedBible > Science and History in the Bible
- Religious Tolerance > Science and religion: Conflicts & occasional agreements
- History of Ideas > History of the Conflict between Religion and Science / By John William Draper (Electronic Text Center, University of Virginia Library)
- EvoBio > Os "cientistas" criacionistas
- Dicionário Céptico > Criacionistas e Ciência da Criação
- SciLigion > Are we learning from History?
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29 julho, 2008
A Ciência e o Criacionismo - p1 (A Ciência falível)
«Não fosse suficiente o mundo ateu estar em oposição à ciência, à moralidade,ao pensamento lógico e a Deus, os ateus ainda têm que lidar com as palavras de pessoas que abandonaram a sua religião, e que agora escrevem contra ela.»- "Mats", no artigo "Ex-Ateu Anthony Flew Ataca Dawkins"
Estava a preparar este artigo na semana passada, mas tive na Suíça durante a sexta-feira, fim-de-semana e segunda-feira. O esboço começava com a citação inicial, mas antecipei o seu conteúdo no blog "Génesis Contra Darwin", e Mats então criou um artigo relacionado. Mas deu um tiro no pé.
É curioso que diga que os ateus estão em oposição à ciência, pois costumam ser acusados do oposto - de serem cientificistas -, lembrando-lhes as limitações e males da Ciência. Basta citar religiosos sobre ateus. Por exemplo:
«Quando um cientista não crente, por exemplo, afirma que Deus não existe, baseia-se frequentemente em argumentos próprios de uma perspectiva científica estrita, e desta forma acaba por fazer uma afirmação prática da capacidade da ciência para responder às tais grandes questões da nossa existência.» (...) «Enquanto numa visão materialista este fundamento último se reduz a um algo que podemos conhecer cientificamente, as grandes religiões monoteístas procuram e acreditam num Deus que é Alguém e não uma coisa, e que não é, portanto, totalmente cognoscível pelo método da ciência.» - Companhia dos Filósofos > O fundamento último da existência: algo ou alguém?Mesmo neste blog um comentador anónimo, em resposta a um artigo que escrevi, respondeu-me como se eu talvez fosse um cientificista:
«Mas, se, como eu, encarares a ciência como uma religião, e todos sabemos do fervor de alguns (Voltaire, por exemplo, e os seus apelos à mentira), e contabilizares o número de mortes que ela já provocou, perdoa-me, mas a Igreja é um mero amador perto disso. E reconheces tu quantos milhões pôs ela na cadeia? (impressões digitais, adn, balistica, decidindo o que é doença e o que não é, condenando e absolvendo). Se disseres: sim, mas ela está certa! Repetes somente o que disseram os padres durante a Idade Média.»Por outro lado, Ben Stein não teve problemas em dizer: «O amor em Deus, a compaixão e empatia levam a um lugar glorioso. A Ciência leva-nos a matar pessoas.»
Neste artigo pretendo apenas lembrar um dos aspectos da Ciência que foi fundamental ao sucesso actualmente reconhecido pela maioria, para comparar com a atitude criacionista presente em sites como o blog "Génesis contra Darwin" e "AnswersInGenesis".
A Ciência falível
«Cientistas têm preconceitos. Religiosos fazem coisas horríveis e têm preconceitos.
Mas absolutamente intrínseco no método científico está o mecanismo de correcção de erros,
que nos diz que nunca devemos esquecer disso. Esse mecanismo não está presente na religião.»
Mas absolutamente intrínseco no método científico está o mecanismo de correcção de erros,
que nos diz que nunca devemos esquecer disso. Esse mecanismo não está presente na religião.»
Como qualquer pessoa que tenha formação científica deve saber, a Ciência não é infalível, mas é auto-correctiva, por isso vai melhorando com o tempo. Sobre isso muitas vezes é exemplificada a Teoria da Relatividade, que é mais precisa do que a Teoria da Gravitação Universal de Newton (esta agora é usada quando a margem de erro é negligenciável, pois os cálculos são mais fáceis). Por causa dessa melhoria que afecta o nosso conhecimento sobre a gravidade, foi possível, por exemplo, construir satélites, apesar de a teoria ser contrária ao senso-comum. Mesmo os júris da Comissão do Prémio Nóbel não a compreendiam (por isso o processo arrastou-se durante oito anos), mas sem ela, os GPS não existiriam nem a Internet. Mas isso não quer dizer que se tenha atingido a perfeição nessa área. Por manter esse espírito céptico em relação ao próprio sistema de crenças estabelecido que são sempre investigadas, e em relação às hipóteses que são seleccionadas, a Ciência vai progredindo com notável sucesso. E esse espírito é basilar para o método científico. Se a Religião define-se por existência de dogmas, então a postura da "ciência como religião" é anti-científica.Referências / Sugestões complemetares:
- HowStuffWorks > Como funciona o método científico
- Pensamentos Tecnológicas > Método Científico
- Projeto Ockam > Método científico
- divulgar ciência > método científico
- CaioZip > Albert Einstein
- Deduções Lógicas > Relatividade e os GPS
- YouTube > Dawkins gives an example of the anti-dogmatism of science
- YouTube > Gravity - From Newton to Einstein - The Elegant Universe
- YouTube > potholer54 > The Scientific Method Made Easy
- YouTube > Doubt, Uncertainty, and the Scientific Method
- YouTube > How Science Humble Us
- "Um Mundo Infestado de Demónios - A Ciência como Uma Luz na Escuridão", de Carl Sagan
- "A Experiência Matemática", de Philip J. Davis e Reuben Hersh
- "Einstein para principiantes", de Michael Mcguinness e Joseph Schwartz
(cont.)
