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30 maio, 2010

Sentido da vida: igual ou livre

Os jogos da série de vídeo-jogos Metal Gear Solid tornaram-se os meu favoritos. Já comprei 3 para a PSP Go e tenho uma demonstração grátis do Metal Gear Solid: Peace Walker. São tecnicamente muito bons e venceram vários prémios. Oiçam o tema musical e vejam as suas imagens. Mas são apenas cerejas por cima do bolo. A jogabilidade é original e exige paciência e estratégia. Apesar de serem jogos de acção, somos incentivados a evitar matar os inimigos, especialmente no Portable Ops e no Peace Walker. Os personagens jogáveis podem encostar-se em paredes e espreitarem, esconderem-se debaixo de objectos e usar meios de ataque e defesa não letal. Até com seringas anestésicas.

Mas não é só jogo. Têm também estórias e temas filosóficos cativantes. Apesar de ser um jogo de acção, que envolve guerra e espionagem, promove o pacifismo e critica a manipulação dos governos através de militares. Aborda temas como a lealdade, o sentido da vida, os efeitos da censura na sociedade e a influências dos genes, memes, cena e sentido (gene, meme, scene, sense) na personalidade.


- «I will not allow the world to be a playground for abstract national interest and petty political gambits. I will use the superior force of arms to achieve superior force of will. Thus I will make the world whole again. For I am the Successor, and this is my calling.»
- «You're nothing but a dictator.» ... «You use fear to keep your soldiers in line. You use words to deceive your allies. You exploit those who look up to you as a mentor and then you throw them away. The country you're building is no heaven for soldiers. The place they are looking is outside your 'heaven'.»
- «Open your eyes, Snake. This is our calling. It's all part of a greater mission. Compared to this calling, the individual wills of individual soldiers are meaningless. Those who have no calling must be given one by those who do. They must follow the teachings of those with a greater will.» ... «It is my calling. And I will bestow it upon others. The countless masses with no wills of their own must devote their life to a higher cause. They must give their trivial lives, their petty contentment. They must sacrifice all their energies to the cause - pour their feeble lives into it.» ... «Snake, the only thing you need is a calling. Your country can't save you. Neither can your old teacher, nor your so called friends. Join me, Jack. I will give you your calling.»
- «I'll find my own. You and your phony ideals can go to hell.»

É assim que se discute sobre qual será o sentido da vida. Os que defendem que devemos suprimir as nossas vontades, devotando as nossas vidas a causas superiores não reparam que era esse ideal de ditadores como Hitler e Estaline. Podem considerar que o que fizeram é repugnante, mas é a práctica das suas teorias, mesmo que com muito boas intenções. No blog De Rerum Natura são dados exemplos desses tipos de idealismos (o igualitarismo, em particular) colocados em práctica:
«Mas, antes disso, quero lembrar que mesmo quando se apresentou como um projecto generoso acabou sempre, historicamente, quando as circunstâncias o permitiram e não foi travado a tempo, na crueldade mais odiosa. Não podia ser de outro modo, como facilmente se compreende. Um dos exemplos mais recentes é o do Cambodja de Pol Pot: começou na escola e terminou nos campos de extermínio. Não é ficção aquilo de que falo.»
Um ano antes de morrer, Pol Pot disse numa entrevista: «Não me juntei ao movimento da resistência para matar pessoas, para matar uma nação. Olhem para mim agora. Sou um selvagem? A minha consciência está tranquila.» Se não aceitam a concretização de uma teoria, ela foi refutada. No caso do Comunismo, para todos serem iguais, é preciso acabar com a liberdade. E isso requer um deus, nem que seja humano, impondo moralismos e modos de vida, e restrigindo o que podem ler, ouvir e ver (no De Rerum Natura: «por isso que os regimes totalitários impõem a censura e queimam os livros»). Isso porque descobriram qual é o sentido da vida. Se formos nós a definir sentidos para as nossas vidas, não precisamos de ditadores das nossas vidas. Nem temos de ser ditadores das vidas dos outros. Só precisaríamos de aceitar o que conhecemos - como as nossas vontades e a dos outros -, sem necessidade de impôr uma invenção que nem resulta.

Por que é que devemos ter em conta as nossas vontades e as vontades dos outros, em vez de desprezá-las e seguir uma Causa Maior contrária a todas as vontades? Por que é que não devemos fazer o que não resulta?

21 dezembro, 2008

Ética - lei absoluta

Como seria se tomássemos uma lei como absoluta, no sentido de considerá-la infalível? Ninguém quer ser vítima dos outros, por isso com as civilizações tentou-se sempre encontrar um código de ética e legislativo para que as sociedades funcionassem. No reinado de Hamurabi adoptava-se a Lei de Talião. É o código de leis mais antigo que se conhece, que segundo o relevo no Código de Hamurabi e o epílogo o rei recebeu as leis do deus Shamash .

