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12 junho, 2010

Re: Miscelânia criacionista: ciência infantil

¶1 Li o artigo «Miscelânia criacionista: ciência infantil». Antes de explicar como se obteve a conclusão de que a nossa espécie procriou com neandertais, Ludwig escreveu:
«Por feitio ou deformação profissional custa-me aldrabar as explicações. Por isso infligi aos meus filhos respostas que crianças com dois ou três anos não tinham paciência para ouvir, e muitas vezes me viraram as coisas a meio e foram brincar.»
¶2 Ora, parece óbvio que não tem jeito para dar explicações a putos. Previa-se qual seria o género de birras em forma de ad hominems que iriam usar sem lerem o artigo. Talvez o truque seja o uso de desenhos:
¶3 O que está a vermelho explica como é que os cientistas descobriram que a procriação ocorreu pelo ADN. H refere-se a humanos modernos e N refere-se a neandertais.

¶4 Ainda por cima evolucionistas já suspeitavam disso há anos - tenho seguido artigos e documentários sobre o assunto - e foram evolucionistas que o descobriram, resolvendo a questão - e agora criacionistas ficam com os louros?! [PubMed (1999); The Independent (2004); ScienceForums (2005) Cosmos (2006); Panda Thumb (2006); DailyTech (2010); Wikipedia]

~

¶5 Por que é que os evolucionistas colocaram essa hipótese se contradiz a Teoria da Evolução?! Há mais de um século, Charles Darwin, em Origem das Espécies, descreveu a evolução envolvendo hibridização - no oitavo capítulo, com o título "Hybridism"... [The Origin of The Species; Wikipedia]

¶6 Ou seja: a ideia dos evolucionistas era que dariam híbridos, como os híbridos de leões e trigres (liger), de zebras e cavalos (zorce), lobos com cães, camelos com lamas, leões com leopardos, ursos polares com ursos pardos, ovelha (ou carneiro) com bode (ou cabra), etc.



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¶7 As diferenças entre humanos modernos e neandertais:



¶8 E a comparação de crânios humanos de espécies diferentes:



¶9 Acham que esses crânios todos são da mesma espécie?!

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¶10 Noto que o tipo de prova usado para a conclusão de hibridismo tem sido rejeitado pelos criacionistas - pelo ADN -, pois leva a conclusões sobre a ancestralidade comum que rejeitam. Se prova-se que uma semente tem cerca de 2000 anos pelo processo de datação por carbono que rejeitam, acham que isso é uma prova do Criacionismo (porquê?). Eu achava que interessava que o modo como se chega às conclusões é que era importante! Em que é que isso dá? Num artigo da National Geographic com a tal notícia há uma ligação para um artigo sobre a descoberta de uma árvore com cerca de 9500 anos - os criacionistas da Nova Terra acreditam que a Terra tem cerca de 6000 anos. É triste, não é?

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¶11 Então, finalmente, explico o tipo de resposta que o Ludwig respondeu. Suponham que defendem que acreditam em poderes mágicos e que passam o tempo no fórum de James Randi para refutá-lo. Dizem-lhes que provaram que Penn e Teller têm poderes mágicos porque fizeram bolas e uma batata aparecerem e desaparecerem. Mostram-vos como é feito o truque:


¶12 Então respondem dizendo que falaram tanto só para dizer no final que os defensores dos poderes mágicos nunca têm razão e que fazem raciocínios tendenciosos assim:
  1. O defensor dos poderes mágicos diz uma coisa
  2. O que nega poderes mágicos diz o contrário.
  3. A ciência mostra que a posição do defensor dos poderes mágicos é a que mais se ajusta aos dados.
  4. Os que negam poderes mágicos mudam a sua posição, e dizem que o que eles queriam dizer é o que a ciência veio mostrar.
¶13 Reparem no diagrama que coloquei no início e comparem com o texto de Ludwig e as referências que indicou. O Mats respondeu ao que ele disse? Ele poderia chamar o "Ludwig" de tolo, como fazia Jesus segundo os evangelhos, ou algo pior, mas contra-argumentar o que escreveu. Mas optou pela falácia do ad hominem abusivo e circunstancial, como um puto. Mas não foi pior que a do Carlos Ricardo Soares... Mas eles lêem os artigos que comentam? E ainda admiram-se se lhes tratarem como putos.

¶14 Já agora: como é que respondem a um geocentrista que diz que a Ciência provou o Geocentrismo?!

01 novembro, 2009

Modelos entre guerras - definições (condições necessárias)

(continuação do artigo anterior)

Definição de "quadrado": um rectângulo cujos lados têm o mesmo comprimento.

Encontramos duas condições necessárias: 1) ser um rectângulo; 2) ter todos os lados com o mesmo comprimento. Essas condições são suficientes para designar um quadrado. Com condições necessárias e suficientes, temos uma definição. [Crítica na rede; Dicionário Escolar de Filosofia]
Outras definições: Um rectângulo é um paralelograma com todos os ângulos internos rectos. Um paralelogramo é um quadrilátero cujos lados opostos têm o mesmo comprimento e são paralelos entre si. Um quadrilátero é um polígono com apenas quatro lados. Um triângulo é um polígono com apenas três lados. Um polígono é uma figura geométrica plana formada que é uma linha fechada formada por uma sequência de um número finito de segmentos de recta. Uma circunferência é uma figura plana geométrica que consiste numa linha curva fechada cujos pontos estão localizados à mesma distância (raio) de determinado ponto fixo (centro).
Vamos supor que alguém diz que um triângulo é um quadrado. Afinal de contas, os triângulos são polígonos. E suponhamos que alguém diz que um rectângulo não é um quadrilátero, porque um polígono com quatro lados é um polígono com quatro lados iguais. E quem o contradiz, é acusado de ser desonesto, que quer colocar os triângulos entre os feios e não quer admitir os defeitos dos quadrados, e apresenta um exemplo, como argumento, de alguém que propôs que as circunferências são quadrados. É absurdo, não é?

