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12 junho, 2010

Re: Miscelânia criacionista: ciência infantil

¶1 Li o artigo «Miscelânia criacionista: ciência infantil». Antes de explicar como se obteve a conclusão de que a nossa espécie procriou com neandertais, Ludwig escreveu:
«Por feitio ou deformação profissional custa-me aldrabar as explicações. Por isso infligi aos meus filhos respostas que crianças com dois ou três anos não tinham paciência para ouvir, e muitas vezes me viraram as coisas a meio e foram brincar.»
¶2 Ora, parece óbvio que não tem jeito para dar explicações a putos. Previa-se qual seria o género de birras em forma de ad hominems que iriam usar sem lerem o artigo. Talvez o truque seja o uso de desenhos:
¶3 O que está a vermelho explica como é que os cientistas descobriram que a procriação ocorreu pelo ADN. H refere-se a humanos modernos e N refere-se a neandertais.

¶4 Ainda por cima evolucionistas já suspeitavam disso há anos - tenho seguido artigos e documentários sobre o assunto - e foram evolucionistas que o descobriram, resolvendo a questão - e agora criacionistas ficam com os louros?! [PubMed (1999); The Independent (2004); ScienceForums (2005) Cosmos (2006); Panda Thumb (2006); DailyTech (2010); Wikipedia]

~

¶5 Por que é que os evolucionistas colocaram essa hipótese se contradiz a Teoria da Evolução?! Há mais de um século, Charles Darwin, em Origem das Espécies, descreveu a evolução envolvendo hibridização - no oitavo capítulo, com o título "Hybridism"... [The Origin of The Species; Wikipedia]

¶6 Ou seja: a ideia dos evolucionistas era que dariam híbridos, como os híbridos de leões e trigres (liger), de zebras e cavalos (zorce), lobos com cães, camelos com lamas, leões com leopardos, ursos polares com ursos pardos, ovelha (ou carneiro) com bode (ou cabra), etc.



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¶7 As diferenças entre humanos modernos e neandertais:



¶8 E a comparação de crânios humanos de espécies diferentes:



¶9 Acham que esses crânios todos são da mesma espécie?!

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¶10 Noto que o tipo de prova usado para a conclusão de hibridismo tem sido rejeitado pelos criacionistas - pelo ADN -, pois leva a conclusões sobre a ancestralidade comum que rejeitam. Se prova-se que uma semente tem cerca de 2000 anos pelo processo de datação por carbono que rejeitam, acham que isso é uma prova do Criacionismo (porquê?). Eu achava que interessava que o modo como se chega às conclusões é que era importante! Em que é que isso dá? Num artigo da National Geographic com a tal notícia há uma ligação para um artigo sobre a descoberta de uma árvore com cerca de 9500 anos - os criacionistas da Nova Terra acreditam que a Terra tem cerca de 6000 anos. É triste, não é?

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¶11 Então, finalmente, explico o tipo de resposta que o Ludwig respondeu. Suponham que defendem que acreditam em poderes mágicos e que passam o tempo no fórum de James Randi para refutá-lo. Dizem-lhes que provaram que Penn e Teller têm poderes mágicos porque fizeram bolas e uma batata aparecerem e desaparecerem. Mostram-vos como é feito o truque:


¶12 Então respondem dizendo que falaram tanto só para dizer no final que os defensores dos poderes mágicos nunca têm razão e que fazem raciocínios tendenciosos assim:
  1. O defensor dos poderes mágicos diz uma coisa
  2. O que nega poderes mágicos diz o contrário.
  3. A ciência mostra que a posição do defensor dos poderes mágicos é a que mais se ajusta aos dados.
  4. Os que negam poderes mágicos mudam a sua posição, e dizem que o que eles queriam dizer é o que a ciência veio mostrar.
¶13 Reparem no diagrama que coloquei no início e comparem com o texto de Ludwig e as referências que indicou. O Mats respondeu ao que ele disse? Ele poderia chamar o "Ludwig" de tolo, como fazia Jesus segundo os evangelhos, ou algo pior, mas contra-argumentar o que escreveu. Mas optou pela falácia do ad hominem abusivo e circunstancial, como um puto. Mas não foi pior que a do Carlos Ricardo Soares... Mas eles lêem os artigos que comentam? E ainda admiram-se se lhes tratarem como putos.

¶14 Já agora: como é que respondem a um geocentrista que diz que a Ciência provou o Geocentrismo?!

18 outubro, 2009

Re: Neo-Ateísmo, Um Delírio > Ciência X Religião > p. 3.2.2

(continuação do artigo anterior)

Conclusões e contra-argumentos:

  • Mundo de Alice
A Ciência corrige-se ou não se corrige? Nem um nem outro, segundo o Luciano. Entramos num mundo onde a linguagem é completamente diferente daquela que estamos habituados. E quem tentar embrenhar-se nela, verá que é difícil dialogar com o Luciano. É preciso arte para isso. Talvez para ele quando se diz que algo não é bom, quer dizer que é mau, por isso não faz sentido dizer que algo não é bom, nem é mau. E uma pessoa boa tem de ser perfeita - se faz algumas maldades, não pode ser considerada boa. Nem não-boa. Mas, curiosamente a Ciência gera benefícios porque cientistas geram benefícios. Só que não se corrige, porque seria atribuir acções de uma parte da Ciência a ela própria e porque cienstistas não corrigiram certas ideias, como a hipótese dos multiversos, a memética e a teoria do aquecimento global de origem antropogénica. É um equivoco quando se diz que a Ciência não se corrige, mas pelos vistos pode-se dizer «o método não se corrige». Agora imaginem que quem defende tais coisas é considerado alguém que usa bem as palavras e que argumenta bem. É esse o mundo de Luciano, como tivéssemos atravessado o espelho de Alice onde os personagens são confusos.
  • Corrigir ou não corrigir... ou nem uma nem outra (¬(x ∨ ¬x))
Sobre o exemplo do CRM, ele diz que é absurdo dizer que a Ciência erra como dizer que o CRM erra. Mas se pesquisar no Google repara que é dito várias vezes que a Ciência erra ou que tem erros - eu próprio já o tinha dito antes de conhecer o blog de Luciano. [Scientific American História - Os grandes erros da Ciência; Ciência - A Vela no Escuro; Observatório de Imprensa; Que Treta! (comentário); Crítica: revista de Filosofia; Science Blogs; Discovery; The Report at VIII International Scientific Conference] Reparem na citação de Karl Popper: «The history of science, like the history of all human ideas, is a history of irresponsible dreams, of obstinacy, and of error. But science is one of the very few human activities — perhaps the only onein which errors are systematically criticized and fairly often, in time, corrected.» [Science : Conjectures and Refutations] "In which" significa "cujos" - se referisse a pessoas, seria "whom". Portanto, refere-se aos erros na Ciência - a "ciência é uma das poucas actividades humanas - talvez a única - cujos erros são sistematicamente criticado e geralmente corrigidos a tempo". E pelos vistos Popper tinha muita falta de imaginação com o "perhaps the only one" (ou se fosse um "neo-ateu" a dizê-lo). Afinal de contas, a Ciência tem ou não tem erros? Se for dito que não tem erros, transmite-se a ideia de que é perfeita e é dado óptimo material para os criacionistas.