Quem arrancasse um olho de outro, tinha os seus arrancados. Quem partisse os dentes de outro, teria os seus partidos. (art. 196º) A quem espancasse o seu pai, teria as suas mãos decepadas. (art. 195º) Se ao bater numa mulher a gravidez for abortada, devia ser paga uma multa, mas se a mulher morrer, o filho do agressor era morto. (art. 209º) Se um boi matar um escravo, o seu dono deve ser indemenizado. (art. 250º) Os ladrões eram mortos se não podiam indemnizar (art. 8º). As mulheres e filhos podiam ser vendidos. (art. 117)

Os hebreus tinham adoptado esse tipo de lei. [Êxodo 21:24,25; Levítico 24:19-21; Deuteronómio 19:19-21; Êxodo 21:15; Êxodo 21:22; Êxodo 21:1-7; Deuteronómio 24:7; Êxodo 21:1-4; Êxodo 21:28] Os cristãos sob o domínio do Império Romano não tinham tanto poder, por isso as regras eram internas e apelava-se mais à obediência, a um tal ponto de sancionar a escravatura, o que é mais absurdo ao juntar o facto de que com a desobediência civil permitiu-se que as sociedades tornassem mais morais. Por exemplo, Susan B. Anthony ao ter infringido uma Lei injusta e ter exigido punição a si mesma, permitiu que as mulheres pudessem votar na América. É óbvio que a Bíblia apela ao sexismo, ao ponto de ter surgido uma "Bíblia para Mulheres" como resposta, uma Teologia Feminina onde Mary Daly escreveu "A Igreja e o Segundo Sexo", "Para além do Deus Pai" e Rosemary Radford Ruether escreveu "Sexismo e Palavra de Deus". [1] Mais em "Religião e moral; a história do cristianismo como exemplo".

Portanto, o que dizem ser uma fonte perfeita para a moral, afinal não é muito tido em conta pelos cristãos. Mats já escreveu: "Eu não defendo a pedofilia nem a tortura, mas eu tenho uma Lei Moral Absoluta na base da qual eu posso dizer que essas coisas estão erradas", no entanto segundo a Bíblia Deus permitiu ambos. Ele não defende tais coisas por outros motivos. À questão «Achas que aquilo de matar Saddam naquela situação é correcta?» ele ainda respondeu:
«Matar o Saddam quando este tem uma arma na mão, e está pronto a atirar para matar outro ser humano?
Ainda não vi razões Bíblicas contra isso, como tal não vejo razões para ser contra isso. POde ser que no futuro algum cristão me mande mais informação Bíblica sobre isso.» [2]
Neste blog já escrevi sobre o problema em considerar um conjunto de valores morais inalteráveis como sendo perfeitos. Por exemplo, já tinha citado um brâmane indiano a respeito das castas: «Foi escrito por Deus, quem pode apagá-lo?». Nós podemos estar errados.

Na SIC Radical deu um episódio (no dia 31 de Agosto) da série Star Trek New Generation onde capitão Pickard tinha de tomar uma decisão para tentar salvar as vidas de um planeta inteiro, por isso nota que com a presença de um viajante no tempo tem o privilégio de obter informações que permitem ter maiores chances de salvar essas vidas com sucesso. Mas o viajante afirmou que há uma directiva que proíbe os historiadores de alterar o curso da história. Até poderia advir um ditador como Hitler nesse salvamento, e além disso ele não tinha incentivos: para ele todos já estavam mortos, já que ele veio do futuro. Pickard respondeu dizendo ele também estava sob uma directiva. Tinha jurado que não interviria na evolução da vida e sociedades alienígenas, mas que ao reavaliar as suas convicções quebrou várias vezes o juramento que fez. Na imagem ao lado está um link para uma cena das série "Star Trek Voyager", com um tema similar.

Isso é semelhante ao que o Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, no programa apresentado pela Fátima Lopes no dia 3 de Setembro, disse: os juízes precisam de duvidar as suas próprias convicções, admitindo que são falíveis como o próprio sistema. Devem aprender com os seus erros e as Leis são revistas periodicamente. Por isso os juízes devem ter experiência para adquirir essa mentalidade, que permite reconhecer os seus próprios erros - uma filosofia muito contrária à ideia de um livro considerado perfeito para as decisões morais e legais.

Referências:

14 setembro, 2008

BANG para testes!