Dizer que um rectângulo é um quadrado, é como dizer que um xadrezista é um campeão de xadrez, só porque joga xadrez. Falta uma condição necessária: ganhar um campeonato de xadrez. Agora imaginem que ele diz que isso é uma analogia falsa porque «jogar xadrez não implica em campeão de xadrez, mas sim em ser um enxadrista». Já escrevi sobre essa acusação de falsa analogia noutro artigo. Aqui escrevo sobre o argumento por detrás dessa analogia (que não era o propósito do outro artigo). Acho que, para começar, o melhor é contextualizar a metáfora da geometria com a discussão que representa (apesar de com isso poder correr o risco de ser acusado de prolixo). Se já conhecem a história, simplesmente passem por cima de "definições" e "diálogo" (com letras mais pequenas).
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~ definições ~

Definições de "ciência", segundo Luciano:
  • «corpo de conhecimento adquirido através das práticas e pesquisas que tenham sido suportadas pelo método científico»
  • «sistema de aquisição de conhecimento baseado no método científico»
Definições de "religião", segundo Luciano:
  • (visão do todo) «o conjunto de crenças relacionadas ao divino, sobrenatural, sagrado, transcendental, etc.»
  • (visão individual) «o conjunto de práticas religiosas, junto com o código moral, que se deriva dessa crença»

~ diálogo ~

Eu: «Segundo a primeira definição dada, uma religião não entra em conflito com a ciência se as crenças que compõem não entram no domínio da ciência ou se [não] implica uma postura contrária daquelas que se exige na ciência. Por exemplo criacionismo é a crença de que Deus criou o Universo ou que criou os moldes para tudo o que existe, como uma instância de cada espécie. Isso é uma crença que relacionada com o divino, por isso pertence à religião. Se não concorda, a definição está errada.»


Luciano: (a interpretar-meVamos estruturar o argumento para ficar mais fácil (e ver se há falácia nele):
(a) Cientistas criacionistas acham que a Bíblia deve também servir como explicação científica
(b) Essa explicação é feita através de uma teoria chamada criacionismo
(c) O criacionismo entra em conflito com a ciência
(d) Logo, a religião entra em conflito com a ciência (nesse caso)


Eu sei que você é educado, e procura o conhecimento. Mas que é falácia, isso é.»

Eu: «não vejo como a estrutura formal que indicaste corresponde ao que citaste. Repara que estou a seguir a definição que apresentaste: «o conjunto de crenças relacionadas ao divino, sobrenatural, sagrado, transcendental, etc.» Se X é uma crença e está relacionada com o divino, pertence à (ou a uma) religião.
O que eu disse é que o criacionismo é uma crença que pertence a esse conjunto, já que está relacionada com o divino: é um caso particular de Design Inteligente(citando-me: «Isso é uma crença que relacionada com o divino, por isso pertence à religião»). E nós consideramos que entra em conflito com a ciência (posso elaborar, mas é irrelevante se ambos aceitamos a proposição).
»

Luciano:
«Ficou melhor. Mas só para te esclarecer: o conjunto de todas as crenças religiosas, seriam das crenças formalmente religiosas, como os sistemas religiosos, os códigos escritos. A minha religião tem séculos de existência, o mesmo vale para judaísmo e islamismo. É a isso que eu me referia.

O criacionismo é basicamente uma crença de cientistas cristãos que resolveram levar a Bíblia 100% ao pé da letra. O criacionismo não é "uma parte da religião em conflito com a ciência" mas sim "uma parte da ciência em conflito com a ciência". Veja que Dawkins criou a teoria memética só para ser uma "anti-religião". Ele queria criar uma entidade externa (não-material) que tivesse ação (os memes). Memética não é "ateísmo em conflito com a ciência".»

~

Reparem que Luciano disse que o criacionismo é uma parte da ciência e serviu como outro exemplo a memética, que serviu para um argumento de um seu artigo:  a «Teoria da Memética, criada por Richard Dawkins» «Não passou pelo método científico, foi chamada de “teoria científica” por alguns cientistas, e ninguém passou o crivo do método científico em cima dela. Para piorar, nem é falseável.»

Vejamos: ninguém passou a memética pelo crivo do método científico e nem é falseável, mas serviu para os seus argumentos, como se tratasse de uma teoria científica, porque "alguns cientistas" chamaram-na de "teoria científica". É o "triângulo é um quadrado" - não satisfaz as condições necessárias! Mesmo pela definição dada por Luciano, o que nunca foi suportado pelo método científico, não pode ser considerado ciência. E aceitando que o que distingue a condição que distingue a ciência é a falseabilidade, então a memética não faz parte da ciência. É uma pseudo-ciência, se fazem passá-la de ciência, ou quanto muito uma proto-ciência, se está a seguir o processo que pode permitir que se torne uma teoria científica.