Portanto, Luciano disse: «Implicaria em “O CRM errou e se corrigiu”» E concluiu com isso: «Claro que não se corrigiu, pois o sistema já está incorporando essa avaliação. O sistema é justamente para existir essa avaliação.» Comparem com 2.d)4) e 2.d)7) do artigo anterior. O sistema é um meio para atingir um fim. Se uso um martelo para bater num prego, o martelo bate no prego, mesmo que requeira a acção de alguém para isso. Por outro lado, se robôs são construídos para fabricarem carros, sem intervenção humana, os robôs é que fabricariam os carros, autononamente, mesmo sem terem consciência para terem intenção. É mais fácil de perceber isso do que com ideias. A relação entre ideias e o sistema nervoso é como a relação entre o software e o hardware. O software não é palpável - é simplesmente uma abstracção do que é representado no hardware: não é um caso particular de representação num determinado armazenamento - é uma generalização que ignora como a informação é representada, daí dizer que é uma abstracção. Apesar de imaterial, tal como uma ideia, o software afecta o hardware e interage com outro software. Se for um corrector ortográfico, detecta e corrige erros ortográficos. É num sentido similar que dizemos que métodos, sistemas e processos podem corrigir. No caso de uma entidade abstracta que seja um método e conhecimento, essa entidade corrige-se.

E se segundos os padrões de linguistica de Luciano é incorrecto dizer que um sitema corrige-se, o que interessa se as pessoas percebem o que quer dizer, tal como percebem quando ele diz que a Pixar inova? A língua é para servir o Homem, não é para o Homem ser servo dela.
  • Falsas analogias e maus argumentos
Luciano poderá dizer que até agora apresentei falsas analogias e más metáforas - ele até disse que tentei umas 10 analogias e que não são consistentes. Convém que ele mostre que as percebe e que responda ao que pretendem ilustrar. Reparem que no ponto 5.a) faço isso: a analogia pretende levar a uma conclusão, mas o que é comparado tem propriedades que negam o que se pretendia concluir. No caso em questão, pretende-se mostrar que a Ciência não realiza acções - os cientistas é que o fazem. E compara-os com a Pixar, atribuindo-lhe uma acção similar aos dos cientistas. Quais são as objecções em relação a "Ciência corrige-se"? Apliquem-nas ao exemplo da Pixar.

Apresento um exemplo em que ele diz que sou ruim em analogias. Ele disse, num comentário do Que Treta!, que o criacionismo é "uma parte da ciência em conflito com a ciência". Segundo a definição que ele tinha apresentado de "ciência", a aplicação do método científico é uma condição para que uma ideia faça parte do corpo de conhecimentos, que define a ciência - condição essa que não existe no criacionismo. Depois de lhe respondido com essa objecção (com mais palavras), acabei por dizer que o que ele disse é como os astrólogos que afirmam que a astrologia é uma ciência e que eles são cientistas, ou é como dizer «que sou um campeão de xadrez só porque jogo xadrez». Isto é: pode faltar uma condição para eu ser campeão de xadrez, que é ganhar um campeonato de xadrez, tal como falta a aplicação do método científico no criacionismo para ser ciência.
Resposta do Luciano: «Jogar xadrez não implica em campeão de xadrez, mas sim em ser um enxadrista. Vc pode ser um enxadrista amador... O criacionismo é ciência de amadores. Já foi substituido pelo design inteligente.» Ele responde como se eu estivesse a defender que jogar xadrez implica ser campeão de xadrez e insiste que o criacionismo faz parte da ciência.

Já agora, responder à "teoria da evolução dos talheres" como se o Sabino afirmasse que a Teoria da Evolução é só uma teoria (como uma mera hipótese), é distorcer o que ele disse - ele nunca usou esse argumento, que, aliás, é desincentivado pela AnswersInGenesis. Penso que tinha lido uma resposta do género (por isso tinha dito ao Luciano que «li o seu comentário na Lógica do Sabino»), mas não a encontro. De qualquer modo Luciano disse que cometi um «erro gravíssimo ao TENTAR refutar o Sabino» ao tentar «criar um conflito entre ciência e religião» e por isso preciso «de lições de argumentações». Convém primeiro que mostre onde é que faço tal coisa quando respondi ao Sabino.

Sabendo que Luciano tem o hábito de distorcer, é suposto perceberem que devem procurar as frases originais daqueles que ele acusa. Não é só a ele que o devem fazer: façam a mim, quer confiem ou não em mim. Sejam cépticos, pois podem ser vítimas de citações fora do contexto e de falácias do homem-palha. É irrelevante se estou desesperado, se não sei usar as palavras, se sou uma anta, um estulto, um imbecil, um fanático, nem sequer se nem sei ler o que está escrito - para provar que há uma falsa analogia deve perceber para que serve, o que é comparado e identificar as propriedades do comparado que negam a conclusão.

É claro que as metáforas não são perfeitas, caso contrário, por exemplo, estaria a afirmar que a Ciência e o software são o mesmo. O método científico não é um programa informático nem selecção artificial. O conhecimento não é memória nem uma rede neuronal. As metáforas servem apenas para explicar mais facilmente uma ideia através de ilustrações. Devem abstrair-se das metáforas e não levarem-nas longe demais. Vejam a vossa área de trabalho (desktop) no monitor. Está cheia de metáforas como as janelas, pastas, ficheiros e lixo. Mas se foram levadas longe demais, em vez de ajudar, atrapalham. Por exemplo, simular as limitações dos ficheiros em papel para que os ficheiros do computador pareçam mais com os físicos só atrapalha. Mas mesmo que não tendo as mesmas limitações, a metáfora é útil. E é desse modo que deve ser avaliada o seu mérito.

(continua na próxima semana)

Re: Neo-Ateísmo, Um Delírio > Ciência X Religião > p. 3.2.1

Corrigir-se e figuras de estilo


(continuação do artigo anterior)


Objectivos
  • explicar o que significa "um método corrige" e "a Ciência corrige-se" (para isso uso o software como metáfora);
  • mostrar que é legítimo dizer que o método científico corrige tal como dizer que a Ciência corrige;
  • responder às acusações de que cometo falsas analogias e apresento más metáforas (no próximo artigo);
Respostas
  1. (...) «se você quiser assumir a metáfora “ciência se corrige” então está ACEITANDO UM MODELO em que atribui ações dos players à ciência, e o poder argumentativo desta metáfora reduz-se a zero. Isso já está previsto no meu terceiro texto.» (...) «Aí fica “A ciência, como tudo, se corrige”. Ora, se é um atributo de TUDO, então PERDE O PODER ARGUMENTATIVO.» [link] [terceiro texto]
    1. a) Suponho que o "poder argumentativo" da metáfora seja a ideia de que, ao contrário da ciência, a religião corrige-se, mas como não o usei nem é o objectivo deste e dos artigos anteriores, é irrelevante, para além de ser uma questão à parte. Se inferir de um artigo tal conclusão, então é o próprio que chegou a tal conclusão.

    2. b) A Ciência não é o mesmo que as acções dos cientistas (ou seja quem forem os "players") e não se corrige porque cientistas corrigem teorias (a correcção faz parte da essência da Ciência). É uma actividade e uma abstracção, concebida por humanos, do que chamamos "fazer ciência" (tal como a Arte abstrai o que chamamos "fazer arte"; aplica-se à Filosofia, Religião, Desporto, Arte, ...). [WikipediaFree Inquiry; University of Rochester; The University of Georgia; The Scientist]
      • a) A Ciência é um sistema (ou um instrumento) para fazer predições e organizar um corpo de conhecimentos. A Filosofia Natural foi sua percursora (se consideramos os métodos científicos fundamentais para a condição de Ciência), atribui-se a Ibn al-Haytham (Alhazem) a introdução do método científico e considera-se que a ciência moderna foi iniciada no século XVI, com a Revolução Científica.