Um pouco de História
A Mecânica Quântica e a Relatividade Geral estão sendo mais uma vez testadas, desta vez com o acelerador de partículas onde foi inventada a Web: o CERN. [1] Foi ao derivar as equações da Teoria Geral da Relatividade que o soviético cosmólogo Alexander Friedmann propôs a solução do Universo em expansão em 1922. De forma independente, o astrofísico católico belga George Lemaître chegou à mesma conlcusão em 1927, e em 1931 propôs a sua hipótese do átomo primaverial que mais tarde seria conhecida como a Teoria do Big Bang. Em 1924 o americano astrónomo Edwin Hubble mediu as distâncias entre galáxias, corroborando a hipótese de Friedmann, ganhando um prémio Nobel póstumo. O russo físico e cosmólogo George Gamow - que foi aluno de Friedmann - desenvolveu o trabalho de Lemaître, predizendo em 1948 as existência de radiações de fundo de microondas de fundo. Fred Hoyle opunha-se à ideia que chamou de Big Bang em 1949 para a BBC, mas a predição de Gamow foi confirmada em 1964. Da Mecânica Quântica, fundada por Max Planck, surge o conceito de tempo de Planck, que permitiu elaborar modelos para a cronologia do Big Bang. [2]

Grande Colisionador de Hadrões
No dia em que se falava do tal acelerador de partículas LHC do CERN, ao mudar de canais notei que havia como convidados teólogos nas notícias da RTP e da SIC Notícias. Para dizer que a Ciência não é de crentes nem de descrentes, e que não pode provar se Deus existe ou não... Como não podiam explicar como funciona o acelerador de partículas - que foi a notícia! -, não percebo o que foram lá fazer. Mas lá foi uma das colaboradores do projecto para a SIC Notícias para dar a informação, e no "Expresso da Meia-Noite" lá estava a mesma cientista com outro ao lado. Se fosse só para dizer esse género de coisas, esses cientistas disseram-no, acrescentando que estiveram a trabalhar no acelerador de partículas descrentes e crentes de diversas fés, e de diversos países, como a Palestina e o Irão (foram os dois exemplos dados).

O primeiro teste foi realizado no dia 10 de Setembro. Com sucesso. Dois hadrões (nesse caso protões) percorrem em sentidos opostos num tubo fechado com vários detectores. Elas vão acelerando até terem 99,9% da velocidade da luz (por isso é que é chamado de acelerador de partículas...), e colidirão entre si gerando uma energia imensa e espalhando partículas em várias direcções. É suposto detectar plasma de quark-glúon e anti-matéria, previstos pela Teoria do Big Bang. Também é suposto detectar o bosão de Higgs, que especula-se ter surgido com o Big Bang, como meio de unificar as quatro forças físicas conhecidas: a gravítica, a electromagnética, a nuclear fraca e a nuclear forte. Se não for detectado, poderá surgir uma nova teoria, como a Teoria da Relatividade depois de não ter sido detectado o éter em testes no início do século XX. [3]

Dois tipos de crentes
imagem do livro "Einstein - Para principiantes", de MC Guinnes Schwartz (p. 163)
Pois bem, a Mecânica Quântica permitiu que fossem inventados o transístor, o microprocessador, o laser, o microscópio electrónico e computadores quânticos. a Teoria da Relatividade permitiu a invenção do GPS, de paineis solares, ratos ópticos, wireless e dos computadores. [4] Daí que um dos convidados no "Expresso da Meia-Noite" (sobre as experiências no CERN) ter dito que Sarah Palin não voa de tapete voador. E ainda um outro disse que o criacionismo é um fóssil vivo. Quantas vezes vemos criacionistas citarem cientistas da Renascença, como Isaac Newton? Belos tempos... Mas Einstein mostrou que as Três Leis do Movimento e a Lei da Gravidade de Newton são imprecisas, sendo que com a Mecânica Clássica não se explicava a órbita de Mercúrio no século XIX. Lá dizia um cientista do programa da SIC Notícias: se as previsões com as experiências não correrem como esperavam, ainda melhor. Se estamos errados, queremos corrigir-nos. É assim que funciona a Ciência. [5]


Por outro lado os teólogos católicos dizem estar interessados nessas experiências. Aliás, já disse que foi a partir de uma hipótese proposta por um católico que se obteve a Teoria do Big Bang. A aceitação da Ciência é agora natural entre os católicos, depois da condenação de Galileu, que disse que as Escrituras são para saber como anda o céu (isto, não são sobre Ciência). Até admitem a possibilidade de vida-extraterrestre. A Igreja Católica tem muito mais experiência do que as outras facções cristãs, por isso tem a postura recomendada por St. Agostinho em De Genesi Ad Litteram: não interpretar literalmente a Bíblia para não serem ridicularizados pelos descrentes. Por isso os Papas admitem que têm de adaptar a interpretação de acordo com as descobertas científicas. [6] Mesmo entre muçulmanos há consciência do risco de dizer que o Corão contém informação científica. [7] Não admira que tenha havido gente várias crenças envolvidas nas experiências. E afinal de contas, usam teorias científicas que permitiram ter computadores e Internet...