Por isso  o Supremo Tribunal Americano, depois de ouvir cientistas como testemunhas, que explicaram o que é uma ciência, considerou que a Creation Science e o criacionismo não fazem parte da ciência e por isso não pode ser incluído nas aulas de ciências. Daí surgiu como resposta o Design Inteligente. No caso Kitzmiller v. Dover, o professor Behe, por exemplo, disse que segundo a sua definição diferente de "ciência", a astrologia seria também uma ciência, e admitiu que não existem testes que validem premissas do Design Inteligente, como a complexidade irredutível. O juiz Jones, escolhido pelo presidente George W. Bush, decidiu que o Design Inteligente não é uma teoria científica, que é apenas um produto do criacionismo e que é de natureza religiosa. Até um juiz evangélico conservador, perante os factos, teve de chegar a essas conclusões. [Wikipedia; Wikisource; UMKC School of Law; Cornel University Law School; Find Law; Talk Origins; Vídeos: Dover Trial - Intelligent Design Get's It's Day In Court]


Resumindo e concluíndo, dizer que o criacionismo e memética são ou pertencem à ciência, segundo os termos de Luciano, é dizer formalmente:
1) ∀x ∈ Z : x ∈ X ↔ a(x)
2) ∃y ∈ Z : ¬a(y)
3) y ∈ X
... o que é logicamente absurdo.

(continua)

31 maio, 2009

Pseudo-matemática

«O bom cristão deve defender-se dos matemáticos e
de todos os que se dedicam a ímpias predições,
sobretudo quando as suas previsões sejam verdadeiras,
porque esta gente, de acordo com os demónios,
pode enganar o seu espírito e aprisionar a
sua pessoa nos laços de um pacto diabólico.»
- Santo Agostinho, in "De genis ad litteram" 2:18:37
(fonte: "A Matemática - O Romance dos Números", p. 77
)

No blog "Que Treta!" há um artigo com o título "Treta da Semana: Espaçonumerática". É sobre a fundadora do Centro Holístico Internacional - Lucília Barata - com teorias matemáticas alternativas. Por exemplo, a matemática convencional rejeitou várias provas da quadratura do círculo, que dariam fama e dinheiro ao descobridor. Eram provas aldrabadas e provou-se que o problema é impossível de ser resolvido. Lucília Barata tentou provar o contrário, substituindo π por 3,14. Tinha impresso o artigo para mostrar ao meu pai, que é professor de Matemática, para se rir um pouco. Aparentemente há pelo menos uma pessoa que acredita que o perímetro de um círculo e o seu diâmetro é exactamente igual a 3 ("Innumerate Fundamentalists and π"). Será uma piada?

O blog "De Rerum Natura" anunciou que o famoso Teorema das 4 cores é falso. Quantos convencem-se que há realmente uma «subtileza em teoria de grafos que faz com que, tecnicamente, o grafo do mapa apresentado possua vértices imersivamente reduzidos e tal que o grafo dual (harmonicamente conjugado) não possui esta propriedade»?

Lembro-me de no Discovery Channel ter dado um documentário sobre um matemático judeu, Elihau Rips, que dizia ter um meio de prever acontecimentos decifrando códigos da Bíblia com um software. Em resposta às críticas, desafiou que fizessem o mesmo com o "Moby Dick", encontrando uma referência ao assassinato de Jonh Kennedy lá. Conseguiu-se fazer isso. Outro judeu ortodoxo matemático fez o mesmo com as páginas amarelas, para refutar o seu colega. É tudo uma questão de probabilidades. Lee Graham, doutorado em Ciências da Computação, fez o mesmo com "Origens das Espécies". O tal matemático que defende os códigos na Bíblia, com o seu método, previu o Fim do Mundo no dia 25 de Julho... de 2000 ou 2006. Agora passou para o dia 12 de Dezembro de 2012. ("Dicionário Cético", "O Código da Bíblia", "O Fim do Mundo segundo o Código da Bíblia", "the Skeptic's Dictionary", "Assassinations Foretold in Moby Dick!", "O Fim do Mundo 12 de Dezembro 2012", "The Bible Code The End of Days"; vídeos: "Michael Shermer Decodes the Bible Code", "The Bible Code REMASTERED").

VenomFangX usou o capítulo 6 de Juízes, uma grandeza inglesa (milhas) e o diâmetro da Lua para provar a existência de Deus em 1 minuto (vídeo: "Re: How to prove the existence of God in 1 minute"). Ele apresentou outro argumento, começando por perguntar: se alguém dissesse que te dava uma barra de chocolate após um tempo infinito, conseguias ter o tal chocolate? Não. Diz que como não existe um tempo infinito no sentido do futuro, também não existe uma regressão infinita de tempo, por isso foi necessário Deus criar o tempo. Depois usa o paradoxo do Hotel de Hilbert para o mesmo propósito, sem compreendê-lo: se um número infinito de quartos é ocupado, de onde vêm os quartos para os novos hóspedes? (vídeos: "VenomFangX Has a Problem with Infinity", "Response to "Proof God is Real by VenomFangX", "God, Time, Space and a Chocolate Bar", "The concept of infinity", "Satan Invented Math!!!") Num outro vídeo diz que 1 milhão de 10 biliões ("1 milhão e 10 triliões" no Brasil) tem mais zeros do que pode escrever (vídeo: "A Math Problem for Venomfangx"). A "Education 543" declarou que é impossível escrever na notação decimal o número 10^262, por ter muitos zeros.