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01 junho, 2008
Uma questão de fé
Hoje no canal Hollywood assisti o final do filme "Miracle on 34th Street" (versão de 1994), que é bastante curioso na sua mensagem. No trailer é dito (traduzido em português): «Eles dizem que ver é acreditar, mas a verdade é que o mundo une-se pelo que não se pode ver». É sobre o Pai Natal! Um homem (Kris Kringle) acredita que é o Pai Natal, e por isso outro homem (o vilão) leva-o a Tribunal para o declarar mentalmente doente, obrigando-o a ser tratado.
O que vou contar é parte do final do filme, por isso se quiserem assistam-no primeiro.
Uma menina que acredita que o tal Kringle é o Pai Natal oferece um cartão de Natal ao juíz. Ao abri-lo encontra uma nota de um dólar com o mote em destaque com uma linha vermelha: «In God We Thrust» (em português: "Em Deus Confiamos"). O juíz ficou comovido: é apenas uma questão de fé. Se o Governo Norte-Americano pode imprimir notas de um dólar exprimindo a confiança num Deus apenas pela fé, então pode determinar que o Pai Natal existe e que é Kris Kringle. Provou-se que o Pai Natal existe do mesmo modo que se prova que existe um Deus... O vilão do filme aparece no seu escritório a dizer que aquilo é ridículo, e dois dos seus empregados acenam concordando. Mas quando o vilão sai de cena, os empregado mostram uns crachás que diziam que acreditam no Pai Natal.
Parece muitos crentes vêem os descrentes como sendo como o vilão desse filme; fez-me lembrar uns comentários e mensagens pessoais de Renfield37 que recebi no YouTube:
(...) «but most the people who want to think and believe it did happen, dont want God they want to think they are god» (...) «they dont want to admit to God being real because that means they will be judged, but they will not admit they wrong because of the stupid arrogants and pride»
(...) «it is the fact you dont want to admit your wrong or the fact that there is a God , and that he is going to judge this world again» (...) «you are arrogant because you dont want to think there is a God.
or that you dont need one, and the fact you dont like is that your not one.
and you dont want to believe you have been doope3d and brainwashed by this stupid thinking»
«God knows you, and says how you are.. i dont have to know you it is NOT an assumption it is a fact, you just dont like it»
Ou seja: ele diz que quem não acredita que o seu Deus existe é arrogante porque não quer acreditar que existe um Deus, que não gostam Deus, e os evolucionistas sofreram uma lavagem cerebral. Ah, e claro que ele não me conhece mas diz que não faz assumpções sobre mim: o que ele diz sobre mim é um facto. Isso de um indivíduo cujos sites e vídeos (44) são unicamente dedicados a Kent Hovind, com páginas de vídeos sujeitos à censura (nos comentários e pontuações), parece não ter outros interesses para além dos seus ensinamentos, e é obcecado pelo que os outros acreditam ou não. Conclusão: não acredito no Pai Natal porque não gosto dele. Sou arrogante, logo não acredito. O que preciso é ter fé. Mas também não acreditam no Pai Natal, pois não? Seus maus!
O que vou contar é parte do final do filme, por isso se quiserem assistam-no primeiro.
Uma menina que acredita que o tal Kringle é o Pai Natal oferece um cartão de Natal ao juíz. Ao abri-lo encontra uma nota de um dólar com o mote em destaque com uma linha vermelha: «In God We Thrust» (em português: "Em Deus Confiamos"). O juíz ficou comovido: é apenas uma questão de fé. Se o Governo Norte-Americano pode imprimir notas de um dólar exprimindo a confiança num Deus apenas pela fé, então pode determinar que o Pai Natal existe e que é Kris Kringle. Provou-se que o Pai Natal existe do mesmo modo que se prova que existe um Deus... O vilão do filme aparece no seu escritório a dizer que aquilo é ridículo, e dois dos seus empregados acenam concordando. Mas quando o vilão sai de cena, os empregado mostram uns crachás que diziam que acreditam no Pai Natal.
Parece muitos crentes vêem os descrentes como sendo como o vilão desse filme; fez-me lembrar uns comentários e mensagens pessoais de Renfield37 que recebi no YouTube:
(...) «but most the people who want to think and believe it did happen, dont want God they want to think they are god» (...) «they dont want to admit to God being real because that means they will be judged, but they will not admit they wrong because of the stupid arrogants and pride»
(...) «it is the fact you dont want to admit your wrong or the fact that there is a God , and that he is going to judge this world again» (...) «you are arrogant because you dont want to think there is a God.
or that you dont need one, and the fact you dont like is that your not one.
and you dont want to believe you have been doope3d and brainwashed by this stupid thinking»
«God knows you, and says how you are.. i dont have to know you it is NOT an assumption it is a fact, you just dont like it»
Ou seja: ele diz que quem não acredita que o seu Deus existe é arrogante porque não quer acreditar que existe um Deus, que não gostam Deus, e os evolucionistas sofreram uma lavagem cerebral. Ah, e claro que ele não me conhece mas diz que não faz assumpções sobre mim: o que ele diz sobre mim é um facto. Isso de um indivíduo cujos sites e vídeos (44) são unicamente dedicados a Kent Hovind, com páginas de vídeos sujeitos à censura (nos comentários e pontuações), parece não ter outros interesses para além dos seus ensinamentos, e é obcecado pelo que os outros acreditam ou não. Conclusão: não acredito no Pai Natal porque não gosto dele. Sou arrogante, logo não acredito. O que preciso é ter fé. Mas também não acreditam no Pai Natal, pois não? Seus maus!
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08 maio, 2008
Completamente ao lado

O jornal "Dicas", do LIDL, tem uma secção de astrologia. O Escorpião estava em destaque. Nasci no dia 12 de Novembro, por isso sou Escorpião, e estive curioso em saber o que era dito. Várias características eram atribuídas a indivíduos desse signo... que foram completamente ao lado, se a intenção é descrever-me.
«Num nativo escorpião é normal encontrar um físico possante,» (...)
Sou magro. Tenho cerca de 1,64 m e quase 60 kg. Sempre fui magro, e tornei-me ainda mais quando comecei a ter sintomas de doença de Crohn.