Isso só mostra que é possível
Para quem testes nunca servem o que é bom é maravilhar-se como um burro para um palácio. Um livro tem um monopólio. Dizem algo como Cardeal Robert disse sobre Galileu «Mesmo ao senhor, não lhe parece provável que o Criador saiba mais que a sua criatura a respeito da criação. Quer dizer, excepto em certos disparates que devem ser lidos de acordo com o contexto. O contexto da Ciência. [8] Para os outros os testes só provam que é possível ter acontecido, mas não quer dizer que não tenha acontecido. É claro que se é possível, então aquilo que consideram verdadeiro pode ser falso. Qual é a probabilidade do que se mostrou ser possível? Então subtraia pela unidade, e essa é a probabilidade de todo o restante possível, como se aprende nas aulas de Probabilidades. [9]

Então o que interessa é o que é mais provável. Não será o que é sempre testado e que permitiu que o computador e a Internet tornassem realidade? Ou o maravilhoso mundo do burro maravilhado com o mundo que usa isso como retórica com o mero objectivo de defender um livro sagrado, com medo de testes e que não produz? Assim os religiosos mais esclarecidos e experientes optam por adaptar a interpretação dos seus livros às descobertas científicas, enquanto que os mais ignorantes e fanáticos optam pelo contrário. [10] Para esses últimos todas as referências a seguir são lixo.

17 agosto, 2008

A Ciência e o Criacionismo - p4 (Limitando a Ciência)

(cont.)

«A imaginação é tudo. Apresenta uma previsão das
atracções da vida que estão para chegar.»

«Para levantar novas questões, novas possibilidade,
a respeito de antigos problemas por um novo ângulo,
é necessário imaginação criativa e marca o verdadeiro avanço na ciência.»
- Albert Einstein

«As ideias perigosas são aquilo que tem feito avançar a humanidade,
usualmente para consternação da maioria, que prospera na familiaridade
e receia as mudanças, seja em que era for.»
- Richard Dawkins, no posfácio de "Grandes Ideias Perigosas"

Fonte: AnswersInGenesis > Creation Wise
Descrição:
1) Apolo 8 - 1968; «Um pequeno passo em direcção a Deus.»
«No princípio Deus criou o Céu e a Terra...» - Génesis 1
2) Mars Rover - 2004;
«De onde viemos? Estamos sozinhos? Quando as respostas a essas questões forem conhecidas, as nossas civilizações irão evoluir novas visões de quem somos e como o nosso futuro poderá ser.» - NASA
«Um salto gigante afastando-se Dele»
Júlio Verne é tido como um bom exemplo de um visionário a respeito das invenções que iriam surgir muito depois da elaboração das suas obras. Mas muito antes Kepler também tinha imaginado uma viagem à Lua, mas com a ideia de que existiria lá vida. Giordano Bruno igualmente defendia que poderia existir vida extraterrestre, para além de planetas a circundarem estrelas (como o Sol), que o Universo é infinito e que a Virgem Maria não era virgem. Mas o impressionante nas obras de Júlio Verne estava na sua precisão na sua viagem à Lua, e invenção do avião, do submarino, do automóvel e televisão do ar-condicionado, descritos na sua ficção científica, inspirado no conhecimento científico que tinha no século XIX. [4]

Agora é normal pensar que as ideias na ficção-científica poderão ser concretizadas. Por exemplo, Martin Cooper inspirou-se no Tricoder da série televisiva "Star Trek" para inventar o telemóvel. A Siemens já construiu um "comunicador", como no "Star Trek", funcionando com Bluetooth. Os investigadores da Universidade de Washington têm estado a experimentar um aparelho como o Tricoder com raios de ultrasom. Investigadores da Purdue usaram nanotecnologia para tornar objectos invisíveis, como as naves Romulanas do "Star Trek". Já existem armas não letais, como os "phasers" do Star Trek, chamadas "tazers". A American Institute of Aeronautics & Astronautics escreveu em 2006 um documento sobre ideias baseadas no "hyperdrive" - um conceito do "Star Trek" - que permite viajar da Terra a Marte em poucas horas. A NASA desenvolveu óculos para cegos, como no "Star Trek: The Next Generation", e está a investigar num meio de criar "replicadores de comida" como no "Star Trek", a pensar nas viagens a Marte. [5] Não é de admirar que o estereótipo dos trekkies sejam geeks que adoram Ciência.

Por outro lado, criacionistas, como Kent Hovind, da "Discovery Institute", da "CreationWiki" e da "AnswersInGenesis", dizem que a existência de vida inteligente extraterrestre contradiz a Bíblia, e só tem base na evolução. Ou seja, para eles é impossível que a colaboração de Carl Sagan no Voyager e o SETI dêem frutos que permitem a interação de humanos com vida inteligente extraterrestres, semelhante à imagem apresentada no "Star Trek" ou em "Contacto", porque não existem. O que, nos olhos dos criacionistas, isso significaria que se fosse encontrada essa vida extraterrestre, o criacionismo, com a sua Terra especial, seria refutado. Será que iriam explorar o espaço e estudar outros planetas, com o risco de refutarem as suas crenças? [6]

A AnswersInGenesis, por exemplo, diz que os evolucionistas dizem que a Terra não é especial, contradizendo a própria Bíblia. É claro que referem-se à possibilidade de existir vida inteligente extraterrestre, mas pode ser aplicado à crença no Divino Geómetra que criou a Terra como o maior astro e o centro do Universo, este respeitando regras estéticas relacionadas com a geometria. Até existem ainda cristãos que defendem o geocentrismo com o mesmo tipo de argumentação que os criacionistas usam (os outros são chamados de "copernicanos"). Mas a insignificância espacial da Terra no Cosmos não afecta os que tornaram o Divino Geómetra num Designer Inteligente. [7] A Ciência também deve deixar de lado a astronomia por causa da Bíblia?