Outro youtuber, conhecido como gorilla199, diz que Einstein era um idiota, como todos os outros cientistas. Por exemplo, num documentário é dito que a distância mais curta entre dois pontos não é necessariamente uma linha recta (numa geometria não-Euclidiana!) É necessário saber isso para os GPS funcionarem correctamente. Por exemplo se do pólo-norte viajares 10 quilómetros para sul, 10 quilómetros para este e 10 quilómetros para norte, regressaste ao ponto de partida. Mas gorilla199 diz que é uma idiotice. (vídeo: "Einstein was a Freemason idiot"; páginas: "Geometrias Não-Euclidianas", "Curiosidade da Física")

Também no YouTube existe uma série de vídeos com o título "How creationists abuse mathematics" (2, 3, 4). Segundo um criacionista, existem 1^146 electrões em todo o Universo... No terceiro vídeo da série há um final surpreendente.


Por outro lado, Eratóstenes (285 - 194 a.C.), usando a Trigonometria, estimou o perímetro da circunferência máxima da Terra, assumindo que é esférica, como tendo 40 mil quilómetros (faltou cerca de 8 quilómetros). Com esse dado, e também com Trigonometria, Hiparco (190 - 126 a.c),, estimou que a distância entre a Terra e a Lua é de 59 diâmetros da Terra (faltou cerca de mais um diâmetro). ("Wikipedia:Hiparco", "Wikipedia:Eratóstenes", "Fundamentos de Astronomia", "Os métodos de Erastótenes", "Como os gregos calcularam a circunferência da Terra há 2200 anos?")

MVR, satirizando a Teoria do Big Bang, diz que houve uma "explosão facal", "mesmo sem qualquer evidência", mas que o cálculo da distância entre dois pontos não "tem a ver com a evolução dos talheres". Foi um belga astrónomo padre católico, George Lemaître, que propôs a hipótese do átomo primeval (que passou a ser a Teoria do Big Bang), ao descobrir as implicações da Teoria da Realitividade Geral de Einstein. O próprio Einstein tentou refutar as suas conclusões, sem sucesso. A hipótese implicava que o Universo estivesse em expansão. Edwin Hubble calculou a distância entre galáxias, concluindo que realmente o Universo está em expansão, o que deu origem à Lei de Hubble: v =H0D. E isso foi apenas o início.

Não me parece que MVR consiga fazer o mesmo que os gregos de há 2200 anos, mesmo com uma palhinha, um transferidor e um fio de prumo à mão, quanto muito algo mais complicado da Matemática moderna. Ele nem deve entender como o fizeram nem deve entender Trigonometria (este artigo e o anterior devem ter sido muito confusos para a sua cabeça). E não me parece que ele se queixe por os tais gregos terem falhado por uns quilómetros nas suas medições. «Você ignora os conceitos mais simples, tens de estudar mais» - diz ele a um Físico. É um conselho que ele e outros deveriam seguir, começando pela Matemática, evitando disparates de pseudo-matemáticos.

A Matemática é difícil. Muitos admitem que são ignorantes. Outros inventam métodos fáceis mas aldrabados, fazendo chacota dos matemáticos e físicos que permitiram invenções como o computador. Pode não parecer não óbvio noutras áreas, mas gente como MVR faz parte dos inventores aldrabões. A diferença é que acha que não precisa de fazer cálculos nem de entender «conteúdo técnico» para os outros ramos científicos.

11 janeiro, 2009

Engonhanço

Mats diz que faço perder o seu tempo.

Criacionistas bíblicos e OVNIs

Eu fiz esse pedido antes de dizer se existe ou não criacionistas bíblicos que acreditam em OVNIs: «Dá-me um exemplo hipotético do que faria um criacionista Bíblico que acredita em OVNIs. Presumo que aceites esse pedido, já que se eu der um exemplo, o mais provável é que coloques aspas nas palavras.»
Mats esteve a engonhar. Dei o exemplo de mórmons que acreditam no Génesis literal, que é repetido no seu livro de Mórmon e que acreditam que Jeová, Satanás, os anjos e os mortos vivem em planetas [1], e disse: «Mas também não contam, não é? Por isso é que disse um exemplo hipotético. Não me deste, e pelos vistos nunca darás.»
Mats respondeu-me assim: «Um exemplo de um criacionista bíblico? Dr Jonathan Safarti. Outro: Dr Werner Gitt.»
Portanto, Jonathan Safarti e Dr Werner Gitt acreditam em OVNIs e são dois casos hipotéticos...
Num comentário que ele escreveu neste blog ele escreveu: «Dá-me uma definição com a qual eu possa trabalhar, e pára de fazer malabarismos semânticos, e mudanças de definições quando bem te apetece», portanto presumo que ele percebeu muito bem mas não quer responder e só engonha (fazer perder tempo).