(...) «existindo nele uma vitalidade quase eléctrica.»
Mmmm. Algumas vezes. Mas pelo que vê a seguir, parece que essa "vitalidade quase eléctrica" não está relacionada com o humor.
(...) «Por muito que se queira ver estampadas no rosto as suas emoções, é quase impossível.»
Pelo contrário. Quando encontro um amigo parece instintivo ficar com um enorme sorriso. Também nota-se quando estou concentrado, preocupado ou zangado, mesmo quando não quero transmitir o que estou a sentir.
«Ele apresenta sempre um rosto inexpressivo e quase gélido. Os sorrisos são raros, no entanto absolutamente sinceros. Não fará um sorriso falso só para ganhar pontos ou ganhar um aliado.» (...)
Ora aí está uma descrição que todos os meus amigos negariam e até iriam rir-se se soubessem que alguém me descreve assim. Como já disse, quando encontro um amigo sorrio por instinto. A minha uma "vitalidade quase eléctrica" diz mais respeito ao humor. Com amigos próximos estou muitas vezes a rir, a dizer piadas, e até já cantei e fiz outras idiotices com eles, mesmo quando algo está a correr mal. É mais raro estar zangado, e até um colega de trabalho estranhou por duas vezes por estar calado (estava concentrado num trabalho moroso), pensando estar mal-disposto.
Tenho de confessar que já fiz sorrisos forçados; aqueles que me lembro: quando não recebi uma prenda esperada em criança e quando um professor disse-me para sorrir para uma foto, apesar de não querer. Também posso fazê-lo para não ofender alguém que não conheço (talvez inconscientemente).
«Normalmente o Escorpião rodeia-se de luxo.»
Pois: "normalmente". Parece que não sou a norma, neste caso. Até a minha secretária foi feita com uma tábua que serrei. Os livros, material de arte e o computador é o que tenho mais de mais luxuoso. Nem sequer interesso-me por roupa de marca (a maioria já tem alguns anos), e não gosto de gastar muito (apesar de gostar de dar prendas).
«Tem excessos na alimentação, bebidas e no amor.»
Os excessos na alimentação poderiam ser verdadeiros há vários anos. Mas não era excesso em hamburgers, fritos e doces. Desde criança que comia de tudo - comia até tomates à dentada - e as vizinhas ofereciam cabazes com vegetais e convidavam-me e aos meus pais às suas casas para servir de exemplo aos seus filhos. Mas nunca tive um "físico possante". Pelo contrário. Quem nunca me viu a comer pensava que comia pouco. Mas a certa altura comecei a ter sintomas de uma doença intestinal, e aí é que por vezes nem sequer conseguia comer e o meu peso desceu para menos de 40 kg.
Não bebo bebidas alcoólicas. Quando estive com amigos num Café um deles estranhou o facto de não beber cerveja com eles. Na Universidade recusei beber cerveja com uns colegas. Numa festa de anos com amigos, a maioria embebedou-se, e eu e uma outra pessoa que também se chama Pedro nem sequer bebemos álcool. Em restaurantes peço sempre água ou sumo natural.
Se o amor tem a ver com sexo, então não faço excessos em relação a isso: sou virgem. Se tem a ver com paixão: é verdade que já escrevi poemas a umas colegas de escola, mas não fiquei doente de amor.
Será um caso excepcional numa numa "ciência" que não devemos negar à partida só porque não a conhecemos? Ou o astrólogo Miguel de Sousa é incompetente? Qual será o "justificacionismo" para isso? Sou um mentiroso ou não julguei-me bem? Não negue à partida uma "ciência" que não é falseável. Com tanta seriedade científica até podem processar a NASA por interferir com um cometa. Acham que podem interferir nos cálculos astrológicos assim?
Sugestão: "Astrologia vs Astronomia", de Pedro Félix
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29 dezembro, 2007
Extremistas ateus
No Natal o meu pai ofereceu-me o livro "Deus não é Grande", de Christopher Hitchens (ironicamente tem "Christ" ["Cristo", em inglês] no seu nome, como em "Christmas"). É a primeira obra desse autor que leio. Tal como Richard Dawkins (li apenas um livro dele: "O gene egoísta"), é considerado um militante ateu agressivo, e até extremista.
Há algumas semanas assisti uma entrevista com Dawkins, penso que na "BBC World", e ele dizia que as crianças não deveriam ser doutrinadas, mas que deviam aprender diversas religiões, para se decidirem de livre vontade. Também li uma entrevista dele na revista "Sábado" (portuguesa), de 11 de Outubro de 2007.
A respeito da existência de Deus, o entrevistador diz «Mas deixa uma possibilidade em aberto...», e Dawkins responde: «Como é que uma pessoa razoável pode não admitir essa possibilidade? Tal como podemos admitir a possibilidade da existência de fadas. O que não significa que a hipótese deva ser levada a sério.» Disse que teve uma educação religiosa: «Tal como a maioria das crianças inglesas ia à igreja aos domingos e na escola estudava a Bíblia. Aos 9 anos surgiram as minhas primeiras dúvidas. Apercebi-me de que existiam muitas religiões e que não podiam estar todas certas. Além disso, fiquei com a noção de que era apenas um acidente geográfico ter sido educado num ambiente cristão. Retomei a minha fé aos 13 anos, quando fiz a confirmação, mas dois anos depois deixei de acreditar.»
Ele diz que uma sociedade sem religião seria melhor, mas quando questionado se acredita que a religião é a raiz de todo o mal, como indicado no título de um seu documentário ["Root of all Evil"] responde que não: «A religião é a raiz de muitas coisas más, como algumas guerras, mas não de tudo. Lutei muito para que esse título fosse mudado, mas não o fizeram.» Fala de entrevistas que fez, e disse que o que chocou mais foram de um americano chamado Michael Bray, que "gostava da ideia de matar médicos que faziam abortos", e um judeu americano, chamado Yusuf Khattab, que "se converteu ao islamismo e passou odiar os judeus" [assisti um trecho sobre isso no YouTube] [1].