Curioso que o que prova o Design Inteligente baseia-se no apelo à ignorância, e quando a lacuna é preenchida, o contrário passa a provar o mesmo. Se os cientistas nunca construíram algo próximo do olho, prova-se que existe um Designer, mas se construírem algo melhor, isso também prova que há um Designer ou não o afecta (só significa que os homens são capazes de o fazer). O mesmo acontece com os computadores: uns podem usar a incapacidade de os humanos fazerem algo próximo como prova, e outros usam o contrário para provar o mesmo. E claro que se o método baseia-se nos mecanismos da evolução, tudo muda de figura e o problema fundamental passa a ser de semântica. [8] [9] O que acontecerá se forem encontradas formas de vida extraterrestre inteligente? Vão tentar convertê-las?
A Ciência baseia-se em hipóteses que são testadas. É necessário estar aberto a diversas ideias, mesmo as que são contra o senso-comum e a intuição. Senão não haveria uma Teoria da Relatividade nem Internet. Somos limitados e adquirimos vícios no nosso modo de pensar. Em "Aventuras Matemáticas", de Miguel de Guzman, revela várias técnicas para resolver problemas. No último capítulo ("Fácil de entender, difícil de resolver") enumera problemas que ainda não foram resolvidos, mas antes é dito: «Talvez o que verdadeiramente faça falta não seja saber muito, mas ter uma ideia original, ir por um caminho por onde até hoje ninguém se lembrou de caminhar. Muitas vezes o saber é um obstáculo e do que se trata é de um saber novo

Assim os algoritmos evolutivos podem ajudar a resolver problemas testando soluções aleatórias que um designer nunca imaginara. Onde pode haver caminho para ideias originais se existem zonas que são proibidas por causa de um dogma? Será que alguém que só por causa da religião não consegue imaginar [9] robots que se controem por si mesmos num processo cego como descritos na Teoria da Evolução são impossíveis pode construir carros desse modo? Iam poder construir um detector anti-SPAM com base no sistema imunológico, ou um computador mais inteligente que os humanos? [10]

São esses que alegremente apontam o dedo quando a imaginação de um cientista para elaborar uma hipótese não corresponde às expectativas durante os testes, como apontando para cada passo num algoritmo evolutivo enquanto não resultar num carro veloz. São esses com essa falta de imaginação limitam a si próprios e que querem limitar o poder da Ciência para isso. [11]

Sugestões e referências:

31 julho, 2008

A Ciência e o Criacionismo - p3 (Religião e Ciência)

(cont.)
«A mensagem do post é para dizer sempre que as opiniões dos homens e a Palavra de Deus entram em choque, não é sensato pôr o nosso futuro eterno nas mãos dos primeiros. É mais sensato e mais lógico pôr a nossa existência nas Mãos Daquele que de facto sabe tudo, e nunca se engana, e nunca engana.»
- Mats
«A Religião não impede a investigação científica, ela somente condena àqueles que desafiam Deus. O livre-pensamento ou duvidar de Deus é uma forma de querer substituí-lo por si próprio.»
- Fábio Vanini, do Montfort


«Mesmo ao senhor, não lhe parece provável que o Criador saiba mais que a sua criatura a respeito da criação - Cardeal Robert Bellarmino

«Dizer que a Terra move-se em torno do Sol é tão erróneo como dizer que Jesus não nasceu de uma virgem
- Cardeal Robert Bellarmino

«Que o Sol é o centro do Universo e que não sai do seu sítio é uma afirmação absurda, falsa e herética em filosofia; sendo expressamente oposta à Sagrada Escritura
- confissão de Galileu [fonte: "As grandes ideias que moldaram o nosso Mundo", de Pete Moore]
Religião e Ciência;
ou: quando um livro sagrado não é interpretado de forma literal


«A religião que tem medo da ciência desonra Deus e comete suicídio.»
- Ralph Waldo Emerson


«Se a Ciência provar que uma crença Budista é falsa, então o Budismo deve mudar.»
- Dalai Lama

«a Bíblia mostra como se vai para o céu, e não como vai o céu»
- Galileu Galilei
(parafraseando o Cardeal César Baronius,
e citado por João Paulo II)

Anaxágoras ao formular a hipótese de que o Sol é uma rocha incandescente e que a Lua é uma rocha com vales e montanhas como a Terra, e que esta não tem luz própria, sendo iluminada pelo Sol, foi perseguido pelos que acreditavam que o Sol e a Lua eram deuses, obrigando-o a abandonar Atenas. [1] É esse o papel da Religião como conjunto de "verdades" dogmáticas: colocar obstáculos à Ciência, impedindo a investigação. É essa a mensagem transmitida por religiosos como Mats e Fábio Vanini. E ainda dizem que não é um ataque à Ciência, tal como não foi foi ataque à Ciência dizer que a Terra não pode fazer um movimento de translação em torno da Terra por causa da Bíblia, de tal modo que seria tão errado como dizer que Jesus não nasceu de uma virgem.

- Filosofia

A Filosofia e a Ciência, como conceitos próximos daqueles que temos, surgiram com o cepticismo em relação às religiões na Grécia. É assim que começam os livros de História da Filosofia, apresentando as explicações da escola de Mileto que tentavam explorar explicações para a origem do Mundo com a ideia de elementos primordiais (o éter, a água, o ar, o fogo, a terra). Questionando a religião, as tradições e o senso-comum foram elaboradas várias ideias semelhantes ao que se veio descobrir posteriormente e aos princípios científicos, e foram feitas descobertas e construídos inventos. Se retirar esse espírito livre e inquisidor, deixa de haver Filosofia (quanto muito, não passaria de pseudo-filosofia). [2]

- Ciência

Quando esse espírito tornou-se censurado em toda a Europa, muito conhecimento foi perdido. Nem sequer usava-se canalizações como os romanos. Apenas foi recuperado graças a árabes, que - tendo em conta a época - eram tolerantes e de espírito aberto, e mantiveram obras perdidas na Europa. Tendo em conta o conhecimento adquirido graças aos estrangeiros, incentivaram a certas áreas da Ciência, como a Matemática, Astronomia, Óptica, Mecânica e Medicina, e fizeram diversas descobertas. Foram os monges que preservaram essas obras pagãs nas bibliotecas, que tinham as suas horta que serviram para fármacos, hospitais e um local para autópsias, ferreiros, fabricantes de lentes, etc. Reconhecendo a superioridade da antiga cultura greco-romana, a Idade Média termina com o renascimento do espírito Clássico, notando-se isso inclusivamente nas artes. [3]

Religiosos liberais, como Guilherme de Occam, Duns Escoto, Roger Bacon e Giordano Bruno, influenciados pelas obras pagãs, tinham defendido o livre-pensamento, a separação da Razão e da Fé e um método científico baseado na experiência, ao invés da autoridade. Bacon, inclusivamente, defendia que as traduções da Bíblia eram forjadas. Foram perseguidos e condenados pelas suas ideias. [4]

- Interpretação não literal

Copérnico notou que seria mais fácil calcular as posições dos astros se considerasse o Sol como estando no centro do Universo. O editor (Osiander) da sua obra acrescentou um prefácio para não se envolver e mitigar os seus efeitos (o Heliocentrismo é apenas para ajudar nos cálculos, mas não quer dizer que seja verdadeiro na práctica). Os copernicanos foram considerados infiéis e ateus, por contradizem a interpretação literal da Bíblia. [5]

Johannes Kepler elaborou a hipótese do Divino Geómetra, mas ficou a saber que as observações contradiziam essa hipótese e à crença da Harmonia das Esferas Celestes. Continuou a obra de Tycho Brahe, descartando as suas próprias crenças religiosas, dando o primeiro passo para a astronomia moderna. Foi excomungado pela Igreja Luterana e a sua mãe foi acusada de bruxaria.

Cientistas, como Galileu, defenderam que a Igreja não deveria interferir em matéria científica e que a Bíblia não deveria ser interpretada de forma literal (Galileu dizia que a Bíblia não servia para ensinar Ciência). Tinha a sorte de ter o Papa Urbano VIII como seu amigo, mas a sorte não durou muito. Como resposta às críticas de protestantes por causa das interpretações mais liberais das Escrituras pela Igreja Católica, tinha sido convocado o Concílio de Trento ou da Contra-Reforma, por isso a atitude de Galileu era intolerável. Foi depois de Isaac Newton (que era anti-trinitário) que a Igreja perdeu poder e influência na Ciência, e foi só em 1893, com a encíclica Providentissimus Deus do Papa Leão XII, que a Igreja reconheceu o método de exegese de Galileu. [6]

A Ciência moderna nasceu da rebelia de cristãos interessados pelo conhecimento de pagãos, liberais que diziam que a Bíblia não devia ser interpretada de forma literal e que a Religião não deveria interferir na Ciência. Depois de se descobrir que a Terra não era o centro do Universo e que era apenas um ponto numa imensidão, as crenças pessoais passaram a ser questionadas e muitos passaram a ser cépticos em relação à existência de Deus. Mesmo que haja a crença num Deus ou no sobrenatural, tal como na Filosofia, se não há dúvida, não há Ciência. Quem é contra esse espírito ou contra os princípios fundamentais da Ciência - quem tem medo dela - opõe-se a ela.
Entre os cristãos, foram os liberais na interpretação bíblica que permitiram a redescoberta e o avanço da Ciência. Não foram com pessoas como os actuais criacionistas. [7]

Referências e sugestões, que permitem investigar mais, chegarem às suas próprias conclusões, confirmar ou corrigir o que é aqui afirmado (para o Mats: é isto é que é "mostrar alguma coisa"):

30 julho, 2008

A Ciência e o Criacionismo - p2 (A Bíblia Infalível)

(cont.)

A Bíblia infalível

«Tive a impressão de que Guilherme não estava de modo nenhum interessado na verdade,
que mais não é que a adequação entre a coisa e o intelecto. Ele, pelo contrário, divertia-se
a imaginar o maior número de possíveis que fosse possível. Naquele momento,confesso,
desesperei do meu mestre, e surpreendi-me a pensar:
"Ainda bem que chegou a Inquisição."
Tomei partido pela
sede de verdade que animava Bernardo Gui.»

«Os livros não são feitos para se crer neles, mas para serem submetidos a investigação.»
- in "Nome da Rosa", de Umberto Eco

«A Ciência é uma equação diferencial.
A Religião é uma condição de fronteira

[1] - Alan Turing

«Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante
à onda do mar, que é levada pelo vento, e
lançada de uma para outra parte
- Tiago 1:6

Os seguintes cinco cartoons encontram-se no site "Answers In Genesis".

- Ah, ah! A Bíblia é melhor que a Ciência

Descrição: Um criacionista pergunta a dois teólogos qual a razão de não tomarem a Bíblia de forma literal. Um deles responde: «Não podemos tomar a Bíblia literalmente. Foram escritas por homens». O criacionista retruca: «Homens inspirados por Deus!». O teólogo continua com um livro com o título "Factos Científicos - 1997": «Bem, seja como for! Os factos fiáveis são escritos por cientistas». O companheiro sussurra: «Estás a usar um livro científico do ano passado. Este aqui tem todos os novos factos!» Então o primeiro teólogo repete o que disse com um livro com o título: "Factos Científicos - 1998". O criacionista parece desanimado.
O cartoon é uma crítica e chacota do método científico, nomeadamente do Princípio de Refutabilidade e das Aproximações Sucessivas. O primeiro livro poderia muito bem ter o título "Teoria da Gravidade Universal de Newton" e o outro poderia ser "Teoria da Relatividade" para expor a mensagem anti-científica do cartoon. Mats diz que é uma «uma paródia aos "factos" que os cépticos usam contra a Bíblia, factos esses que mudam mais facilmente que a posição de treinador no Benfica». Só que o cepticismo é fundamental na Ciência - como revelam os dois princípios mencionados -, senão tornar-se-ia uma religião...

Um outro cartoon com uma mensagem similar:
Descrição: Um homem que vai desaparecendo até ficar uma Bíblia diz: «Pessoas cultas não acreditam mais na Bíblia! A Bíblia está ultrapassada! A Ciência é nosso guia. Esqueçam a Bíblia e entrem no "mundo moderno". A Bíblia já não...» Na legenda embaixo está uma citação de Marcos 13:31.
É claro que essa crítica ao método científico tem o propósito de atacar as descobertas realizadas com esse mesmo método que contradizem os dogmas de criacionistas, especialmente os de Nova Terra:

Descrição: Alguém diz: «Como podes acreditar na Bíblia? A Bíblia não é fiável. Os cientistas têm as respostas para mostrar que a Bíblia não é verdadeira. Toma como exemplo a idade da Terra. Sigo as pessoas com quem posso confiar.» Aponta para uma lista de anos riscados, excepto a última: 4,5 biliões de anos.
É irónico que um exemplo de um criacionista evangélico de Nova Terra serve perfeitamente para desmascarar a arrogância e desprezo pelo método científico nesse cartoon. Kent Hovind (que está preso por evasão fiscal...), depois de apresentar "as imensas falhas na Ciência", no seminário sobre a idade da Terra, ele apresentou uma ilustração:
se num mergulho fosse encontrado um navio com uma arca cheia de moedas, a idade do navio poderia ser estimada. Bastava ver as datas marcadas nas moedas: não pode ter afundado depois dessa data. Com isso Hovind diz que essas gravações que indicam as datas não existem nos fósseis.

É óbvio que se realmente existissem gravações nos fósseis a indicar datas como representação simbólica como nas moedas, isso seria uma prova de que um ser inteligente que entende esses símbolos interviu na fossilização. Os cientistas forenses não precisam desse tipo de gravações para estimarem a idade de cadáveres: observam o estado de decomposição, a dentição, a temperatura do corpo, as larvas presentes no corpo, etc. Pode-se igualmente datar a idade de uma árvore pelos seus anéis, sem necessidade de uma gravação que indique o ano. A datação dos fósseis pode ser relativa, por comparação dos estratos onde se encontram (um fóssil enterrado debaixo de outro foi enterrado primeiro, logo é mais antigo), ou absoluta, com margens de erro calculadas, através de conhecimentos químicos e geologia. Os mesmos conhecimentos permitem construir e manter reactores nucleares, aceleradores de partículas, fármacos na medicina nuclear, etc.

Mas o exemplo ilustrativo é interessante e vira-se contra o feiticeiro. Para já, as moedas não definem com precisão a data em que o navio afundou. Por exemplo, tenho uma moeda de origem espanhola com o valor de 0,50€ com o ano de 2001 gravado. Outra moeda com o mesmo valor, mas de outra origem, tem gravado o ano de 2002. Outra com o mesmo valor tem 2000 gravado. Por isso as moedas na arca permitem apenas uma estimativa do afundamento do navio. É claro que a moeda que tem a data mais recente é a mais próxima do ano real - estou a escrever este artigo no ano 2008. Faço colecção de moedas antigas: por exemplo, tenho uma moeda de um escudo de 1971, apesar de nesse ano ainda não ter nascido. Se fosse a primeira a ser encontrada no navio, poderia-se presumir que o navio foi afundado perto desse ano. Mas se fossem depois encontradas moedas do ano 2002, a estimativa mudava. Se depois fosse encontrada uma moeda de 2000, isso não mudaria o ano já estabelecido. Esse procedimento heurístico característico da ciência está a ser criticado como se fosse um «jogo de adivinhação que vai na "ciência" da datação» (como Mats diz).

- "Infalível" é pior
Descrição: «Em quem vai acreditar? Na Bíblia sagrada: "Está escrito" (Mat 4:4), ou na Crença da Evolução que foi reescrita e reescrita e reescrita e reescrita e...»
Se houvesse a mesma desonestidade intelectual presente no criacionismo, não haveria esse "jogo de adivinhação", mantendo uma idade qualquer, como por exemplo, 6.000 anos. A Bíblia está recheada de contradições numéricas, e muitíssimas de outros géneros, existindo mesmo cristãos que admitem existirem algumas dessas "aparentes" contradições, com o argumento de que são erros de copistas e, tem o benefício das conversões serem voluntárias e para ganharmos a capacidade de distinguirmos o que é verdadeiro ou falso. Então de onde vem essa tal infalibilidade?

Descrição: O cartoon é um mero apelo à autoridade - (argumentum ad verecundiam) uma falácia, também implícito nos cartoons anteriores por meio de projecção. É perguntado como se sabe se a Palavra de Deus é verdadeira, apresentando quatro opções: a) porque os cientistas dizem que sim; b) porque os psicólogos dizem que sim; c) porque os teólogos dizem que sim; d) porque Deus diz que sim; É claro que é dada a resposta d), concluíndo: «A palavra de Deus é verdadeira não importando o que os homens dizem!!!».
É claro que isso um óbvio argumento circular *:
A Palavra de Deus é verdadeira: como é que se sabe isso?
(uma falácia da pressuposição e petição de princípio: Deus existe? Os homens que escreveram o livro foram realmente inspirados por Deus? O que lá está escrito é mesmo verdadeiro?)
Porque Deus diz que a Palavra de Deus é verdadeira. (argumento circular: diz a verdade porque diz a verdade; apelo à autoridade: porque Ele disse)
Maomé foi um mensageiro inspirado por Deus, logo o Corão é infalível. Joseph Smith foi inspirado por Deus para traduzir o livro escrito por Mórmon e outros profetas inspirados por Deus, logo o Livro de Mórmon é infalível. Os Vedas - mais antigos que qualquer escritura bíblica - também foram revelados por Deus a homens inspirados. Assim cada livro é sagrado segundo a freguesia, porque todos homens que os escreveram foram inspirados por um Deus: a inspiração divina é uma ferramenta para um apelo à autoridade, proibindo que esses livros sejam questionados. Assim limitam o conhecimento potencial com a limitação de livre-pensamento.

Assim não existe um mecanismo de auto-correcção que leva a dizer que um livro que diz que a Terra é um círculo fixo com quatro pilares que suportam uma tenda metálica e com mais de 400 contradições "aparentes" é infalível. Se a dúvida e a investigação não são incentivadas, nem há um método para separar o trigo do jóio, como determinar o que é verdadeiro ou falso? *

Na Ciência, pelo contrário, havendo um mecanismo de auto-correcção, as ideias tornam-se obsoleta com o tempo, sendo substituídas por informação que se adapta às descobertas realizadas. Assim as limitações da Ciência e o reconhecimento delas tornam-se uma força que as religiões não têm, não tendo as mesmas limitações do conhecimento que pode adquirir, e com capacidade de reconhecer os erros. Apesar disto, a Religião, sem qualquer mérito, deseja limitar esse conhecimento que a Ciência pode obter. [1]

(cont.)
  • [1] As condições de fronteira retringem equações diferenciais, podendo eliminar soluções que existiriam sem elas.
Sugestões:
A Bíblia e o Corão são confirmados pela Ciência - segundo os crentes (é claro que eles vão tentar refutar o outro lado):