Francis Crick
Tinha pedido uma citação de Crick, pelas seguintes razões:
1) Criacionistas como Mat citam-no com um determinado propósito - exemplo: Genesis Contra Darwin > Panspermia - Salvação ou Imaginação?;
2) No artigo de Mats que dei como exemplo, eu dei respostas como comentários e fiz referência a um artigo que escrevi uma semana de teres escrito o teu, que curiosamente também serviu de resposta;
3) O que Mats atribui a Crick é Design Inteligente - Dembski afirmou, para defender a ideia de que o Design Inteligente não é o mesmo que criacionismo, que o designer inteligente poderia ser extraterrestre;
4) Mesmo em sites criacionistas é dito que ele apenas apresentou uma hipótese. Quando Francis Crick e Leslie Orgel apresentaram a proposta da Panspermia Directa na Icarus, disseram claramente que «concluíram que é possível que a vida tenha chegado à terra desse modo, mas que as provas científicas são actualmente inadequadas para dizer qual seria a probabilidade.» Ele era céptico em relação à sua própria proposta. [2]
5) Eu tento promover o cepticismo. Um céptico procura as fontes. Se alguém afirma algo, deve estar preparado para apresentá-las.

Ele não colocou qualquer citação. Em vez disso fez três perguntas com falsas dicotomias escondidas. Por exemplo, Voltaire era ateu ou teísta? Nenhum dos casos - era deísta. Também podia perguntar-me se determinado ateu que viveu antes do século de XIX era evolucionista ou criacionista. Acho que o mais provável era não ser um nem outro.
Respondo as suas questões:
«1. O Crick era um evolucionista ou um criacionsita?»
Crick era evolucionista.
«2. O Crick era ateu ou teísta?»
Ele disse que era agnóstico com fortes tendências para o ateísmo. Para mim isso é suficiente para dizer que era ateu.
«3. O Crick acreditava em vida noutros planetas ou não?»
Não tenho dados suficientes para determinar se ele acreditava na existência de vida extraterrestre. O que ele fez foi apresentar uma hipótese que o próprio admitia não ter dados para determinar as probabilidades. No entanto, respondo com um sim pelas seguintes razões: a) ele apresentou a hipótese; b) Mats acredita que sim e acho que espera que responda com um "sim"; c) estou curioso em saber no que isso dá, apesar de prever que ele vai fazer um "Ah, ah!" e concluir que Crick era supersticioso;

O grupo mais propenso
Noto que esse é o cerne da questão! Basta ler o título que Mats usou: "Ateus Mais Propensos À Superstição".
Mats diz que fez a «a distinção entre “Não existe” e “Este grupo é mais propenso”»; diz que «mo primeiro caso basta só um, no segundo caso a existência de um exemplo que contradiz a proposição não invalida a mesma.» Parece-me mas é que não fez essa distinção. Vamos supor que o exemplo de Francis Crick é válido - então Mats apresentou um único exemplo. Basear-se num número de casos insuficientes para se chegar uma conclusão é uma falácia da falsa generalização. Um único exemplo mostra apenas uma excepção à regra. Primeiro é preciso provar que um grupo é mais propenso a algo (em geral por indução). A existência de um punhado de exemplares não serve, especialmente se posso encontrar muitos mais contra-exemplos.

Ele disse-me que só pedi um: «Portanto, um exemplo de um ateu que suporta a vida em outros planetas é suficiente porque foi exactamente isso que pediste.» Ele tinha dito antes o seguinte: «Mas tu dizes para te aprsentar UM ateu que acredite em vida no espaço, e eu apresento.» Eu não disse nada disso. Mats não me citou para fundamentar que eu disse aquilo nem admitiu que enganou-se.

Ele tinha-me dado a resposta «Mas tal como já o disse várias vezes, as pessoas mais susceptíveis de acreditar na vida no espaço são os evolucionistas. Não só isso não foi refutado, como até já apresente o exemplo do Crick.» Claro que ele não me vai citar para dizer que pedi só um exemplar, porque o que ele respondeu foi a isso: «Estarias a mostrar se procurasses aqueles que acreditam nisso ou os seus textos e os apresentasses - o que já pedi imensas vezes que o fizesses»

O que é que já pedi várias vezes? Citando-me:
1) «apresente exemplos de evolucionistas e ateus que acreditam que extraterrestres visitam a Terra, tal como afirmaste no artigo;»
2) «mostre onde é que no estudo (pesquise no site da Baylor ou arranje o livro) é dito que ateus são mais propensos a superstições do que cristãos.»
No dia 29 de Dezembro eu tinha escrito: «Não basta dizer que os evolucionistas são mais propensos a acreditar em OVNIs: tens de prová-lo ou pelo menos dar diversos exemplos
No dia anterior - quando comecei a comentar - escrevi: «Sobre a relação entre a crença na visita de extraterrestres e na evolução: não existe. Todas as organizações religiosas ufólogas que conheço defendem o design inteligente e são inspiradas em livros sagrados como a Bíblia e o Corão.»

Eu pedi isso imensas vezes, tanto no artigo original como na sequela. Como eu sei que existem evolucionistas (em sentido lato e apoiam o design inteligente) e ateus (que apoiam o design inteligente), Mats pergunta no dia 7 de Janeiro deste ano: «Então porque é que pedes que te dê exemplos de ateus que acreditam em vida no espaço e raptos à meio da noite, quando sabes que eles existem?» Eu já tinha dado o motivo no dia 31 de Dezembro do ano passado:
«Estou à procura de mais ufólogos com referências sobre o Design Inteligente e a evolução e a listá-los num artigo. Já enconrei montes deles.» (...) «Como vês, não tenho problemas em fazer o teu trabalho de casa - era isso que queria que fizesses. Se quiseres podes dar uma ajuda a encontrar mais, se tiveres interessado em responder a tua própria questão. Não posso é encontrar o que não existe - ainda não me mostraste onde no estudo é dito que os ateus são mais propensos à superstição que cristãos.»
Parece-me mas é que o Mats quer fugir o mais possível do que ele e Logan afirmaram. Eu próprio já disse, noutro artigo, que "existem grupos de ateus que têm religiões e partilham as superstições de teístas". Eu sei distinguir "existem" e "são os mais propensos" e mostrei-o mesmo antes de comentar nos artigos em questão de Mats. O que eu quero saber é se Mats consegue fazer a distinção.