No final diz que «Quando aparecem os fundamentalistas estamos demasiado habituados à ideia de que a religião não deve ser discutida».
Já li o livro de Hitchens. As citações no início dos capítulos lembram-me os livros de Carl Sagan, mas Sagan é mais um divulgador de Ciência, e Hitchens parece ser mais um historiador (também é autor de "Thomas Jefferson: Author of America", "Thomas Paine's «Right of Man»: A Biography", "Letters to a Young Contrary" e "Why Orwell Matters" - da pequena nota biográfica) e crítico das religiões. Começa por colocar um aviso sobre ataques ad-hominem («Se o leitor a quem se destina este livro quiser ir para além da discordância com o autor e tentar identificar os pecados e deformidades que o incentivam a escrevê-lo» [...]), e a sua experiência religiosa, referindo-se primeiro à «mulher boa, sincera e simples, de fé estável e decente», Jean Watts, que dava-lhe «aulas sobre a natureza e as também sobre as escrituras», mas que certa vez, com 9 anos, chocou-se com certas palavras dela: [...] «a minha professora conseguira interpretar tudo mal em apenas duas frases. Os olhos estavam ajustados à natureza, e não o contrário».
É um livro muito interessante e bem escrito. As referências, no final, ocupam 8 páginas, com referências às páginas, e inclui links. Ele critica severamente Madre Teresa de Calcutá [2] e Gandhi, mas elogia Martin Luther King (que chama de Dr. King), e até ao referir que ele gostava de beber muito e de moças mais novas que a sua mulher não destoa o seu respeito. Também diz que tinha uma simpatia pelo papa João Paulo II, mas que por outro lado teve certas fixações, como pelo preservativo e a SIDA (ou AIDS, no Brasil).
Conta as suas viagens, como a Teerão, episódios com seus companheiros crentes (certa vez até foi confundido com uma reencarnação de um deus), entrevistas, etc.
Antes do capítulo dedicado aos agradecimentos, em "Conclusão: A Necessidade de um Novo Iluminismo", Hitchens, depois de referir o caso relativamente recente dos cartoons da Dinamarca, diz: «nenhum grupo de pessoas não religiosas que ameaçassem e praticassem actos violentos teriam vencido tão facilmente, nem lhes teriam arranjado desculpas».
Ainda encontrei uma série de vídeos com uma sua palestra, chamada "Christopher Hitchens on Freedom of Speech", sobre a liberdade de expressão. São esses os chamados de ateus militantes extremistas. Dawkins até foi comparado a Estaline no YouTube por um muçulmano fanático [naomi94isaCUNT; parece que ele já o removeu], e no seu canal apela aos muçulmanos [traduzido por mim]:
Ora, recebi no mês passado uma mensagem de Erivelton, no ClubeCético, depois de ler alguns artigos deste blog:
Em breve colocarei algumas das mensagens, que estou a colocar numa Base-de-Dados sobre argumentos idiotas.
Referências e sugestões:
Há algumas semanas assisti uma entrevista com Dawkins, penso que na "BBC World", e ele dizia que as crianças não deveriam ser doutrinadas, mas que deviam aprender diversas religiões, para se decidirem de livre vontade. Também li uma entrevista dele na revista "Sábado" (portuguesa), de 11 de Outubro de 2007.
A respeito da existência de Deus, o entrevistador diz «Mas deixa uma possibilidade em aberto...», e Dawkins responde: «Como é que uma pessoa razoável pode não admitir essa possibilidade? Tal como podemos admitir a possibilidade da existência de fadas. O que não significa que a hipótese deva ser levada a sério.» Disse que teve uma educação religiosa: «Tal como a maioria das crianças inglesas ia à igreja aos domingos e na escola estudava a Bíblia. Aos 9 anos surgiram as minhas primeiras dúvidas. Apercebi-me de que existiam muitas religiões e que não podiam estar todas certas. Além disso, fiquei com a noção de que era apenas um acidente geográfico ter sido educado num ambiente cristão. Retomei a minha fé aos 13 anos, quando fiz a confirmação, mas dois anos depois deixei de acreditar.»
Ele diz que uma sociedade sem religião seria melhor, mas quando questionado se acredita que a religião é a raiz de todo o mal, como indicado no título de um seu documentário ["Root of all Evil"] responde que não: «A religião é a raiz de muitas coisas más, como algumas guerras, mas não de tudo. Lutei muito para que esse título fosse mudado, mas não o fizeram.» Fala de entrevistas que fez, e disse que o que chocou mais foram de um americano chamado Michael Bray, que "gostava da ideia de matar médicos que faziam abortos", e um judeu americano, chamado Yusuf Khattab, que "se converteu ao islamismo e passou odiar os judeus" [assisti um trecho sobre isso no YouTube] [1].
No final diz que «Quando aparecem os fundamentalistas estamos demasiado habituados à ideia de que a religião não deve ser discutida».
Já li o livro de Hitchens. As citações no início dos capítulos lembram-me os livros de Carl Sagan, mas Sagan é mais um divulgador de Ciência, e Hitchens parece ser mais um historiador (também é autor de "Thomas Jefferson: Author of America", "Thomas Paine's «Right of Man»: A Biography", "Letters to a Young Contrary" e "Why Orwell Matters" - da pequena nota biográfica) e crítico das religiões. Começa por colocar um aviso sobre ataques ad-hominem («Se o leitor a quem se destina este livro quiser ir para além da discordância com o autor e tentar identificar os pecados e deformidades que o incentivam a escrevê-lo» [...]), e a sua experiência religiosa, referindo-se primeiro à «mulher boa, sincera e simples, de fé estável e decente», Jean Watts, que dava-lhe «aulas sobre a natureza e as também sobre as escrituras», mas que certa vez, com 9 anos, chocou-se com certas palavras dela: [...] «a minha professora conseguira interpretar tudo mal em apenas duas frases. Os olhos estavam ajustados à natureza, e não o contrário».
É um livro muito interessante e bem escrito. As referências, no final, ocupam 8 páginas, com referências às páginas, e inclui links. Ele critica severamente Madre Teresa de Calcutá [2] e Gandhi, mas elogia Martin Luther King (que chama de Dr. King), e até ao referir que ele gostava de beber muito e de moças mais novas que a sua mulher não destoa o seu respeito. Também diz que tinha uma simpatia pelo papa João Paulo II, mas que por outro lado teve certas fixações, como pelo preservativo e a SIDA (ou AIDS, no Brasil).
Conta as suas viagens, como a Teerão, episódios com seus companheiros crentes (certa vez até foi confundido com uma reencarnação de um deus), entrevistas, etc.
«O argumento da fé é a base e a origem de todos os argumentos, porque é o começo - mas não o fim - de todos os argumentos de filosofia, ciência, história e natureza humana. É também o começo - mas de modo algum fim - de todas as controvérsias sobre a vida boa e a cidade justa. Precisamente porque somos criaturas ainda em evolução, a fé religiosa é inextirpável. Nunca se extinguirá, ou, pelo menos, não se extinguirá enquanto não ultrapassarmos os medo que temos da morte, do escuro, do desconhecido e uns dos outros. Por este motivo, eu não a proibiria, ainda que pensasse que podia. Dirão, talvez, que é muito generoso da minha parte. Mas os religiosos conceder-me-ão a mesma indulgência? Pergunto isto porque existe uma diferença verdadeira e séria entre mim e os meus amigos religiosos, e os amigos verdadeiros e sérios são suficientemente honestos para admitir isso. Eu contentar-me-ia em ir aos bar mitzvahs dos seus filhos, em maravilhar-me com as suas catedrais góticas, em "respeitar" a sua crença de que o Alcorão foi ditado, ainda que exclusivamente em árabe, a um mercador analfabeto, ou em interessar-me pelos consolos wicca, hinduístas e jainistas. E parece que continuarei a agir desta forma sem insistir na delicada condição recíproca - que é a de que, como consequência, me deixam em paz. Porém, no fundo, a religião é incapaz de fazer isto.»Fala sobre católicos, xiitas, sunitas, judeus ortodoxos, Testemunhas de Jeová, Mórmons, hindus, budistas... e até no estalinismo. Já li "O triunfo dos porcos" [em inglês: "Animal Farm"] e "1984" de George Orwell, e no segundo há trechos como: «Somos os sacerdotes do Poder. Deus é poder.», [...] «se puder fugir à sua identidade, se puder fundir-se no Partido, então ele é o Partido, e é omnipotente e imortal», «Acreditas que os seres humanos não têm capacidade para se governar, por isso...», «No alto da pirâmide está o Grande Irmão. Este é infalível e omnipotente. Cada sucesso, realização, vitória, descoberta científica, toda a sapiência, virtude, realização, vitória, descoberta científica, toda a sapiência, inpiração. Nunca ninguém viu o Grande Irmão», [...] «completa obediência ao Estado, como também completa uniformidade de opinião em todos os súbditos.», [...] «as especulações que poderiam vir a ocasionar uma atitude de cepticismo ou de rebeldia são antecipadamente suprimidas pela disciplina aprendida na infância» [...] «faculdade de deter, de paralisar no limiar e como que por instinto qualquer pensamento perigoso.», «pureza e unidade», «manter a castidade», «Liga Juvenil Anti-Sexo», etc. Orwell refere-se à religião? Na Wikipedia é dito: «lendo Mil Novecentos e Oitenta e Quatro percebe-se que o Grande Irmão não é senão Stalin e que o arquiinimigo Goldstein não é senão Trotsky.» Hitchens citou George Orwell no seu livro: «Um Estado totalitário é, com efeito, uma teocracia, e para manter a sua posição a casta governante tem de ser considerada infalível.» ["A Prevenção da Literatura", 1946] Também coloca um trecho de "The Capive Mind", do polaco laureado Czeslaw Milosz, que dizia ter conhecido muitos cristãos polacos, franceses e espanhóis estalinistas, que afirmavam que «Estaline, o líder Comunista, cumpre a lei da história ou, por outras palavras, age de acordo com a vontade de Deus e, por conseguinte, temos de lhe obedecer». Os comunistas absolutistas simplesmente queriam substituir a religião que negavam.
Antes do capítulo dedicado aos agradecimentos, em "Conclusão: A Necessidade de um Novo Iluminismo", Hitchens, depois de referir o caso relativamente recente dos cartoons da Dinamarca, diz: «nenhum grupo de pessoas não religiosas que ameaçassem e praticassem actos violentos teriam vencido tão facilmente, nem lhes teriam arranjado desculpas».
Ainda encontrei uma série de vídeos com uma sua palestra, chamada "Christopher Hitchens on Freedom of Speech", sobre a liberdade de expressão. São esses os chamados de ateus militantes extremistas. Dawkins até foi comparado a Estaline no YouTube por um muçulmano fanático [naomi94isaCUNT; parece que ele já o removeu], e no seu canal apela aos muçulmanos [traduzido por mim]:
«O ateísmo é mau por baseia-se no acaso. É a sua escolha, Alá não pode forçá-los a submeterem-se. Mas vão ainda mais longe; há muitos ateus militante aqui que estão a tentar propagar ódio e intolerância à comunidade Muçulmana. Eles vão mentir a vocês e dizer que estão apenas a iniciar um debate civilizado e que nós, os Muçulmanos, estamos a "censurá-los". Mas na realidade o que A SEMANA DA CRITICAS AO ISLÃO tem a ver com debate civilizado? O que têm as injúrias aos nossos profetas, especialmente a Maomé (pbuh), têm a ver com debate civilizado? O que tem chamar ***** a Maomé e queimar o Corão a ver com debate civilizado? É óbvio que esses Ateus querem inicar a III Guerra Mundial connosco. Devemos unir-nos e assegurar-nos que todo esse lixo desapareça do YouTube.Antes disso, Nick Gisburne foi expulso do YouTube por causa de um vídeo, chamado "Islamic Teachings Found in the Qu'ran" ["Ensinamentos Islâmicos Encontrados no Corão"], que simplesmente mostrava trechos do Corão [3]. A sociedade cristã criaciocista "Creation Science Evangelism" já tentou remover vídeos no YouTube que criticavam Kent Hovind, através de falsas denúncias de infrigimentos de copyright. Cristãos fanáticos chamam ateus de macacos, seres sub-humanos, que odeiam Deus e Jesus, que são ferramentas de Satanás, nomeadamente tony48075, que ainda disse odiar os brancos por serem racistas. O cromo diz que ninguém refutou VenomFangX, mas logo a seguir diz que não lê comentários nem assiste vídeo de ateus... Num vídeo, que também removeu, apela aos seus "companheiros cristãos" para que juntem para banirem ateus dos YouTube, especialmente o TheAmazingAtheist. E esses fanáticos fazem tudo isso com toda a impunidade! É que devemos respeitá-los...
Ateus Militantes que declaram guerra:
naomi94
Capnoswesome
Patcondell
kurtilein3
Atheistsatlarge
TheAmazingAtheist
Capnordinary
fakesagan
Vou listar os seus vídeos nos meus favoritos para que saibam quais os que devem denunciar ao YouTube.
»
Ora, recebi no mês passado uma mensagem de Erivelton, no ClubeCético, depois de ler alguns artigos deste blog:
«Sim estou lendo aos poucos, mas gostaria de saber o que te incentivou a agir desta maneira contra a religião?Respondi no mesmo dia. Também devo ser considerado por ele como outro militante ateu extremista. Ao contrário dos cristãos fanáticos que dizem que Deus odeia os homossexuais, que dão graças ao 11 de Setembro e que banem livros e filmes, como o recente "A Bússola Dourada". Ao contrário dos que mataram por causa de cartoons e livros, que desejam açoitar alguém que aceitou o nome de Maomé para um urso de pelúcia e que mataram Benazir, que podia levar o Paquistão ao laicismo e democracia. Ao contrário do final do trecho supracitado! «Não existe diferença de um ateu para um falso profeta, ambos são anti cristos que darão conta como qualquer um no julgamento»Se for por criticar a impunidade de religiosos que são extremistas, e que sou extremista, pois seja.
Voce disse que tens uma doença, qual é o nome da doença mesmo?
Antes de vir para cá conversei muito com um espírita na qual diz que as escrituras é um montoado de relações de espíritos gurrreiros que se manifestavam aos homens e que eles pensavam que era Deus.
Conclusão: Considerei como um louco, pois até já admitiu que tem atestado de doente mental.
Não sei porque razão está agindo desta maneira, mas seria interessante me dar uma explicação da sua atitude.
Teus familiares são todos ateus?
Eles sabem o trabalho que fazes na internet?
Tens raiva de religião?
Condenas quem é religioso?
O que achou de hitler por matar milhões de judeus?
O que achou do catolicismo romano matar muitos incrédulos?
Acredito que não fez nenhum pacto religioso, pois não acredita em divindades.
Bom não é preciso responder minhas perguntas, mas fico sem entender como uma inteligência se comporta de uma maneira arbitrária sem provas de uma tal existência de Deus.
Tá certo que não podemos provar o que não existe, mas a pergunta seria: Deus existe?
Quero lhe dizer antecipadamente que não sou quem vai lhe julgar pelo trabalho que fazes, mas coloca na tua mente o seguinte:
Deus não criou o ser humano com a corda no pescoço e disse: Se não creres em mim, vai para o inferno
Voce pode até não acreditar em Deus e isto é uma opinião particular sua que merece todo o respeito.
Existem pessoas que não são religiosas como são os protestantes e levam uma vida digna de respeito com o próximo.
Talvez voce me pergunte: O que pensa dos ateus?
Não existe diferença de um ateu para um falso profeta, ambos são anti cristos que darão conta como qualquer um no julgamento.
Já ouvi falar que existe diversos tipos de ateísmo: Forte, médio e fraco. Alguns ateus estão na balança e apenas estão precisando de um empurrão para se precipitar no abismo.
O ateísmo seria bom para se comportar da maneira como aplicas?» etc
Em breve colocarei algumas das mensagens, que estou a colocar numa Base-de-Dados sobre argumentos idiotas.
Referências e sugestões:
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22 julho, 2007
Fé e dúvida
«Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando;
porque o que duvida é semelhante à onda do mar,
que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte.»
- Tiago 1:6
«"Quando se duvida é preciso dirigir-se a uma autoridade,
às palavras de um padre ou de um douto,
e cessa qualquer razão de dúvida."»
- Nome da Rosa, de Umberto Eco
«"Não há progresso, não há revolução de eras,
na aventura do saber, mas, no máximo contínua
e sublime recapitulação."»
- Nome da Rosa, de Umberto Eco
«Não há progresso se este não surgir através das dúvidas»
- Pensamento hassídico
Como sabemos quais são essas verdades reveladas? Existem livros contraditórios entre si que supostamente foram inspirados ou revelados por Deus, por vezes até entregues pessoalmente por um anjo. Ninguém nasce a conhecer essas verdades, é preciso ser ensinado. Crianças selvagens nem sequer são capazes de aprender religião ou apreender o conceito de Deus, mesmo com o esforço de padres. [1]
Segundo esse site católico, é a Igreja (Católica) que ensina essas verdades, mas em diversas outras religiões são outras fontes que merecem essa confiança. Quem não é católico não concorda. Outros cristãos têm fé em Deus e na Bíblia, mas não concordam com a Igreja nem com as interpretações da Palavra. Há ainda cristãos que têm outros livros como mais sagrados, como o Livro de Mormon, judeus acham que o cristianismo é paganismo e uma falsificação da sua fé, e islâmicos acham que judeus são impostores que falsificaram as escrituras. Há também muitas outras religiões, algumas mesmo ateias, como o budismo e o jainismo. Têm as suas testemunhas, milagres e escrituras. São falsas? Todas têm fé, mas não a mesma. Então há algum critério imparcial para definir alguma como verdadeira?
«Deus não propõe. Deus manda. Deus sendo infinitamente veraz, incapaz de errar e de nos enganar, tudo o que Ele nos diz é absolutamente certo. Por isso temos a obrigação de crer o que Deus nos diz.»
Nas organizações religiosas geralmente o objectivo da fé é a obediência. Existem até mitos em que a desobediência e o conhecimento tornaram-se a causa de todas as desgraças: para os católicos é a felix culpa. Mas não é o próprio Deus que vem ter connosco dizer o que quer, são necessários intermediários: os sacerdotes. Na práctica, é a eles que se obedece.
Abraão mostrou a sua fé obedecendo Deus, que tinha mandado sacrificar o seu filho como uma cabra. Neste caso, foi impedido, mas na Bíblia há casos menos conhecidos em que filhos são sacrificados a Deus, seja como primícias ou por promessas (Ex 13:15; 22:29; 34:19; Le 27:28-29; Jz 11:30-40 ). Até o cristianismo funda-se num sacrifício humano para salvar a humanidade dos pecados, como um bode espiatório. Mas mesmo sem sacerdotes, há até quem ouça vozes, supostamente de Deus, que manda matar. "Foi Deus que mandou": é uma desculpa suficiente. [2]
No 87º episódio do Star Trek: The Next Generation, chamado Devil's Due, um povo vivia bem, mas com uma profecia que indicava o fim desse bem-estar. Parecia ser confirmada com a chegada de uma estranha que ameaçava com poderes milagrosos, desaparecendo, reaparecendo, transformando-se em monstruosidades e provocando terramotos. Tinham de obedecer, ou desapareciam. Picard duvidava, começando por acreditar que era uma farsa. Até teve dúvidas disso quando presenciou os milagres. No entanto, com um teste, conseguiu reproduzir esses milagres e anulou os poderes da deusa, que não passava de uma farsa. Era como usando a nossa tecnologia tornássemos deuses numa tribo que a desconhece. Aconteceu quando os astecas receberam os espanhóis, devido a uma profecia que os levou a acreditar que Cortéz era o deus-rei Quetzalcóatl. Montezuma esforçou-se para acreditar nas crenças cristãs, apesar de pensar haver absurdos relacionados com a eucaristia e sacrifício de Cristo. Os astecas acabaram por serem conquistados, explorados e mortos. [3]
E se criássemos uma vida, como um Frankenstein, a definição de bom e mau dependeria do seu criador? Se fosse ordenado que matasse, seria bom, e a desobediência seria má, como no caso do rei Saul? Parece-me que é essa a lógica dos mitos.
«Perde-se a Fé quando se coloca em dúvida qualquer verdade que Deus revelou e que a Igreja ensina como dogma ou como verdade de Fé que deve ser crida por todos os fiéis.»
Podemos acreditar em algo, mas, no entanto, ter dúvidas. Em geral temos diferentes pesos de confiança, que é dinâmica de acordo com a nossa experiência. A nossa confiança em algo cresce se corresponde às nossas expectativas, caso contrário diminui: isto é aprender. Técnicas de programação na Inteligência Artificial, como a programação evolutiva, lógica fuzzy e redes neuronais, permitem os programas melhorarem-se com o tempo,com treino e aprendendo, permitindo, por exemplo, construção de robots, o reconhecimento facial, análise de voz, traduções, etc. A fé é uma certeza absoluta, um dogma, por isso não permite essa dinâmica. É necessário que seja verdadeira ou o erro será sempre mantido, porque não é possível ter dúvidas e, consequentemente, corrigir. Para manter este estado estático ora-se: «Convém rezar sempre pedindo a Deus que nos mantenha fiéis aumentando a nossa Fé que é uma certeza sobrenatual em tudo o que Deus revelou e que a Igreja ensina».
Alguns fóruns religiosos quando são feitas referências à dúvida, diz-se que é a maior inimiga da fé. Escrevem coisas como «verdadeiramente a dúvida é a grande vilã que impede o agir de Deus na vida das pessoas» e «o diabo é o pai da dúvida, da mentira, para que fiquemos desesperados na hora da luta». Testemunham que salmoniando para afastar a dúvida ou o diabo, conseguiram afastar o medo e acções que acham que não aguentariam de outro modo - como ser operado por um cirurgião. [5] Faz-me lembrar uma experiência que se fez no emprego, em que repetia várias vezes "sou leve como uma pena" para ser levantado facilmente, graças à auto-sugestão, por dois colegas que também salmoniavam. É claro que antes tinha sido feita uma experiência sem a auto-sugestão e os meus colegas tinham dificuldade em levantar-me.
O artigo Dúvida - O Pecado que Deus Mais Odeia, de David Wilkerson, começa com a seguinte frase: «De todos os pecados que podemos cometer, a dúvida é o mais odiado por Deus». É dado um exemplo citando o Salmo 106:6-7, que é explicado com as seguintes palavras: «"Dá para acreditar? Nosso Senhor se moveu de modo sobrenatural em nosso favor, livrando-nos do inimigo. Mas, mesmo depois desse incrível milagre, desconfiamos dEle. Como pudemos provocar a Deus dessa maneira?"»
«Todavia, o Senhor não vai operar através de um povo cheio de dúvida e descrença. A Bíblia diz: "sem fé é impossível agradar a Deus" (Hebreus 11:6).»
«Até mesmo Jesus foi impedido de operar maravilhas quando o povo não cria. "E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles" (Mateus 13:58).»
É precisamente o título deste blog: Crer para Ver. Quando era criança, imagens na TV com o Pai Natal transportado pelas renas, um ponto luminoso que se move no céu escuro e uma figura humana à noite perto da árvore de Natal eram provas de que o Pai Natal existe. Se tivesse a mesma atitude perante esta crença que sugerem nestes sites, não podia duvidar nem deixar de acreditar. Deixava de receber prendas se duvidasse. Mas também, se não acreditasse, deixava de ver o Pai Natal nas sombras do quarto e nas luzes do céu. Agora penso que essas luzes eram estrelas ou aviões, a figura à volta da árvore era o meu pai e o Pai Natal na TV era apenas um actor.
Quando somos crianças acreditamos que existem monstros que vemos à noite. Filmes inspiram-nos terror à noite, e livros podem influenciar-nos. Mesmo acreditando, a dúvida é suficiente para que as imagens horríveis desapareçam, aproximando-nos delas. Na cama, é possível estarmos conscientes, mas paralisados, sentindo um peso no peito e alucinar - chama-se paralisia do sono. [5] Já me aconteceu, e pensei ver o meu irmão à minha frente. Em certas culturas, vêem duendes, vampiros, figuras femininas, extraterrestres e até há quem pense que esteja a ser violado. O que vêem dependem do que acreditam.
Segundo a Bíblia, Jesus, quando fala sobre sinais, avisa para terem cuidado com falsos cristos, falsos profetas e daqueles que operam maravilhas (Mateus 24:24). No caso das maravilhas, existem feiticeiros cuja magia depende da crença. Na Índia, gurus exorcisam demónios. Transformam o leite dos côcos em sangue e flores. Andam sobre a água e o fogo. Na série Is It Real?, da National Geographic, um desenganador na Índia fingia ser um guru, conseguindo exorcisar uma menina possessa, para depois dizer que não era verdade e sugeria que para a próxima duvidassem esses milagres, que são usados para ameaças e extorsão. Então, que razão há para confiar absolutamente num indivíduo, se não se deve confiar quando outros conseguem o mesmo? E como o identificamos passados milhares de anos, sem sermos eludibriados? Com a fé?
Há muitos exemplos, que mostrarei noutros artigos, como uma arte marcial onde só é possível projectar crentes.
«Mas eles ainda duvidaram de Deus, considerando Seus poderosos feitos como algo de ocorrência natural.»
As trovões e as erupções vulcânicas expressavam a ira dos deuses. Várias enfermidades eram explicadas através de possessões demoníacas, castigos divinos ou resultados do pecado. Imensas pessoas foram acusadas de bruxas e condenadas à morte, porque foram responsabilidades por eventos que mais tarde foram explicados como fenómenos naturais.
O berço da ciência surgiu na Jónia, ilha da Grécia, quando os seus habitantes artesão e mercados perceberam que as crenças religiosas estavam em conflicto, começaram a duvidar, a especular e a experimentar [6]. Essa nova atitude chama-se filosofia ("amor pelo saber") e permitiu imensas descobertas que mudaram o mundo. As dúvidas e especulações tornaram-se blasfemas, como dizer que a Lua não era um deus mas apenas uma rocha. Proibir as dúvidas e a consideração de hipóteses alternativas desincentiva a investigação.
No artigo Dúvida. Quem nunca teve?, no blog Inquietações de um aprendiz, Márcio Rosa diz: «Se ninguém duvidasse de nada, a pesquisa, o debate e o interesse pelo conhecimento seriam completamente inócuos. Portanto, use sua dúvida para conhecer ainda mais a Deus.» Apesar disso, a dúvida é algo indesejável, como uma doença que tem de ser curada, com a fé como objectivo: «peça sempre para o Senhor ajudá-lo a vencer sua incredulidade, você não vai ser julgado por isso, mas ajudado». Coloca exemplos do Novo Testamento: “Senhor, eu creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade” (Marcos 9:24), “Homem de pequena fé, por que você duvidou?” (Mateus 14:30-31) e "Pare de duvidar e creia" (João 20:27-28).
Uma determinada crença com tanto mérito, ou até menos, que outras, mas é tratada de modo especial. Há uma certeza absoluta, e qualquer dúvida é suprimida pela oração, mesmo com evidências contrárias. Crentes tentam converter questionando e fazendo duvidar de crenças alheias. Há até manuais para o efeito, com respostas a perguntas de descrentes. Ou seja, só é bom os outros terem dúvida - que estão sempre do lado errado -, pelo mesmo motivo que é mau nós termos grupo.
Se já existe uma crença indubitável à priori, não há maneira de mudar de ideias. É apenas uma questão de estar do lado que escolheu. E os mais fortes são os que resistem à peneira. Afinal onde está a pesquisa, o debate e o interesse pelo conhecimento?
É claro que a fé não existe apenas na religião. Também existe na política, no desporto, no senso-comum e em qualquer grupo onde haja pressão para acreditar nas suas ideias. Nestes casos, é só uma questão de se manter no lado certo, custe o que custar, independentemente de qualquer dúvida, opinião e evidências contrárias. A fé é como um condenado no corredor da morte, sem qualquer possibilidade de perdão, sem telefonema do governador. Se está certo, para quê o benefício da dúvida?
Referências:
- [1]
- [2]
- Rituais mataram 6 e feriram mais de 60
- terra > notícias > Bush: Deus ordenou invasão ao Iraque e Afeganistão
- [3]
- [4] forum.arcauniversal.br > O Pior Inimigo da Fé: a Dúvida
- [5]
- [6]
- Wikipedia > Pré-socráticos
- Filosofia Virtual > Conhecimento científico e senso comum
- Mileto: O Início de um Processo
- Cosmos, de Carl Sagan (no capítulo A Espinha Dorsal da Noite)
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