      • b) A Ciência não é uma empresa nem qualquer outra organização, tal como o Senso Comum, a Filosofia, Religião, Desporto e Arte também não o são. Não são abstracções de pessoas e lugares. O que abstraem é conjuntos de ideias (técnicas, regras, crenças, conhecimentos) e a aplicação delas para determinados fins, como uma actividade.
        Comparação com actividades simples:
        o sono, o banho, a higiene, a cozinha, a refeição e o trabalho não são nem têm pessoas, apesar de, por exemplo, alguém a cozinhar ser uma instância de cozinha. A Culinária não abstrai meramente certos tipos de prácticas - é também um conjunto de técnicas e instrumentos, é conhecimento. Não é os cozinheiros nem tem cozinheiros, nem restaurantes. Pode-se fazer culinária em casa, tal como se pode praticar desporto na praia com amigos, ou fazer arte como um amador, ou ter uma religião pessoal, ou filosofar no dia-a-dia ou fazer descobertas científicas fora de uma organização (como era comum no século XIX). O conceito de empresa, por outro lado, depende de funcionários e de administradores. Por exemplo, a Microsoft é Microsoft por causa das pessoas que a fundaram e seus sucessores, dos funcionários que trabalham para elas e dos locais onde trabalham. Para uma actividade ser uma actividade não existe essa dependência. Do mesmo modo, o conceito de família depende de pessoas (ou animais) (pai, mãe, filhos, avós, etc.)

      • c) Se as ideias associadas a uma actividade são corrigidas ou melhoradas, não quer dizer que essa actividade corrigiu-as ou melhorou-as. Exemplos:
        1) No Desporto não existe um meio de decidir que regras devem existir num deporto para o tornar interessante. A subjectividade dos interessados e experimentação é que levam a mudar as regras, que definem o desporto.
        2) Na Arte existem técnicas para os artistas conseguirem os efeitos desejados, mas essas técnicas não derivam de um método artístico, para perceber que substâncias misturar para conseguir determinadas cores, para uma pintura parecer mais realista e para provocar certas percepções.

    3. c) "Ciência corrige-se" não é uma metáfora.
      • a) A frase não é uma comparação. É uma referência à acção iterativa e recursiva no corpo de conhecimentos. [ver 2)d)]

      • b) A associação de um verbo a um sujeito (incluindo uma abstracção) não implica que se atribua intencionalidade ao sujeito. Exemplo: os correctores ortográficos não têm a intenção de corrigir erros ortográficos, mas fazem-no. Os que o desenvolveram e os usam é que têm essa intenção. Alguém com uma intenção - como construir um carro - pode delegar a sua concretização a outras pessoas ou a máquinas.

  2. «O método, conforme citado por mim, é um produto de criação HUMANA para que sirva de MODELO para sua repetição por outras pessoas. Não tem nada a ver com “o processamento”. Em qualquer análise de processos, o processamento é feito por seguir um MÉTODO de como o processamento deve ocorrer…»
    • a) A palavra "método" (inclusivamente na Filosofia) não é usada para designar uma mera fórmula - é usada como um procedimento. Diz-se que um método «corrige a postura e realinha a musculatura» ou «constrói desdobramentos mais bonitos», mas nunca se diz que uma receita faz bolos.
      1.  Exemplos:
        1) «It was easy to see that the method of science is criticism; i.e. attempted falsifications.» (Karl Popper, Conjectures and Refutations)
        2) «My view of the method of science is, very simply, that is systematizes the pre-scientific method of learning from our mistakes. It does so by the device called critical discussion (Popper, 1994, p. 158)
        3) «Método - Epist. (sentido abstracto) 1. "Arte de bem dispor uma sequência de diversos pensamentos, ou para descobrir a verdade quando a ignoramos, ou para prová-la aos outros quando já as conhecemos." (Port-Royal) (sentido concreto) 2. Processo especial: "O método das variações concominantes".» [img] (Armand Cubillier, Noveau Vocabulaire Philosophique, 1956, traduzido e adaptado por Lólio Lourenço de Oliveira e J. B. Damasco Penna)
        4) «Bacon does not identify experience with everyday experience, but presupposes that method corrects and extends sense-data into facts» (...) (Standford Encyclopedia of Philosophy)
        5) «The essential principle is just that each time the method makes a mistake» (...) «Reichenbach refers to this as the self-corrective method, and he cites Peirce, “who mentioned ‘the constant tendency of induction to correct itself,’”» (...) (Standford Encyclopedia of Philosophy)

    • b) O software é de origem humana e também é um modelo, mas pode ter a capacidade de processamento de dados. Usamos instâncias diferentes do mesmo software (ie: repetem o modelo).
      • Exemplo:
        na Cornell foi desenvolvido um programa informático que deduz leis naturais [ref: Cornell]. O programa é um modelo que pode ser executado em computadores diferentes. Não é por humanos o terem criado, ou por ser um modelo, ou por o usarmos para determinado fim, ou por ser uma abstracção de instâncias em execução, ou por ser impessoal que deixa de ser verdade que deduz leis naturais.

    • c) Correcção: cometi um lapso ao ter comparado o processamento de um programa com um método («o processamento é o método»). Os programas e as suas instâncias em execução (processos) também não são processamentos. Pretendia comparar o método científico com software e o corpo de conhecimento com a memória reservada a um programa.

    • d) Comparação com software (metáfora):
      1) Os elementos fundamentais do método científico (ou método hipotético-dedutivo) - caracterizações, hipóteses, predições e testes - são iterações e recursões. [Wikipedia; The University of Winnipeg; TomatoSphere; Plymouth State University]

      2) As observações são como entradas de dados provenientes de sensores ou periféricos, que são tratadas pelo processador e gravadas como dados na memória.

      3) As hipóteses são elaboradas pela generalização das observações, comparando-os e encontrando padrões, como numa uma rede neuronal (aplicações: reconhecimento óptico facial, reconhecimento facial, classificação de dados, avaliação de crédito, filtro de spam, etc.). [AI Topics; Imperial College London; Neural networks for knowledge representation and inference]

      4) Os testes são como algoritmos genéticos combinados com redes neuronais, que avaliam e seleccionam as hipóteses através das predições. [ver 6)] [AI Topics; Newscastle University; Science Direct]


      5) O corpo de conhecimento é como a memória, que é modificada por processos, que são os métodos. As instruções dos programas estão armazenados na memória - os métodos são conhecimento. No entanto, como processos, em geral distingue-se os programas da memória que lhes está reservada. Essa memória reservada é alterada pelos programas, mas, normalmente, os programas não são alterados por si mesmos (excepto em casos como na programação evolutiva, através de Assembly ou linguagens como Prolog). Os dados, hipóteses, leis e teorias estão num corpo de conhecimento, comparável à memória reservada de um programa.