Nota:
estive a fazer uma pesquisa no Gallup. Escreverei umas novidades para um próximo artigo.

28 dezembro, 2008

Mats - os ateus são os mais supersticiosos

O Monstro de Loch Ness
Para escrever o artigo anterior, fui à procura de patetices que o Mats escreveu nos comentários. Com isso encontrei um artigo dele com o título "Ateus Mais Propensos à Superstição Que Cristãos".
Numa nota ele começa por fazer jogos de palavras (como sempre faz quando usa aspas em palavras): «Prevendo a reacção dos darwinistas, deixem-me dizer que eu não acredito que o "monstro" do Loch Ness seja, ou tenha sido, um "monstro", mas sim um animal normal». É engraçado que nem pensei nisso - mas graças a isso, começarei por lembrar as crenças do sr. Mats. E ainda mais engraçado é que a figura do monstro de Loch Ness é como a de plesiossauro, e que nos artigos dos anos 30 era chamado de "monstro pré-histórico marinho" - um plesiossauro [1]. E é engraçado que qualquer animal que seja gigante, ou feio ou assustador, é um monstro, segundo os dicionários. Se perguntassem ao Mats se ele acredita num monstro de Loch Ness, como responderia? Ele não apoia a criptozoologia?

Comunicação com os mortos e mensagens nos sonhos
No estudo mencionado a crença na comunicação com os mortos está entre as superstições referidas. Mats traduz parte citação feita na sua fonte do seguinte modo: «quanto mais tradicional e evangélico fosse o inquirido menos susceptível ele era de acreditar, por exemplo, na possibilidade de comunicar com os mortos».

Os ateus são mais propensos em acreditar na possibilidade de comunicar com os mortos? Basta dar uma vista de olhos a
sites de ateus sobre ateísmo para repararem na crítica que fazem ao espiritismo e necromância. Na verdade quem acredita nessa capacidade de comunicar com os mortos critica os ateus. O mais ridículo é que Mats sabe muito bem que os destinatários do artigo não acreditam na existência de vida além da morte, mas ele próprio acredita e escreveu artigos a defendê-lo. [2] Na própria Bíblia é dito que o rei Saul, disfarçado, falou com o morto Samuel através de uma bruxa. Com excepções, como o Espiritismo Kardecista, os cristãos acreditam que existe algo de errado no mediunismo. Uns acham que é possível comunicar com os mortos mas é errado segundo a Bíblia e outros acham que na realidade são demónios que estão a comunicar. [3] Se fosse perguntado se acreditam na comunicação com os mortos, como responderiam? Também vão dizer que não acreditam em visões e mensagens divinas durante os sonhos? De onde vieram as vacas gordas e vacas magras, as revelações apocalípticas, a mensagem do anjo a José, as visões de Ezequiel? Dos ateus?

Noto que paranormal é um alegado fenómeno que
transcende as leis naturais e sem explicação científica, como um espírito a saír do corpo, ou qualquer outro fenómeno sobrenatural. Que eu saiba os chamados de naturalistas e materialistas é que não acreditam no paranormal. [4] Mats é que defende que espíritos saem do corpo para que haja testemunhas da existência de um Céu e de um Inferno, e desafia o ateus a encontrarem uma explicação natural. E ele chama-os de naturalistas e materialistas. [3]

Bigfoot, OVNIs e Astrologia
Tenho dois livros chamados "Os deuses que fizeram a Terra e o Céu", de Jean Sendy, e "Eram os deuses astronautas?", de Erich Von Dänken, que defendem que as escrituras sagradas, como a Bíblia, descrevem extraterrestres que tiveram contacto com seres humanos e foram considerados deuses. No primeiro livro a maioria dos capítulos começa com um excerto do Génesis; o último capítulo tem o título "De Moisés à vinda de Cristo". Na religião raelinana os membros são ateus defensores do design inteligente. No site do Movimento Raeliano existem títulos como "Message from the designers" ["Mensagem dos designers"] e "Design Inteligente para Ateus" ["Inteligent Design for Atheists"]. Um dos membros é Glenn, de Londres, que interpreta Jesus numa nova versão de "Jesus Christ SuperStar". Os mensageiros são chamados de "Elohim" ("deuses" em hebraico) - o mesmo nome usado nos dois livros que referi. Isso prova que existem grupos de ateus que têm religiões e partilham as superstições de teístas. A Ciência mostrou ter um enorme valor e foram algumas das suas características foram usadas para serem elaboradas pseudo-ciências, substituindo os anjos, demónios e deuses.

A obra "Um Mundo Infestado de Demónios" apresenta diversos exemplos disso. No 7º capítulo, com o mesmo título do livro, está: «No início dos anos 60 afirmei que as histórias de OVNI eram construídas sobretudo de forma a satisfazerem anseios religiosos. Numa época em que a ciência tornou mais difícil a adesão acrítica às religiões dos tempos antigos, apresenta-se uma alternativa à hipótese de Deus: envoltos num jargão científico, com os seus imensos poderes "explicados" por uma terminologia científica superficial, os deuses e demónios da antiguidade descem do Céu para nos assombrar, para fornecerem visões proféticas e para nos atormentarem com visões de um futuro mais auspicioso.»

No entanto a crença em extraterrestres que visitam a Terra para trazerem mensagens aos humanos não é exclusiva dos raëlianos. Existem muitas organizações cristãs que acreditam nisso, como a Cientologia, Universe People e o Nuwaubianismo, sendo algumas delas destructivas, como a Heaven's Gate, onde realizaram suicídios em massa. Até existem cristãos que dizem que a ufologia apoia o Cristianismo - já que os extraterrestres transmitem mensagens cristãs - e pretendem que seja discutida nas escolas. É claro que os cristãos conservadores colocam aspas na palavra "cristãos" para se referirem às pessoas que têm esse tipo de crenças. [5]

Presumo que o Mats também não acredita que aborda ateus que acreditam em extraterrestres que visitam a Terra. Também não me parece que Mats acredite que acreditam no Pé-Grande e em astrologia. Na AstrologySource é usada a Bíblia para defender a ideia de karma e a astrologia, no artigo "Astrology: A Theological Science" ["Astrologia: uma Ciência Astrológica"]. E segundo Mats, os ateus são os que mais acreditam na "ciência teológica". Que tal procurar conhecer as crenças dos astrólogos a respeito da existência de um Deus? [6; a, b, c, d]

Não sei qual é a relação entre o Pé-Grande e o ateísmo, mas parece ser uma raridade os ateus que acreditam nisso. Nem consigo encontrar um exemplar pesquisando por "atheist bigfoot" no Google. Quanto muito encontrei alguém no Yahoo Answers a dizer que é católico e que acredita que o Pé-Grande existe.
Encontrei no site da "Evolution News", da Discovery Institute, um artigo que começa por mencionar um ateu, chamado Steven Novella, que critica a crença apaixonada de um tal de Dipu Marak na existência do Ieti. Pois claro, ateus e agnósticos são os que em geral gastam tempo a testar experimentalmente as crenças, como a astrologia, e a apelar o espírito céptico, como no caso da existência do Pé-Grande. Curiosamente o artigo do site criacionista usa a mesma fonte do Mats - um artigo no DCExaminer escrito por Logan Gage. Mas perdeu-se uma grande oportunidade de apresentar um ateu que acredite no Ieti ou Pé-Grande. Uma coisa é certa: se fossem aparições de dinossauros e testemunhos de espíritos, iriam para a colecção de provas criacionistas. [7]

Superstições populares e cristãos
Devem ter sido os ateus que inventaram os unicórnios mencionados na Bíblia do Rei Jaime, as sereias, os duendes, os vampiros, os ogres, as bruxas e feiticeiros (objectos de estudos medievais), os sátiros (mencionados em Levítico 17:7 e nos capítulos 13 e 34 no livro de Isaías). Talvez tenham sido os ateus que se lembraram de lançar sal para cegar Satanás. Um homem entre 13 traiu o seu mentor numa sexta-feira, e daí os ateus devem ter tido a inspiração para o azar na sexta-feira treze. Devem ter sido os ateus que se lembraram de cruzar os dedos como um crucifixo. Também lembraram-se do gesto da cruz à frente da boca para que o diabo não entre. Também lembraram-se de levantarem-se com o pé direito para estar do lado direito de Deus, como tradição bíblica. Devem também devem ter inventado a ideia de que uma sombra numa fogueira devora a alma antes da véspera de Natal. Também batem na madeira porque foi o material onde Jesus foi crucificado. E vestem-se de preto nos funerais para não serem reconhecidos pelos espíritos. Os ateus usam rosários nos casamentos católicos para dar sorte. É óbvio que foram ateus que se lembraram de que quebrar espelhos afecta a alma. Também é óbvio que os ateus não atravessa escadas encostadas em paredes por representarem o triângulo da Santa Trindade. "Atchim!" "Santinho." "Deus te abençoe". [8]

Há criacionistas da Nova Terra que usam montagens para defender a descoberta de fósseis de nefelins, gigantes mencionados no Génesis antes do dilúvio. E esses ainda defendem que em Paluxy existem pegadas humanas por cima de pegadas de dinossauros, provando que humanos e dinossauros coexistiram. Segundo um mito urbano, a NASA descobriu que falta um dia e um cristão associou-o ao momento em que Deus parou o Sol, segundo o Livro de Josué. Na AnswersInGenesis esses mitos estão na lista de argumentos que os criacionistas não devem usar.