      6) Os processos filtram e classificam os dados numa hierarquia e estão associados a "provas". Não são imutáveis na memória - mesmo que sejam classificados como teorias muito fortes. Novas observações, novas hipóteses e novos testes servem para avaliar as teorias, que podem passar a ser consideradas obsoletas e substituídas por outras, como uma algoritmo genético que substitui uma solução por outra melhor, segundo uma função de adaptação (fitness). Neste caso, as teorias são como uma população que muda por selecção artificial. [Standford Encyclopedia of PhilosophyInternet Encyclopedia of Philosophy; Evolutionary epistemology, rationality, and the sociology of knowledge]


      7) Os mesmos mecanismos que avaliam as hipóteses, para serem promovidas a teorias, também avaliam as próprias teorias, consideradas verdades estabelecidas. Do processo de avaliação, podem ser encontrados erros e daí as teorias serem modificadas ou removidas como obsoletas da sua posição (passam a apenas a ter interesse histórico). O resultado dessa avaliação é uma correcção, inerente ao método científico e, por sua vez, à Ciência. [comparar com figura em 2.d)4)]



  3. «A ciência só poderia se corrigir se a ciência estivesse errada. Mas não estava. A definição de ciência segue a mesma de sempre.» [artigo] «E de novo, como você resolve o problema da ciência ser MUTÁVEL e IMUTÁVEL ao mesmo tempo? Problema aliás, que é só seu. Pois eu não uso tais recursos erísticos de atribuir ação à ciência. » [link]
    • a) Ao corrigir algo, a essência desse algo continua a mesma - o que muda é as propriedades acidentais. [cit: «As correcções não fazem parte das suas essências - são, na terminologia filosófica, acidentais.»]
      Exemplos:
      Se corrijo um programa ou um texto, as definições de programas e de textos continuam as mesmas. Se um programa corrige a si mesmo (alterando a memória reservada a ele pelo Sistema Operativo), continua a ser um programa por definição e o mesmo programa, na sua essência, tal como se corrigir-me, continua a ser o Pedro.

    • b) Segundo a Lei do Terceiro Excluído, ou x ou não-x, e não há outra possibilidade: ¬(x ∨ ¬x) → ¬x ∧ x (absurdo!). Essa lei permite, por exemplo, provar que se um potência é racional, a sua base e expoente não são irracionais. O corpo de conhecimentos faz parte da Ciência, pela definição dad por Luciano. A propriedade de mutabilidade das partes é transferida ao todo, e basta que uma parte mude para que o todo mude. Portanto, a Ciência é mutável.

  4. «Provavelmente ele pensou que eu, ao questionar a expressão “ciência se corrige” estava automaticamente dizendo que “ciência não se corrige”. Não, eu não acho que ciência se corrige, e nem evita correções.» [link]
    • a) Dizer "x corrige-se e evita correcções" não é uma contradição, do mesmo modo que dizer "x condena e salva" não é uma contradição. Estou acordado, mas é verdade que durmo. Não estou a comer, mas é verdade que como. Não estou a evacuar nem a urinar, mas é verdade que evacuo e urino. Um exército ataca e defende - ataca os inimigos e defende a si mesmo e os aliados. [cit: «Durmo e como, mas não estou a dormir nem a comer.» (...)]

    • b) Se "a Ciência corrige-se" contradiz "a Ciência não se corrige", então conclui-se pela Lei do Terceiro Excluído, que «A ciência só poderia se corrigir se a ciência estivesse errada. Mas não estava.» leva à conclusão de que a Ciência não se corrige.

  5. «O que acontece é que um cientista talvez tenha a sua pesquisa refutada por um outro, assim como no cinema a Pixar trouxe uma nova técnica que superou a antiga animação.» [a seguir ao texto citado de 4.]
    • a) Falácia da falsa analogia:
      A Pixar não é um indivíduo como um cientista. Pelo contrário, é equiparável à Ciência, no sentido de ser uma entidade com "componentes" (animação), "players" (animadores), "público" (espectadores) e "domínio" segundo o Luciano, o que põe em causa os argumentos do artigo em questão e em "A difícil arte de dialogar com os neo-ateus Parte 2 OU Como discutir com aquele que não lê o que está escrito".

    • b) Falácia da conclusão irrelevante:
      Um cientista a refutar a pesquisa de outro cientista é uma instância de uma iteração do método científico, que é precisamente a correctiva. A Pixar ao trazer uma técnica que torna outra obsoleta, não fez uma correcção: fez uma melhoria. O que é mostrado é que na Ciência e na Pixar as ideias substituem outras. Concordo que cientistas refutam pesquisas de outros cientistas, mas isso não implica que não faz sentido dizer que a Ciência não se corrige.

    • c) Inconsistências/duplipensar:
      1) No caso da Pixar, parece que Luciano percebe que nem todas as acções dos "players" são atribuídas à empresa, apesar de atribuirmos acções dos "players" a elas. Por exemplo, se um empregado da Pixar faz um trabalho de animação pessoal em casa, não se atribui o trabalho à Pixar. Mas os trabalhos realizados pelos empregados na empresa são atribuídos à Pixar. Não é um exemplo da tal falácia da composição?

      2) Luciano também disse que há um "público" que «beneficia do que os outros três fatores» (ex: Ciência, as teorias científicas e os cientistas) «geram» - e que diria melhor: «os benefícios gerados pelos players, que geram novos componentes». Vivo em Portugal. Eu diria melhor: vivo na Grande Lisboa. Diria ainda melhor: vivo no distrito de Setúbal. Diria ainda melhor: vivo no concelho do Seixal. Diria ainda melhor: vivo na freguesia de Amora. Diria ainda melhor: vivo na localidade das Paivas. Só falta indicar o endereço da minha casa. Então é incorrecto dizer que a Ciência gera benefícios?

      3) A Ciência também gera malefícios, como armas de guerra e drogas. Concluímos que dizer que gera benefícios ou que não gera benefícios é um equívoco?
(conclusões e argumentos no próximo artigo)

26 setembro, 2009

Re: Neo-Ateísmo, Um Delírio > Ciência X Religião > A ciência corrige-se p.2

«Science is a way of thinking much more than it is a body of knowledge.»
- atribuído a Carl Sagan (sem fonte)

(...) «a ciência é mais do que um corpo de conhecimentos; é uma maneira de pensar.»
- Carl Sagan,
in "Um Mundo Infestado de Demónios" (cap. 2; ed. gradiva)

(cap. 3) «Devo notar que emprego o termo "luta pela existência" no sentido geral e metafórico» (...) (cap. 4)«Diz-se que falo da selecção natural como de uma potência activa ou divina; mas quem critica o autor quando fala da atracção ou gravitação, como regendo o movimento dos planetas? Todos sabem o que significam, o que querem exprimir estas expressões metafóricas necessárias à clareza da discussão. É também muito difícil evitar personificar o nome "natureza"» (...)
- Charles Darwin, in "A Origem das Espécies" (tradução do médico e professor Joaquim Dá Mesquita)

«“A Ciência é antes um modo de pensar do que propriamente um conjunto de conhecimentos.” (Carl Sagan) Sagan deve ter confundido “conjunto de conhecimentos” com “corpo de conhecimento”.»
- Luciano Henrique, in "Neo-Ateísmo, um Delírio"

(...) «na situação padrão de ciência, nós não usamos metáforas. Nós tratamos tudo literalmente, pois as afirmações devem ser de testabilidade direta ou indireta.»
- Luciano Henrique, in "Neo-Ateísmo, um Delírio"
Analogias, contexto e falácias da composição
Num comentário do seu blog "Neo-Ateísmo, um Delírio", Luciano Henrique objectou a minha resposta dizendo que cometi o «erro grave é tentar atribuir ação à conceitos inertes» e, «para variar, mais analogias erradas» que, mencionando dois exemplos do artigo, seriam validas «se afirmasse que “A língua portuguesa se corrigiu”» e « “A Informática se corrigiu”». Como podem notar pela resposta, não é a primeira vez que ele acusa-me de fazer analogias falsa. No comentário começa por confundir a 4ª parte da sua série "A difícil arte de dialogar com neo-ateus" com a 3ª parte (que tem o subtítulo "OU Mapeando aqueles que tentam validar uma falácia da composição"), já que o exemplo do CRM está na 3ª mas não na 4ª. E diz que o exemplo que deu fecha a questão a seu favor. Sugiro que siga o seu próprio conselho e que leia bem o que está escrito.

Para defender convenientemente que existe uma falsa analogia, convém que se responda ao que está a ser comparado e ao que se responde com a comparação. Os dois exemplos que ele usou do meu artigo encontram-se no primeiro e segundo parágrafos da secção com o título "Falácia da composição, essência e acidente": 1) «Mesmo que, entre várias redacções, alguns erros não tenham sido corrigidos, dizemos que o professor corrige as redacções.»; 2) «E dizemos que um programador que não corrige os programas limita-se implementá-los sem os testar ou ignorando os bugs e a estrutura do código.» (Claro que ele não usou exemplos como "Durmo e como, mas não estou a dormir nem a comer" que também são muito diferentes de "ciência corrige-se"...) Os dois parágrafos servem de introdução e preparação para os últimos dois parágrafos da mesma secção. No contexto dos exemplos, respondi ao argumento de que dizer que a ciência corrige-se - e até mesmo que cientistas corrigem a ciência - é uma falácia de composição, até com um problema relativo ao princípio de não-contradição (e a lei do terceiro excluído?) e que a ciência é imutável. Portanto, o objectivo dessa secção não é mostrar que a ciência corrige-se. Sugiro que releiam essa secção e que verifiquem se os argumentos de Luciano em questão são válidos, incluíndo a analogia do CRM, em vez de estarem satisfeitos com a questão a ser contornada com um homem-palha.
Fig. 1: segundo Luciano, S não se corrige porque o que é corrigido é uma parte de S.

Todas as palavras foram inventadas por seres humanos e os seus significados são meras convenções. A língua portuguesa é uma convenção, como a Web, e depende dos que a conhecem para existir (o que significa serem corrigidas?). Dizer que um texto tem erros é dizer que viola as regras da língua. Por exemplo, "mabalarismo" está errado porque a palavra que se inventou como convenção para nos comunicarmos é "malabarismo". As linguagens de programação - que são também convenções - é que são homólogas às línguagens naturais, como a portuguesa (a Linguística é que é homóloga à Informática). Os erros de programação são más aplicações da linguagem ou que não seguem a especificação. A má aplicação ao ser corrigida não corrige nem melhora uma linguagem de programação, tal como a má aplicação da Ciência não a piora nem a correcção dessa má aplicação melhora a Ciência. Dizemos nesses casos que nos corrigimos (comparar com «se eu me corrijo, isso não implica em que automaticamente a entidade Administração seja corrigida»).
Fig. 2: A correcção de uma aplicação errada de um conhecimento, por ignorância ou descuido, não corrige o tal conhecimento nem o que formou. Senão dir-se-ia que até os exames escolares corrigiriam o que se ensina aos alunos. S pode corrigir-se. C - o conhecimento - não o pode fazer. A Língua Portuguesa, as linguagens de programação e as teorias são como 2. A Linguística, a Informática e a Ciência são como 1.

A palavra "informática" é muitas vezes usada para se referir a conhecimentos relacionados com o uso de computadores. Nesse sentido, até o uso do rato é informática (existe até o que é chamado de "informática na óptica do utilizador"). Como é apenas um conjunto de conhecimentos, não faz sentido dizer que se corrige. No entanto, no contexto científico, a Informática é uma ciência que faz parte da Matemática. Não é apenas um corpo de conhecimentos, mas também a metodologia que o dá forma e o dinamiza. Aí entramos na segunda secção do meu artigo: "A metodologia que corrige". É aí que defendo que faz sentido dizer que a Ciência corrige-se e até disse que é possível que a Administração corrija-se se for uma entidade que é uma ciência, com um corpo de conhecimentos e metodologia, ou representa um conjunto de pessoas, ao invés de um mero processo. Até fiz uma ilustração para que se perceba a diferença.

A Ciência corrige-se
Nos intervalos do trabalho, costumo ler artigos relacionados com programação informática e tecnologias de informação, como o "The Daily WTF". Na quarta-feira passada foi lá publicado um artigo sobre código que se documenta tão bem que não precisa de comentários. Dizemos que o código documenta a si mesmo, se é fácil de perceber por si mesmo o que faz (ie: produz um efeito no leitor), especialmente recorrendo a bons nomes para variáveis e funções. Caso contrário, é preciso o uso de comentários, com uma linguagem natural, para percebê-lo facilmente. É mais comum dizer que um método ou que uma metodologia corrige [1; 2; 3; 4]. Não são meras fórmulas, como uma receita, mas um processo, uma prática, um modo de proceder. Na primeira secção tinha apresentado exemplos do dia-a-dia, do senso-comum, para sensibilizar o leitor para a segunda secção cujo título implica que existe uma metodologia que corrige. Ora, a Ciência é tanto um corpo de conhecimentos como a metodologia que lhe dá forma. Se fosse apenas o corpo de conhecimentos ou a metodologia, não se percebia o que significava "corrigir-se" - mas não é esse o caso.
Fig 3: «Dizemos que nos corrigimos quando reconhecemos um erro e o emendamos. Não queremos dizer com isso que nos tornamos perfeitos e que não temos muitos outros defeitos.» (...) «Nós corrigimo-nos porque nós próprios somos capazes de mudar as nossas próprias crenças. Existem robôs programados para aprenderem e serem autónomos, que podem corrigir-se» Reparem que muitas vezes quando dizemos que nos corrigimos, referimo-nos a algo externo a nós próprios (como uma gralha num texto) ou a um erro cometido no passado (como uma palavra mal pronunciada).

Na Ciência o mais importante não é o resultado em si - o mais importante é como se chegou a ele. O processo mental que leva a uma crença é o que distingue a Ciência, o Senso Comum, a Filosofia e Religião entre si. Todos evoluem, mas a mudança não implica correcção. Por exemplo, não faz sentido dizer que as línguas têm erros, sendo meras convenções para comunicar. São é melhoradas, do ponto-de-vista daqueles que as utilizam [1; 2]. Na Ciência há uma metodologia que permite identificar os seus próprios erros como tal e que iterativamente são eliminados e substituídos por ideias melhores. Quer dizer, a Filosofia, por exemplo, ajuda nos conceitos e epistemologia, que permite-nos ter uma metodologia e clareza, mas é a própria Ciência que descobre os seus próprios erros e corrige-os. (daqui a 2 artigos elaborarei o que escrevi neste parágrafo)

O livro "O cérebro de Broca - reflexões sobre a beleza da Ciência", de Carl Sagan, tem num final "apêndices ao capítulo 7", em 11 páginas cheias de fórmulas, um gráfico e uma tabela, para analisar as hipóteses do dr. Velikovsky. No início do capítulo 7 está:
«Os cientistas, como os outros seres humanos, têm as suas esperanças e os seus medos, as suas paixões e os seus desencantos - e as suas emoções fortes podem por vezes interromper o curso do pensamento claro e da prática ortodoxa. Contudo, a ciência também se corrige a si mesma. As hipóteses predominantes devem resistir ao confronto com a observação. Os recursos à autoridade são inadmissíveis. Os passos numa discussão fundamentada devem ser revelados a todos os que os quiserem ver. As experiências devem poder reproduzir-se.

A história da ciência está repleta de casos em que teorias e hipóteses previamente aceites foram completamente destornadas para dar lugar a novas ideias que explicam os dados de forma mais apropriada. Como existe uma inércia psicológica compreensível - que dura em geral uma geração -, essas revoluções do pensamento científico são amplamente aceites como um elemento desejável e necessário ao progresso científico.» (...) «A ideia da ciência mais como método que como corpo de conhecimentos não é muito apreciada fora da ciência, nem mesmo em alguns ramos da própria ciência.» [comparem com as citações no início deste artigo] (...) «É frequente que um artigo, revisto depois de ter sido objecto de crítica, acabar por ser aceite para publicação.» [exemplo dado: "Crítica a O Efeito de Júpiter", de J.Meeus (1975) e comentário na Icarus] (...) «A crítica vigorosa é mais constructiva na cência que outras áreas da actividade humana, porque na ciência há padrões adequandos de avaliação com os quais estão de acordo praticantes competentes.»
Continua com cerca de 60 página dedicadas a Immanuel Velikovsky - «As emoções da comunidade científica excederam-se com a publicação de Immanuel Velikovsky, especialmente do seu primeiro livro, Mundos em Colisão, em 1950». Na penúltima página do capítulo está:
«A indignação que parece ter-se apossado de muitos cientistas, em geral calmos, ao colidirem com Mundos em Colisão produziu uma série de consequências.» (...) «Em toda a questão de Velikovsky, o único aspecto pior que a abordagem falsa, ignorante e doutrinária de Velikovsky e de muitos dos seus apoiantes foi a tentativa fracassada, por alguns que se intitulam cientistas, de suprimir os seus escritos. Todo o empreendimento científico sofreu com isto. Velikovsky não faz afirmações sérias, objectivas ou falsificáveis. Não há, pelo menos, nada de hipócrita na recusa rígida do imenso corpo de dados que contradiz os seus argumentos. No entanto, supõe-se que os cientistas estão preparados para entender que as ideias serão julgadas pelo seu mérito se o livre inquérito e o debate vigoroso forem permitidos.
Enquanto os cientistas não derem a Velikovsky a resposta ponderada que o seu trabalho exige, somos responsáveis das confusões velikovskianas.»
Comparem com o que Luciano diz a respeito com o que Sagan escreveu: «deve ter confundido “conjunto de conhecimentos” com “corpo de conhecimento”», não percebeu que «existe o bom profissional, e o mal profissional», que afirmou «que o cientista é alguém infalível e sem fé» e que a «ciência é o único método para descobrir a realidade», etc. Deturpa o primeiro capítulo, de "O Mundo Assombrado por Demónios", com a introdução do taxista (na edição da gradiva: «ele disse-me que estava contente por ser "aquele fulano cientista", pois tinha muitas perguntas a fazer sobre ciência»). Já agora comparem as suas respostas com o que escrevo.

Curiosamente acusou-me de "desonestidade intelectual e safadeza", e "ateu fanático e mentiroso costumaz". Outro chamou-me de louco por associar os termos "idolatria" e "religião" e que sou um ignorante por dizer que existem cristãos comunistas. Incentivo que duvidem de mim e verifiquem por si mesmos o que digo - se estiver errado, agradeço que me corrigem. Pelos vistos Luciano vai por outra via. Já agora: ontem à noite enviei um e-mail para benedictxvi[at]vatican[dot]va . Amanhã escreverei sobre religião, como tinha já dito. Posso ser um fanático que escreve poucos artigos e um mentiroso que coloca as provas das suas mentiras como referência, mas espero que sejam do vosso interesse.

13 setembro, 2009

Re: Neo-Ateísmo, Um Delírio > Ciência X Religião > A ciência corrige-se p.1

Nota: era suposto que logo a seguir ao último artigo fosse publicado um artigo que continuasse o mesmo tema, mas primeiro vou publicar alguns artigos para responder a Luciano Henrique.
«There are many hypotheses in science that are wrong. That's perfectly all right; it's the aperture to finding out what's right. Science is a self-correcting process. To be accepted, new ideas must survive the most rigorous standards of evidence and scrutiny.»
- Carl Sagan in "Cosmos: A Personal Voyage" (ep. 4)

«The history of science, like the history of all human ideas, is a history of irresponsible dreams, of obstinacy, and of error. But science is one of the very few human activities — perhaps the only one — in which errors are systematically criticized and fairly often, in time, corrected. This is why we can say that, in science, we often learn from our mistakes, and why we can speak clearly and sensibly about making progress there. »
- Karl Popper in "Conjectures and Refutations: The Growth of Scientific Knowledge" (cap. 1)

Luciano: «O termo “ciência se corrige, no momento em que uma teoria científica é corrigida” é a falácia da composição, ou seja, a tentativa de se aplicar para o todo aquilo que é válido para uma das partes»
Luciano: «Mas o pior de tudo é que não é possível que “ciência se corrige” e “ciência não se corrige” estejam juntas, pois são logicamente contraditórias. Ou é um ou é outro.»
Luciano: «A ciência só poderia se corrigir se a ciência estivesse errada. Mas não estava. A definição de ciência segue a mesma de sempre.»
Luciano: ... «eu me corrijo, isso não implica em que automaticamente a entidade Administração seja corrigida.»
Luciano: ... «o grande objetivo do texto, ao desmistificar a expressão "ciência se corrige", era evitar a banalização do termo ciência. Deixar de olhar a ciência com olhos de "sonhador" e ver a ciência como ela realmente é. Na prática. Com todas as suas qualidades e defeitos, como qualquer área do conhecimento humano.»

Falácia de composição, essência e acidente
Professores, em geral, corrigem testes. Mesmo que escapem alguns erros e algumas respostas correctas sejam avaliadas como incorrectas, ao dizermos que corrigem os testes, dizemos uma verdade. Mesmo que, entre várias redacções, alguns erros não tenham sido corrigidos, dizemos que o professor corrige as redacções. Dizemos que nos corrigimos quando reconhecemos um erro e o emendamos. Não queremos dizer com isso que nos tornamos perfeitos e que não temos muitos outros defeitos. Os programadores informáticos disciplinados que se importam com os seus programas corrigem-nos. Podem ter uma lista de erros por corrigir - alguns marcados como incorrigíveis -, mas continuamos a considerar que a proposição da frase "os programadores corrigem programas" é verdadeira.

Durmo e como, mas não estou a dormir nem a comer. Mesmo que tenha tido uma noite em branco, continuamos a aceitar que durmo. Já tive de fazer jejuns para exames médicos e muçulmanos fazem jejuns todos os anos. Mas aceitamos que tanto eu como eles comemos e que se alguém diz que não comemos está a dizer uma falsidade. A pedras não comem nem dormem e dizemos que alguém não dorme se sofre de insónias e que não come se tiver anorexia ou recusa-se a comer - ou se fosse um anormal que não que não precisa de dormir ou comer. Diríamos que um professor não corrige os testes se as respostas estiverem todas certas, se ignora os erros ou limita-se a indicar um valor de avaliação. Dizemos que alguém não se corrige se nunca admite os seus próprios erros ou raramento o faz. E dizemos que um programador que não corrige os programas limita-se implementá-los sem os testar ou ignorando os bugs e a estrutura do código.

As teorias científicas não são irreduzíveis - pelo contrário, são estruturas conceptuais muito complexas. Por exemplo, a Teoria da Evolução é composta por várias teorias: a evolução em si, ancestralidade comum, gradualismo, multiplicação das espécies e selecção natural. [What is Darwinism?] Se partes das teorias são corrigidas, é verdade que as teorias são corrigidas. Dizer que algo é corrigido não quer dizer necessariamente que esse algo é um erro: pode ser algo que tenha erros. Além disso, corrigir ideias é uma acção aplicada às ideias, não é uma propriedade das ideias. Uma teoria não deixa de o ser por ser corrigida, tal como os testes, pessoas e programas informáticos não deixam de o ser por serem corrigidos. As correcções não fazem parte das suas essências - são, na terminologia filosófica, acidentais. [Wikipedia; Recanto das Letras; HyperFilosofia; Crítica; Wikipedia]

Teorias podem ser descartadas a favor de outras. As teorias do Éter e Flogisto servem de exemplos clássicos, que foram refutadas e substituídas pela Teoria Quântica dos Campos e pela Teoria Calórica, que por sua vez foi substituída pela Teoria do Calor. Como teorias erradas foram eliminadas como obsoletas e substituídas por outras melhores, houve correcções. O que é corrigido muda, mas não perde a sua essência - o que não é o caso nestes exemplos. Não foram as teorias que foram corrigidas, foi algo que as contém - a Ciência.
Fig.1: corrigindo P.
P pode ser um programa informático e M1, M2 e M3
podem ser módulos.
P também, pode ser a Ciência e M1, M2 e M3 podem ser teorias.


A metodologia que corrige
Definições de "ciência" (P) segundo Luciano:
  • «corpo de conhecimento adquirido através das práticas e pesquisas que tenham sido suportadas pelo método científico» (C)
  • «sistema de aquisição de conhecimento baseado no método científico» (M)
Fig. 2: C em P é resultado de M de P.

A Ciência tem uma metodologia M para distinguir o verdadeiro do falso no seu domínio, para que se decida se uma ideia é incorporada no seu corpo de conhecimentos C ou removida de C. Como esse processo é iterativo e reconhecidamente falível, C é dinâmico, mesmo que intervenientes que implementam M estejam muito apegados a ideias antigas e recusam a actualizar C durante muito tempo. [Science for SEO] É com isso que se quer dizer "a ciência corrige-se". Nós corrigimo-nos porque nós próprios somos capazes de mudar as nossas próprias crenças. Existem robôs programados para aprenderem e serem autónomos, que podem corrigir-se, quer seja por técnicas como redes neuronais ou algoritmos de procura, como os genéticos, que implemente M aplicado em C. Se "administração" significa apenas um meio para atingir um objectivo, sem C, não faz sentido dizer que se corrige - mas corrige C que existe fora dela. Se for um grupo de indivíduos ou uma ciência - portanto, entidades -, é possível que se corrija.

Era muito comum Carl Sagan lembrar os erros e obstinação de cientistas. Ele disse que a Ciência é um processo de auto correcção depois de contar as ideias catastrofistas de Imannuel Velikovsky, e continuou dizendo que o pior não foi serem ridículas e contradizerem os factos - o pior foi cientistas terem tentado suprimir as suas ideias. [também em "Cérebro de Broca - Refexões sobre a beleza da Ciência", cap. 7] No capítulo 14, "A anticiência", em "Um Mundo Infestado de Demónios - A Ciência como Uma Luz na Escuridão", é dito que muitas vezes cientistas tiveram posturas dogmáticas que prejudicaram as vidas de outros cientistas e o empreendimento científico. O capítulo 16 tem o título "Quando os cientistas conhecem o pecado", onde é dito que a Ciência tem «responsabilidades profundas» «na má utilização das suas descobertas».

Eu próprio tinha colocado há dois anos mais exemplos no artigo "Ciência e dogma". Quando se diz que a Ciência corrige-se, tem-se em conta que humanos imperfeitos fazem parte dela e que ela não é perfeita. As contra-intuitivas Selecção Natural, Teoria da Relatividade e Mecânica Quântica sofreram oposição cerrada durante anos pela comunidade científica, consideradas absurdas. [CSUN; Discover Magazine; Florida State College] Mas a própria Ciência tem mecanismos que permitem reconhecer o valor das ideias e de correcção, sejam quais forem os preconceitos e dogmas dos envolvidos.

(A segunda parte não será logo a seguir a este artigo. Noto que o blog tem uma etiqueta chamada "semântica" e farei uma conclusão sobre disputas semânticas.)

10 junho, 2009

Re: perspectiva > informação codificada de origem inteligente

Os links e negritos foram adicionados às citações.

O código

perspectiva:
«1) Informação codificada tem sempre origem inteligente (Krippahl)
2) O DNA tem informação codificada (Crick, Watson, Sagan, Dawkins)
3) O DNA teve origem inteligente (Anthony Flew


Francis Crick: «You understand. I didn't know the difference at the time. 'Code' sounds better, too. 'Genetic cipher' doesn't sound anything like as impressive.»

Francis Crick, in "What Mad Pursuit: A Personal View of Scientific Discovery" p.90:
«Unfortunately the phrase "genetic code" is now used in two quite distinct ways. Laymen often use it to mean the entire genetic message in an organism. Molecular biologists usually mean the little dictionary that shows how to relate the four-letter language of the nucleic acids to the twenty-letter language of the proteins, just as the Morse code relates language of the proteins, just as the Morse code relates the language of dots and dashes to the twenty-six letters of the alphabet» (...)
«The proper technical term for such a translation rule is, strictly speaking, not a code but a cipher. In the same way the Morse code should be really the Morse cipher. I did not know this at the time, which was fortunate because "genetic code" sounds a lot more intriguing than "genetic cipher".
An important point to notice is that although the genetic code has certain regularities» (...) «its structure otherwise makes no sense. It could well be that it is mainly the result of historical accidents in the distant past. Of course none of this was known in 1953 when the double helix was first discovered.»
* Code Fun > The genetic code dogma has utterly failed
* Code Fun > What is the genetic code?
* History of the Code Metaphor
* New Scientist > We need a satisfactory metaphor for DNA
* Pub Med Center > The code, the text and language of God
* Metaphors of DNA: a review of the popularisation processes


I'm melting!
perspectiva: «Os genomas só pode ter alguns milhares de anos. Se assim não fosse, já há muito teriam sofrido um “genetic meltdown”. É que as mutações são comulativas e degenerativas, degradando a informação codificada nos genomas.»

Imagine que de uma espécie de pombo, surge outra espécie de pombo mas incapaz de voar. Houve decréscimo de informação? Agora imagine que desse pombo incapaz de voar surge um pombo tal como o seu ascendente referido inicialmente, capaz de voar. O que aconteceu à informação no ADN?

perspectiva acredita que todas as raças humanas têm origem de um único casal de humanos. Segundo a sua asserção, a informação do ADN dos seus descendentes têm sido degradada ao longo dos tempos. Isso quer dizer que somos inferiores em relação aos nossos ascendentes? Os causasóides têm menos informação no seu ADN em relação aos negróides? Os índios têm menos informação no ADN do que os orientais?

Notícia: neste ano o paleontólogo Jack Horner divulgou a sua tentativa em reverter a evolução das galinhas - como já se fez com moscas e ratos -, para fazer um "dinochicken", com dentes, cauda e dedos.

* Vídeo > How creationists abuse mathematics 4
* Vídeo > How creationists abuse mathematics 3
* 8th Foundation falsehood of creationism - Mutations and genetic information
* BioCiência > Mutação e seleção natural: fatores evolutivos?
* Vídeo > Why are we here (7:00)
* Science Daily > 'Reverse Evolution' In Real Time Provides Key Insights Into Basic Mechanisms Of Evolution
* Eurekalert > Scientists reverse evolution
* National Geographic > "Reverse Evolution" Discovered in Seattle Fish
* CiênciaHoje > Cientistas recriam processo de evolução de moscas do vinagre e fazem-nas recuar no tempo
* World Science > Reverse human evolution plausible, testable, U.S. biologist says
* MSNBC > 'Dinochicken' scheme puts evolution in reverse
* Vídeo > Evolution CAN Increase Information (Pwnage Olympics Event #1)


Espécies
perspectiva: «O conceito de espécies bíblico corresponde áo de género.
A partir dos géneros criam-se espécies e subespécies, mas sem criar nada de novo. Apenas se especializa a informação genética existente no género (ou nalguns casos, talvez, na família). A verdade é esta: nunca ninguém viu a vida a surgir por acaso ou uma espécie a transformar-se noutra diferente e mais complexa

"Espécies" no Génesis corresponde ao género, mas o "conforme à sua espécie" pode nalguns casos referir-se às famílias? Na seguinte imagem estão representados exemplos de diferentes espécies da família Columbidae, de diversos géneros e sub-famílias.
Exemplos de hominídeos (família Hominidae; os gorilas, chimpanzés e humanos pertencem à subfamília Homininae):
Exemplos de crânios de hominídeos (a maioria pertence ao género Homo):
A chita pertence ao género Acynonix. O caracal pertence ao género Caracal. O gato pertence ao género Felis. O ocelote pertence ao género Leopardus. O cerval pertence ao género Leptairulus. O lince pertence ao género Lynx. O leopardo pertence ao género Prionailurus. O leão, o tigre, o jaguar e a pantera pertencem ao género Panthera. São todos da família felinos (Felidae). Os felinos pertencem à subordem Feliformia, onde estão incluídos a fossa, a hiena, a suricata, o mangusto, a nandinia e o biturongo.

Os lobos, os coiotes e os cães pertencem ao mesmo género Canis, da família dos canídeos (Canidae), onde também pertencem as raposas (que pertencem ao género Vulpes). Pertencem à ordem Caniformia, onde estão os ursos, os pandas, as doninhas, as lontras, os guaxinis e focas. As subordens Caniformia e Feliformia pertencem à ordem Carnivora.

Não me parece que a do perspectiva sobre os géneros e das famílias esteja a ser aplicada à família dos hominídeos.

* Vídeo > The Problem With 'Kinds'
* Vídeo > The Creationist Concept of Kind


Criador
perspectiva: «O Pedro Amaral Couto pode tentar provar que é possível ter informação codificada sem inteligência e que DNA não tem informação codificada. Também pode tentar explicar como é que o DNA poderia surgir e ser lido e executado sem a biomaquinaria codificada no DNA.»

Stiltskins: «God made the RNA spontaneously form.»

Notícia: já foram observados ribonucleótidos formados espontaneamente em laboratório, ao ser recriado o que se pensa terem sido as condições da Terra antes de ter vida. Essas moléculas foram detectadas em nuvens interestelares e em meteoritos. A formação do ARN é mais simples do que os cientistas pensavam. Não foi feito ainda o mesmo com ADN, apesar de já ter existir ADN sintético, mas há antes também não se tinha feito com o ARN e só agora é que temos um assim.

* Agência FASPEP > Síntese primordial
* Vídeo > Abiogenesis confirmed
* Vídeo > Life's First Spark Re-created in the Laboratory
* Vídeo > The Origin of Life - Abiogenesis - Interview with Jack Szostak
* Vídeo > Abiogenesis - origin of life
* Vídeo > El origen de la vida - Abiogénesis
* The New York Times > Chemist Shows How RNA Can Be the Starting Point for Life
* Science News > How RNA Got Started
* Science Daily > Closing a Loop In The RNA World Hypothesis
* CK Lin > Re-Creating Life: How One Laboratory Did It
* Past Lessons, Futures Theories > Making life's first RNA molecules

perspectiva: «O DNA tem todas as instruções que, depois de transcritas, traduzidas, lidas e executadas, conduzem à criação de diferentes espécies, extremamente complexas e capazes de interagir com o meio e umas com as outras.»

Jó 31:15 - «Aquele que me formou no ventre não o fez também a ele? Ou não nos formou do mesmo modo na madre

Isaías 44:24, 49:5 - «Assim diz o Senhor, teu redentor, e que te formou desde o ventre» (...) «E agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo» (...)


Pelos vistos perspectiva sabe que o ADN cria espécies - não de um organismo imediatamente para outro, mas comparado com ascendentes mais distantes. Todo o pai é da mesma espécie do seu filho (pelo menos se for fértil e de forma natural), o avô é da mesma espécie do pai e assim sucessivamente. Lobos dão lobos, cães dão cães, mas os cães descendem de lobos. Se está confuso, esta imagem pode esclarecê-lo. Proponho que Deus dirija a ovulação, fecundação, a replicação do ADN, a divisão celular e todo o processo de gestação, mas ninguém consegue vê-lo. E que está envolvido em todos os processos naturais, que levariam à formação de ribonucleótidos e que esteve envolvido na atracção entre eles para a formação de cadeias de ARN. Todo o fenómeno químico tem a intervenção na mão invisível de Deus, quer seja panteísta, deísta ou teísta.

Ou talvez o ADN seja o designer inteligente. Afinal de contas, o que vemos é ADN a criar espécies. Depois de se perder algo numa obra-prima, pode decidir dar um passo para trás numa evolução regressiva, por isso - se a aritmética é verdadeira - deve ter ganho o que tinha sido perdido (tente substituir X e Y por valores numéricos da secção "I'm melting!"). Os cães conseguem interpretar expressões e gestos que os humanos adquirem de forma inata - coisa que os lobos e nem mesmo os chimpanzés conseguem fazer ["A Evolução Para Todos", de David Sloan Wilson]. Famílias de um povoado de Limone Sul Garda, no norte de Itália, tem uma mutação que dá melhor tolerância ao colesterol, prevenindo doenças cardíacas, mesmo com hábitos dietéticos de alto risco. É com esse tipo mutações prejudiciais que o ADN degenera-se. E fá-lo atraindo moléculas específicas para cada gene pelas forças de atracção que existem nos átomos, formando proteínas - assim a metáfora da cifra é mais apropriada. Pelos vistos - segundo o perspectiva - o ADN até criou pelo menos 20 linguagens diferentes em organismos diferentes com esse processo, tal como existem linguagens informais como o português, o espanhol e o francês derivadas do latim. Nem sequer os evolucionistas achavam que esse poder criativo do ADN fosse possível - ou de uma inteligência invisível que o guia. Teve de ser um criacionista a prever esse design inteligente do designer ADN.