Existem grupos de criacionistas que opõem-se à vacinação, como originadora de doenças, e que defendem o poder do oxigénio de aumentar a longevidade e tamanho dos seres-vivos, tal como Sabino defendeu em comentários no blog "Que Treta!". Mats questiona num comentário do seu outro blog "Darwinismo":«mostra-me na Bìblia onde essas prácticas são ensinadas».
No canal da TV Cabo que tem um programa da IURD, vi um dos apresentadores a tentar curar miraculosamente uma mulher com câncro da mama através de orações, com uma Bíblia sobre a sua cabeça e uma colega a tocar no seio da doente. Há um site dedicado a esse tipo de coisas chamado "Why God Won't Heal Amputees", com diversos casos concretos e passagens bíblicas. Na web facilmente encontramos vídeos e artigos de exorcismos, alguns deles que levaram à morte de pessoas. "Vade retro, Satanás!" E quantas vezes aconteceu o Final do Mundo? Para quem não é Testemunha de Jeová, cientologista ou mórmon, é fácil reconhecer as supertições das suas religiões. Caso contrário, é muito difícil, tal como é difícil identificar superstições de origem critã ou bíblica se for um literalista bíblico. [9]

São curiosas as origens das superstições, tendo em que os ateus são os mais supersticiosos. E ainda mais curioso o facto de, segundo a Gallup, cerca de 1/4 (com 3% de erro) dos americanos admitem serem supersticiosos numa sondagem. Se todos os ateus da América fossem supersticiosos (cerca de 4%), restariam 21% dos americanos. Uma nota: não encontro qualquer referência à sondagem no site da Gallup referida no artigo citado pelo Mats.

Da fonte
O Mats já tem há muito tempo o hábito de usar fontes criacionistas que referem a outras fontes, em vez de procura aproximar-se o mais possível da fonte original. Por isso comete erros como no artigo "Últimas Palavras Famosas de Ateus". A fonte usada por Mats é de um artigo escrito por um membro da Discovery Institute - uma organização criacionista -, que por sua vez usa como fonte um artigo de opinião no The WallStreet Journal escrita por Mollie Ziegler, uma luterana membra do "Board for Communication Services" e da "Higher Things". Nesse artigo é dito que «os que se descrevem como ateus nem podem ser considerados estritamente racionais», referindo-se a uma sondagem no "Pew Forum on Religion & Public Life's" onde é dito que «21% dos que se dizem ateus acredita num Deus pessoal ou numa força impessoal», «dez por cento dos ateus reza pelo menos uma vez por semana e 12% acredita no Céu.» No "Pew Forum" é dito que isso é uma "medida de erro" ["measurement error"]. Talvez sejam como o Mats, pensando que ser ateu é não frequentar igrejas.

Logan Gage no seu artigo diz que Rodney Stark trabalha na Universidade de Baylor. Basta fazer uma pesquisa no Google pelo título do seu livro para encontrar o site dessa universidade sobre o estudo. Ateus e irreligião são discutidos na mesma secção. Simplesmente diz que o número de ateus não cresceu, a maioria dos europeus não é ateia, cerca de 1/3 dos irreligiosos são ateus materialista, cerca de 2/3 dos irreligiosos acreditam que um Deus existe mas não frequentam igrejas, 32% dos irreligiosos reza frequentemente, cerca de 1/3 deles acredita em Satanás e demónios e metade acredita em anjos e fantasmas.

Na secção sobre cristianismo e superstição, é dito que os cristãos tradicionalistas e conservadores têm menos tendência a acreditar em mensagens nos sonhos, no Pé-Grande, OVNIs, casas assombradas, comunicação com os mortos e astrologia. No próprio texto é dito que «os investigadores dizem que isso mostra que não é a religião em geral que suprime essas crenças, mas sim a religião conservadora.» Segundo o artigo do The WallStreet Journal, entre os que têm tendência a serem supersticiosos estãos os que pertencem a denominações Protestantes liberais.
Isso não é novidade para mim e a razão é fácil de perceber se lerem, por exemplo, a literatura de Testemunhas de Jeovás a respeito dos feriados, astrologia, ocultismo e independência de organizações religiosas (clique na imagem ao lado). Se, por exemplo, digo que não acredito na comunicação com os mortos, quero dizer que não acredito na possibilidade de comunicação com os mortos e quem acha que o faz está iludido ou é uma fraude. No entanto Testemunhas de Jeová, tal como os Evangélicos, acreditam que existe influência demoníaca na comunicação com os mortos. Na realidade dizem não acreditar por motivos igualmente supersticiosos. [3] Ora, no artigo do The WallStreet Journal é dito que Barack Obama acredita no paranormal e Sarah Palin não. Mas Sarah Palin recebe orações de um sacerdote para se proteger de feitiçaria. [10] Devo dizer que saber que Bill Maher promove pseudo-ciência, opondo-se à vacinação, surpreendeu-me, no entanto ele diz que não é ateu acreditando num Deus, por isso não é um ateu propenso à superstição. [11]

Resta perguntar como é que o Mats concluiu que «os ateus são mais propensos à superstição que cristãos». O estudo não sugere nada disso. Segundo o que escreveu, parece que ele acha que «as pessoas que nunca vão a casas de oração» são ateus. Ele sabe muito bem que eu e outros ateus que ele aborda não acreditamos nessas palermices e apenas quis desacreditar-nos com um ad hominem em forma de artigo.

Sigo uma filosofia céptica. Mesmo se o título do seu artigo fosse verdade, isso não me iria colocar no saco desses supersticiosos nem seria o suficiente para concluir que o que escrevo é falso. Como sempre, indico imensas referências para que o que escrevo seja escrutinado. Se Mats realmente acredita mesmo no que disse, então que apresente diversos exemplos para corroborá-lo, tal como faço.

Referências: